26/07/2011
Arte da periferia estimula estudo e cria uma poeta
MARCIO AQUILES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Rosilene da Costa Dorea, 38, teve a vida transformada pela arte. Inspirada pelas declamações dos colegas do Sarau da Cooperifa, ela voltou a estudar e melhorou de vida.
| Lucas Sampaio/Folhapress |
 |
| Rosilene da Costa Dorea, 38, começou a escrever poesia e retomou os estudos |
"Eu nunca tinha viajado de avião. Hoje viajo divulgando o nosso sarau e já fui para o Rio de Janeiro, Santa Catarina e Brasília", diz ela.
Veja especial Brasil com Miséria
População de baixa renda consome arte em São Paulo
Rose, como é conhecida entre os amigos, nasceu em São Miguel Paulista (zona leste de São Paulo), mas faz questão de destacar que é filha e neta de baianos.
A mãe era doméstica, e o pai, porteiro. Ela interrompeu os estudos na oitava série e começou a trabalhar aos 13 anos, como manicure.
Frequenta o sarau desde a primeira edição, em 2001, e voltou a estudar em 2004. "Antes eu falava 'nóis vai, nóis vorta'. A Cooperifa me deu desenvoltura", afirma. Atualmente, Rose trabalha como secretária.
Ela escreve sobre temas relacionados ao universo feminino. "Vivemos em um país preconceituoso, machista e racista. Eu sou mulher, gorda e negra. Hoje tenho plena consciência do que estou falando", diz.
Rose mora em Taboão da Serra (Grande São Paulo) e vai toda semana ao sarau. Ela reforça o coro da Cooperifa, que prega que não se deve mudar da periferia, mas modificar a própria periferia.
"Mesmo se eu ganhasse milhões, continuaria morando em Taboão e vindo toda quarta para o sarau aqui na Chácara Santana".
+ NOTÍCIAS NO ESPECIAL 'BRASIL COM MISÉRIA'