18/10/2008
Sugestões dos leitores
Estes textos fazem parte do blog Novo em Folha e estão protegidos por copyright
SUGESTÃO 1
*Ministério Público denuncia policiais
acusados por sequestro de traficante*
Três policiais civis de Campinas (93 km de SP) são acusados pelo Ministério Público de seqüestrar uma traficante de drogas para extorquir R$ 15 mil do chefe da suposta quadrilha.
Dois policiais _ Márcio da Silva Passos e o investigador Itamar Gomes da Silva _ já foram presos. O terceiro investigado, Edson José Casteletti, está foragido.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime) do Ministério Público denunciou os três por extorsão mediante seqüestro há cerca de 20 dias.
A prisão dos policiais foi decretada na semana passada e um deles foi preso na última quarta-feira. O outro já estava preso por outro crime.
MINHAS OBSERVAÇÕES - A edição foi bem econômica, reduziu bem o texto, mas deixou de incluir algo fundamental: o outro lado. Mesmo neste caso, em que não conseguimos achar os advogados, é importante pelo menos contar para o leitor que tentamos e lembrá-lo de que os policiais têm uma versão a contar
SUGESTÃO 2
Três policiais acusados de seqüestro
e extorsão; um deles está foragido
Três policiais civis de Campinas (93 km de SP) foram acusados pelo Ministério Público há cerca de 20 dias de extorquir R$ 15 mil do chefe de uma quadrilha. A prisão deles foi decretada na semana passada. Márcio Passos já estava preso por outra acusação de extorsão há um mês, Itamar Silva foi preso pela corregedoria e Edson Casteletti está foragido.
A suposta extorsão ocorreu em abril. O caso começou a ser monitorado pela Promotoria após a interceptação de um telefonema feito pelos policiais ao suposto chefe da quadrilha, Alan Diego da Silva, o "Bebê", que tinha o celular monitorado em outra investigação. Após prender uma traficante, "Loira", eles pediram dinheiro em troca da liberdade da mulher.
Embora os promotores não tenham flagrado pagamento, "Loira" foi liberada no mesmo dia. Os policiais mantiveram a mulher na delegacia sem anuência do delegado responsável, diz a Promotoria. Ela responde por tráfico e foi incluída em um programa de proteção a testemunhas.
"Bebê" foi preso após a denúncia dos promotores. A Corregedoria da Polícia Civil em Campinas informou que abriu uma investigação disciplinar sobre o caso, que pode terminar com a exoneração dos policiais. A reportagem não localizou advogados dos policiais.
MINHAS OBSERVAÇÕES - *O título, embora não tenha verbo na voz ativa, como usamos na Folha, está correto e tomou o cuidado de deixar claro que eles são só acusados, ou seja, de não dizer algo como "são presos por seqüestrar".
A edição ficou boa, porque dá a notícia principal, explica um pouco o caso e não cortou o outro lado (sobre isso, ler o comentário ao primeiro exercício, ali em cima).
Na edição, optou-se para tirar os nomes dos policiais para ganhar espaço. Esse é um recurso que se cogita, sim, quando é preciso cortar muito um texto.
Como decidir se é o caso ou não de cortar? Fazendo a seguinte pergunta: faz diferença, para a notícia, se foi o Paulo, o Luiz ou o José que cometeram o crime?
Nesta notícia, no que se refere a dois dos policiais, não há nada que indique que eles são policiais que se destaquem por algum motivo --por exemplo, que sejam chefes de algo, que já tivessem sido presos antes, que sejam os mais antigos da corporação, algo do tipo.
Para a maioria dos leitores, portanto, o nome é informação que não faz falta. Pode ser, no entanto, relevante para o leitor de Campinas, que pode conhecer algum deles. Mais, aí, a faca tem dois gumes: é bom refletir sobre se há indícios suficientes do suposto envolvimento da pessoa antes de publicar o nome. É uma decisão que vale a pena tomar junto com o editor.
O complicador aqui é que um dos policiais já havia sido acusado previamente de extorsão e, neste caso, talvez fosse relevante deixar isso claro.
Mas essa questão de dar nomes nunca é fácil. Outro dia, por exemplo, uma trainee minha estava apurando a história de uma moça de 25 anos que tinha tido prisão decretada sob suspeita de ter tentado matar o filho recém-nascido, na Bahia.
