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26/07/2011

Falta de estrutura entrava combate à miséria rural

ELEA ALMEIDA
RAFAEL ZANATTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Um em cada quatro brasileiros que vivem no campo está em situação de extrema pobreza, segundo dados do Censo 2010.

De um total de quase 30 milhões de pessoas no meio rural, 25% dos moradores possuem renda mensal abaixo da linha da miséria, de R$ 70 per capita por domicílio. A taxa é de 5% nas cidades, que, em números absolutos, possuem a maioria dos miseráveis.

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A falta de infraestrutura e as dificuldades de acesso a serviços públicos em municípios mais isolados são os principais motivos apontados por especialistas para que a situação se perpetue.

ACESSO À ÁGUA

Por ser uma população mais dependente da produção agrícola, normalmente destinada a consumo próprio, a vida rural tem na água um fator determinante.

Nas cidades, 81% de quem vive na miséria é atendido pela rede geral de distribuição. No campo, essa taxa é de 26%. Outros 25% recorrem a poços e nascentes e quase metade precisa buscar fontes alternativas.

"Água é o principal elemento ausente nas áreas de pobreza. Distâncias dos centros de consumo e dificuldades de transporte da produção consolidam isso", afirma Eugênio Giovenardi, escritor e sociólogo, autor de "Os Pobres do Campo" (Tomo Editorial).

EDUCAÇÃO

Apontada como um dos principais obstáculos do desenvolvimento, a educação continua sendo deficiente no campo, onde o analfabetismo entre miseráveis é de 30% --em áreas urbanas, o mesmo recorte marca 22%.

Segundo Markus Brose, diretor-executivo da ONG Care Brasil, que toca projetos de desenvolvimento social no país, a pobreza rural se manifesta de duas formas: na falta de recursos agrícolas e no desemprego. "É uma população normalmente com baixíssimo grau de educação e, com isso, a pessoa tem baixa empregabilidade", diz ele.

A educação deficiente reflete-se na pouca organização e articulação da população campesina. Segundo Maria Helena Antuniassi, pesquisadora do Centro de Estudos Rurais e Urbanos da USP, a falta de instrução impossibilita a compreensão das ações governamentais, além da mobilização social ligada a elas.

ALTERNATIVAS

Apesar de ter mais carências, o campo oferece meios para contornar a miséria. "Na zona rural, eles têm possibilidades de plantar, pelo menos para comer, quando estão em terra produtiva", diz Antuniassi. O que, para Giovenardi, não significa que a pobreza extrema no campo seja mais suportável. "O estado de miséria é sempre ruim. Graduar isso faz parte do cinismo político", afirma.

Subsídios e acompanhamento à agricultura, menos concentração de terras e proteção de pequenas propriedades são apontados como estratégias para combater a pobreza rural. A regionalização de ações, levando em consideração características locais, é colocada como essencial e está prevista no programa Brasil sem Miséria, segundo Laudemir Müller, secretário da Agricultura Familiar do Ministério de Desenvolvimento Agrário.

"Queremos estruturar a produção para gerar excedentes. As famílias receberão acompanhamento técnico, que elaborará um plano de acordo com sua capacidade e realidade", afirma.

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