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26/07/2011

Fim da pobreza exige diversidade de ações

ELEA ALMEIDA
PATRÍCIA BRITTO
RAFAEL GREGORIO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Identificar fragilidades regionais e investir mais em educação são as principais armas no combate à pobreza extrema, segundo especialistas ouvidos pela Folha.

Paolo Fontani, coordenador da Unesco (órgão das Nações Unidas para a Educação) no país, dimensiona o desafio. "O Brasil investe 5% do PIB [em educação]. Países industrializados, 6%." "A alfabetização da mãe reduz a mortalidade e a criminalidade dos filhos", acrescenta.

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Anos a mais de estudo se relacionam a ingresso no mercado e migração social, diz o economista Marcelo Neri, diretor do Centro de Pesquisa Social da Fundação Getulio Vargas do Rio. As chances de obter trabalho aumentam 27% a cada ano que a pessoa passa na escola, e 53% depois de 12 anos nela.

"Só a educação pode romper o ciclo de reprodução da pobreza", diz Markus Brose, diretor-executivo da ONG Care Brasil, responsável por projetos de desenvolvimento comunitário.

INCLUSÃO E ASSISTÊNCIA

Complementando o ensino tradicional, a capacitação profissional deveria, para os especialistas, ser trabalhada de forma descentralizada, após a identificação do potencial econômico de cada região. Em uma cidade com economia baseada no turismo, por exemplo, a oferta de cursos de hotelaria pode ser mais proveitosa do que treinamentos para manicures.

O fornecimento de serviços básicos, como saúde e educação, e o acompanhamento de assistentes sociais também são recomendados.

Enquanto serviços essenciais não chegam, porém, programas de transferência de renda apaziguam problemas urgentes e abrem portas ao mercado consumidor.

"[Esses programas] são a única forma que os mais pobres têm para sobreviver e tomar conta deles mesmos", diz o economista bengalês Muhammad Yunus, Nobel da Paz de 2006.

ALTERNATIVAS

Em certos casos, porém, as pessoas não têm conhecimento para converter renda em melhoria de vida. Por isso, deve-se tirar os beneficiários do assistencialismo, diz Yunus. Sua solução foi o microcrédito do Grameen Bank, em Bangladesh, com o qual os mais pobres podem obter empréstimos e investir em negócios próprios.

No Brasil, o Banco do Nordeste tem, desde 1998, experiências na área com o Crediamigo. Estudo feito com a FGV em 2008 mostrou que 60% do 1,7 milhão de atendidos deixaram a pobreza.

Lena Lavinas, economista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), acredita que, para que as diversas ações contra a miséria funcionem, as políticas públicas devem ser permanentes, em vez de programas de governo com prazo para acabar.

Diversos especialistas acham impossível a erradicação plena da miséria até 2014, como prevê o governo, mas viável se aproximar dessa meta.

Para Lavinas, a pobreza extrema pode se tornar residual nesse prazo, com incidência em torno de 2%. Neri calcula que é possível reduzir 50% dos patamares atuais no mesmo prazo.

Danilo Bandeira/Editoria de Arte/Folhapress
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