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26/10/2004 - 02h52

Lápis, borracha e computador

Elaine Medeiros
free-lance para a Folha de S.Paulo

Com a recente adição do computador à lista de material recebida por pais e alunos desde a escola maternal, chega o desafio de controlar o fascínio das crianças e de evitar que elas copiem o conteúdo pesquisado sem aprendê-lo.

Rogério Cassimiro/Folha Imagem
Alunos da quinta série no Mackenzie em aula que une português a informática

Segundo a coordenadora da área de informática educacional do colégio Mackenzie, Solange Giardino, o computador amplia o foco de aprendizado do aluno e estimula sua criatividade, em razão da liberdade e da autonomia oferecidas. Além disso, ela defende que seu uso quebra o paradigma segundo o qual o professor é a principal fonte de aprendizagem. "O aluno passa a construir seu próprio conhecimento e a desenvolver seu interesse por pesquisas."

Por outro lado, a coordenadora alerta para as dificuldades que os educadores ainda enfrentam: familiarizar-se com técnicas de informática e ter segurança nas aulas em que são auxiliares, quando o essencial são as pesquisas realizadas pelas crianças com o computador. "Mesmo assim, o computador, como o papel e a caneta, é uma ferramenta que depende de um mediador capaz de ensinar o aluno a utilizá-las e a controlar seu uso."

Para Leda Barone, psicanalista infantil e professora da Universidade de Santo Amaro, pais e professores devem ter alguns cuidados com a criança: proibir o acesso a sites impróprios para a idade; controlar o tempo de uso do computador, evitando o excesso de contatos virtuais; e impedir a falta de discernimento do tempo e do espaço, um imediatismo que não condiz com a realidade.

A professora e pedagoga Tisuko Morashida, da Faculdade de Educação da USP, sugere que o uso do computador seja algo de dentro para fora, isto é, que as crianças explorem os recursos do seu novo "brinquedo", enquanto pais e professores aplicam os programas educativos disponíveis.

Em vez disso, o que se vê nas salas de aula, segundo Tisuko, é o mesmo método de ensino aplicado ao adulto: "Uma sala onde o ensino é realizado de cima para baixo, fragmentado e metódico, causando o emburrecimento da criança e ao gasto desnecessário de dinheiro por parte dos pais".

Contrária a esse método, ela afirma que, desde os primeiros contatos da criança com o computador, é importante não colocá-la sob a condição de usuária passiva, como acontece com alguns jogos repetitivos, mas sim como alguém que se integra ao conteúdo pela linguagem oral, gestual ou gráfica. Cabe a pais e professores encarar como aliadas as diferentes formas de ensino, seja a escrita a mão, a leitura de livros, um CD musical ou um computador.

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