02/10/2007
Jornal laboratório levado a sério
do Novo em Folha
Entrevista por e-mail com Margarete Vieira, professora de jornalismo da Universidade Metodista e editora do "Rudge Ramos"
Novo em Folha - O Rudge Ramos é uma disciplina obrigatória?
Margarete Vieira - O Rudge Ramos Jornal faz parte do currículo do curso no 5º semestre e 6º semestre (impresso) e 7º semestre (on-line).
NF - Todos os alunos fazem? Ou é preciso concorrer?
MV - No 5º semestre - Disciplina Oficina Modulada de Jornalismo Impresso - todos os alunos produzem matérias para o Rudge Ramos Jornal, que podem ser publicadas ou não de acordo com a qualidade jornalística apresentada.
No 6º semestre - Disciplina Reportagem Especial para Impresso - produção das 4 páginas centrais - grandes reportagens.
7º semestre - Disciplina Jornalismo On-line - produção diária de informação (www.metodista.br/rronline <http://www.metodista.br/rronline>)
Oferecemos também vagas para estágio remunerado e voluntário na redação do jornal. Para o estágio, o aluno passa por uma prova de texto, planejamento gráfico e conhecimentos gerais.
NF - Os alunos ficam por quanto tempo?
MV - A partir do 5º para remunerado e 4º para voluntário. Ficam seis meses e podem ter o estágio prolongado por mais seis, totalizando um ano.
NF - Cada aluno tem função fixa? Mudam de função? Com que freqüência?
MV - Em sala de aula produzem pauta, reportagem, texto, fotografia, edição e diagramação. Tudo com o acompanhamento de professores das diferentes áreas.
Na redação, reportagem, texto, fotografia e diagramação.
São também responsáveis por editorias diferentes.
NF - Quem são os professores responsáveis?
MV - Em sala de aula:
a) Pauta, reportagem, edição - Júlio Veríssimo, Margarete Vieira, Rodolfo Martino.
b) Fotografia - Armando Prado
c) Diagramação - José Reis Filho
d) Versão on-line - Ricardo Fotios
NF - O quanto eles interferem na produção? Discutem as pautas ou pautam os
alunos? Lêem todos os textos, analisam, sugerem melhorias? Editam?
Reescrevem ou mandam reescrever?
MV - Os professores são responsáveis por discutir a sugestão de pauta trazida pelos alunos (em alguns momentos também sugerem pautas) de acordo com a linha editorial do veículo e o público alvo. Posteriormente editam textos e fotos junto com os alunos e indicam mudanças. Os alunos devem reescrever os textos ou refazer fotos até que se consiga um mínimo de qualidade.
NF - Há crítica formal da edição?
MV - A editora do jornal faz uma reunião semanal (segunda) com os estagiários remunerados e voluntários em que são verificados problemas de edição, erros de informação ou edição. E, na sala de aula, os professores conversam com os alunos sobre o resultado do produto.
Por isso em sala de aula o processo de crítica durante a produção é constante (as aulas acontecem três vezes por semana - dois dias para pauta, reportagem, texto e edição; um dia para diagramação e foto).
Os leitores do RRJ de modo geral se sentem muito próximos do jornal. Telefonam, enviam e-mail e, às vezes aparecem na redação para fazer críticas ou sugestões.
NF - Os prazos são cobrados? São respeitados? O que acontece quando os alunos não
entregam a tarefa no dia certo?
MV - Em sala de aula os alunos são divididos em trios que devem produzir três pautas diferentes (equivalentes a duas páginas do jornal) no período de seis semanas. O estudante é informado que a falta de qualidade no produto final apresentado implica a sua não publicação.
A redação do RRJ funciona como qualquer outra redação. Os prazos têm que ser respeitados de acordo com o fechamento do jornal.
NF - Qual o projeto editorial do jornal a respeito de: público alvo, área geográfica, temas abordados, gêneros de texto (cabe opinião? ou só informação?), linguagem (há preocupação específica com algo? didatismo?
*exatidão? precisão? criatividade?). *
MV - Perfil do veículo - Criado em 1980, o "Rudge Ramos Jornal" é um veículo de comunicação do curso de Jornalismo, da Faculdade de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo.
Além do caráter pedagógico ao longo de seus mais de 27 anos de existência, o perfil é o de prestação de serviço à comunidade de São Bernardo do Campo.
Público alvo - População de São Bernardo do Campo
Até o 1º semestre de 2007 - Tiragem de 25.000 exemplares, distribuídos as sextas-feiras nas moradias do Rudge Ramos e de bairros adjacentes.