Mas ela ainda estava internada, não havia nem prestado depoimento, não tinha advogado. Por telefone, não tínhamos como falar com ela. Havia um fato: uma moça sob custódia da polícia no hospital e um bebê gravemente ferido. O nome dela, neste caso, não mudava a situação, e consideramos que divulgá-lo seria negligente de nossa parte.*
SUGESTÃO 3
Policiais seqüestram membro de quadrilha
para extorquir R$ 15 mil do líder
Três policiais civis de Campinas (93 km de SP) são acusados pelo Ministério Público de seqüestrar, em abril, traficante de drogas conhecida como "Loira", para extorquir R$ 15 mil do chefe de sua quadrilha. Dois dos investigadores estão presos e um, foragido.
O investigador Itamar Gomes da Silva foi preso pela Corregedoria da Polícia Civil de Campinas. O policial Márcio da Silva Passos já tinha sido preso há um mês em razão de outra acusação de extorsão. O terceiro policial investigado, Edson José Casteletti, está foragido.
O caso começou a ser monitorado pela Promotoria após a interceptação de um telefonema feito pelos policiais ao suposto chefe da quadrilha, Alan Diego da Silva, o Bebê. Silva enviou um representante para negociar com os policiais em um bar. Os promotores não flagraram o pagamento, mas "Loira" foi liberada no mesmo dia.
"É uma inversão de valores. Em vez de agir como policiais e prender os traficantes, eles exigiram dinheiro para libertá-la.", disse o promotor do Gaspar Pereira da Silva. Os policiais ainda a mantiveram na Dise (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes) sem o consentimento do delegado responsável pela unidade, segundo a Promotoria.
A mulher responde a processo por tráfico e foi incluída em um programa de proteção a testemunhas. "Bebê" foi preso após a denúncia dos promotores. A Corregedoria da Polícia Civil em Campinas informou que abriu uma investigação disciplinar sobre o caso, que pode terminar com a exoneração dos policiais. A reportagem não localizou advogados dos policiais.
MINHAS OBSERVAÇÕES - Em textos que envolvem acusações, é sempre bom tomar cuidado para não "condenar" as pessoas. Quem tem que fazer isso é a Justiça. Por isso, era melhor um título que dissesse "Policiais são presos acusados de extorquir", em vez de cravar que eles extorquiam.
Quanto ao texto, a edição está correta. Talvez ficasse melhor uma pequena mudança nos parágrafos, para juntar informações afins e também colocar mais para cima o outro lado (ou, neste caso, a falta dele, já que os advogados não foram encontrados).
Veja abaixo como eu mudaria isso:
Três policiais civis de Campinas (93 km de SP) são acusados pelo Ministério Público de seqüestrar, em abril, traficante de drogas conhecida como "Loira", para extorquir R$ 15 mil do chefe de sua quadrilha. Dois dos investigadores estão presos e um, foragido.
O investigador Itamar Gomes da Silva foi preso pela Corregedoria da Polícia Civil de Campinas. O policial Márcio da Silva Passos já tinha sido preso há um mês em razão de outra acusação de extorsão. O terceiro policial investigado, Edson José Casteletti, está foragido. A reportagem não localizou advogados dos policiais.
O caso começou a ser monitorado pela Promotoria após a interceptação de um telefonema feito pelos policiais ao suposto chefe da quadrilha, Alan Diego da Silva, o Bebê. Silva enviou um representante para negociar com os policiais em um bar. Os promotores não flagraram o pagamento, mas "Loira" foi liberada no mesmo dia.
A mulher responde a processo por tráfico e foi incluída em um programa de proteção a testemunhas. "Bebê" foi preso após a denúncia dos promotores. A Corregedoria da Polícia Civil em Campinas informou que abriu uma investigação disciplinar sobre o caso, que pode terminar com a exoneração dos policiais.
"É uma inversão de valores. Em vez de agir como policiais e prender os traficantes, eles exigiram dinheiro para libertá-la.", disse o promotor do Gaspar Pereira da Silva. Os policiais ainda a mantiveram na Dise (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes) sem o consentimento do delegado responsável pela unidade, segundo a Promotoria.*