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26/07/2011

Na Bahia, redução da miséria esbarra nos desafios do semiárido

ELEA ALMEIDA
RAFAEL GREGORIO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Danilo Bandeira/editoria de Arte/Folhapress

Apesar do destaque no recente movimento de ascensão social, a Bahia ainda é o Estado que abriga o maior número de miseráveis no país. Os dados do Censo 2010 mostram que aproximadamente 2,5 milhões de pessoas, 15% do total nacional, vivem com menos de R$ 70 mensais na Bahia.

Na comparação com 2000, o Estado teve a terceira maior redução de domicílios miseráveis, tirando mais de 336 mil lares da miséria.

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Porém, 10,55% dos domicílios baianos seguem nessa condição, 66% deles no semiárido, cujas condições climáticas são apontadas como um dos entraves para o fim da miséria local.

"A Bahia é a cara do Brasil', diz Oswaldo Guerra, economista da UFBA (Universidade Federal da Bahia). "Com o 6º maior PIB do país, abrigamos a mais absoluta miséria [no semiárido] entre relativa prosperidade no litoral e no oeste irrigado".

Segundo especialistas, o Estado vive um momento em que sua economia aquece mais que a média brasileira, mas o crescimento é distribuído de forma desigual, o que faz avançar a miséria em algumas regiões.

Vitor Couto, professor da UFBA, afirma que a o clima do semiárido, que ocupa 70% do território baiano, é a causa geográfica da extrema pobreza do Estado, enquanto o sistema educacional é um fator social e a concentração de terras nas mãos de poucos proprietários é uma razão histórica.

SECA

Dados revelam como a região está pouco integrada ao restante do Estado. A Bahia concentra 40% de todo o semiárido brasileiro, onde vivem 61% dos miseráveis baianos --quase 1,6 milhão de pessoas.

Nos 265 municípios da região, com 6,7 milhões de habitantes, é baixo o acesso a serviços básicos, como luz e água, e à educação formal.

O isolamento e as condições climáticas afetam a economia. O PIB (produto interno bruto) do semiárido beira R$ 34 milhões, segundo dados da SEI de 2008 _28% do total do Estado. A renda per capita média anual dos habitantes locais equivale a 44% da média baiana.

"Se considerarmos a dimensão do semiárido baiano, o tamanho da população rural e o contingente populacional, poderemos entender estes aspectos como entraves para um desenvolvimento mais igualitário", diz Geraldo Reis, diretor da SEI (Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia), autarquia da Secretaria de Planejamento baiana.

A aposta atual para integração, segundo Guerra, é a infraestrutura. Como a Folha noticiou há algumas semanas, o governo federal negociou com uma mineradora do Cazaquistão 25% da capacidade de transporte da futura Ferrovia Oeste-Leste (Fiol), que ligará projetos de mineração no semiárido a um novo porto em Ilhéus.

ASSISTÊNCIA

Entre 2004 e 2010, a Bahia foi a maior beneficiária do Bolsa- Família, recebendo mais de R$ 9 bilhões _13,5% dos R$ 66,6 bilhões gastos pelo governo federal. Duas em cada cinco pessoas recebem a ajuda no Estado.

Os especialistas apostam que o Brasil sem Miséria, plano de erradicação da pobreza anunciado pela presidente Dilma Rousseff, ampliará a assistência aos nordestinos em geral, e aos baianos em especial.

"Nossa meta é reduzir a miséria em ao menos 90% até o fim de 2014, se não vencê-la totalmente", projeta Carlos Brasileiro, secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza da Bahia.

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