A partir do 2º semestre de 2007
a) No formato tablóide, 16 páginas, que continua sendo distribuído na cidade, quinzenalmente. Produzido por alunos do 5º semestre, do 6º semestre por estagiários remunerados e voluntários;
b) Versão on-line, atualizada diariamente por meio de estagiários e alunos do curso das disciplinas do 7º semestre. (www.metodista.br/rronline <http://www.metodista.br/rronline>)
c) Formato - Tablóide 16 páginas, capa, contra capa e páginas centrais cor.
d) Tiragem - 15.000 exemplares
Perfil editorial - cobre vários assuntos ligados ao cotidiano de São Bernardo. Em política, por exemplo, faz um acompanhamento constante dos trabalhos da Câmara Municipal da cidade, como forma de mostrar ao leitor-morador a atuação dos vereadores de São Bernardo.
Além da política, acompanha todas as manifestações culturais que acontecem no município, com a cobertura dos fenômenos sociais, culturais e esportivos.
a) Prestação de serviço para a comunidade
b) Editorias - Política/De olho na Câmara (acompanhamento semanal do trabalho dos vereadores da cidade), Cidade (São Bernardo), Região (ABCD), Economia (Defesa do Consumidor - Seus Direitos), Entrevista de Capa, Educação, Saúde e Ambiente, Esportes, Cultura (Informação, dicas, agenda cultural da região, cinema).
c) Reportagens aprofundadas sobre temáticas regionais (quatro páginas).
Gênero do texto - somente o texto informativo respeitando as variações permitidas pela periodicidade.
Linguagem - Orientamos os alunos para produzirem textos simples, didáticos e com conteúdo apurado para garantir a precisão e qualidade da informação.
NF - Como agem em relação a erros de informação?
MV - Mantemos um espaço para publicar as correções quando ocorrem erros de informação e edição, sempre na página 2. Os alunos assinam todas as matérias produzidas e sabem que os erros referentes à apuração serão informados aos leitores.
Qualquer indício de erro detectado pelo professor em sala de aula é exaustivamente discutido com os alunos para que apurem em busca da precisão.
NF - O jornal tem publicidade? Por quê?
MV - O jornal é mantido financeiramente pela Universidade Metodista desde 1980. Mas a universidade aceita publicidade ou apoio cultural de empresas e comércios da região. Várias edições já contaram com publicidade.
NF - O jornal é encarado pela escola como um produto ou um exercício? Por quê?
MV - O jornal é encarado como um produto, já que tem público alvo definido e distribuição ininterrupta. Mas é um produto diferente. Um dos pilares da Metodista é a prática da cidadania. E a universidade entende que o RRJ faz parte desse ideal (Ana, eis uma pauta para o seu blog. Aqui na Metodista existe um núcleo de Jornalismo Social, cuja a finalidade é orientar e instrumentalizar comunidades que queiram produzir comunicação). Também é concebido como um espaço de cunho pedagógico em que os alunos podem exercitar o jornalismo antes de partirem para o mercado de trabalho.
NF - Como você descreve a evolução dos alunos, de quando entram para quando saem
do jornal? Teria algum caso para contar?
MV - Os alunos (estagiários) que passam pela redação têm mais facilidade de desenvolver as habilidades do jornalismo no mercado de trabalho.
Normalmente saem do estágio no RRJ para um novo estágio no mercado de trabalho.
Há uma experiência bem interessante de um grupo de alunos que teve o RRJ como inspiração. Eles produziram como trabalho de conclusão de curso um projeto de jornal nos mesmos moldes do RRJ para a cidade de São Caetano. Hoje esse veículo ("São Caetano Agora", outra boa opção de pauta para o seu blog) é publicado semanalmente, há mais de 2 anos. Os alunos aproveitaram a experiência em sala de aula para se tornarem empreendedores.
Convém ressaltar que em sala de aula os alunos também ganham desenvoltura na produção da primeira para as demais pautas e passam a encarar com mais seriedade e cuidado a busca de informações, pois sabem que terão o material publicado e com leitores de fato. Não estão apenas fazendo um "trabalho para nota".
NF - Que conselho você daria para alunos de jornalismo que querem melhorar sua
capacidade de trabalho?
MV - Antes de mais nada, muita leitura, sobretudo de jornal impresso, dos principais veículos de comunicação. É inconcebível que alunos de jornalismo não leiam. Além disso, a melhor forma de ganhar desenvoltura na profissão é praticar a atividade jornalística desde a sala de aula - treinar. O aluno de jornalismo deve aproveitar todas as oportunidades práticas que a Metodista oferece (muitas, se comparadas com outras instituições de ensino). Dessa forma, ao migrar para o mercado de trabalho, o recém-formado já estará familiarizado com os processos de produção do trabalho jornalístico.