Turismo
24/09/2001 - 12h06

Irlanda e Oceania são opções para intercâmbio e fugir dos EUA

MARGARETE MAGALHÃES
da Folha de S.Paulo

Irlanda, Austrália e Nova Zelândia. Essas são algumas das alternativas apontadas pelas operadoras de cursos de intercâmbio para quem está com medo de ir para os EUA após os atentados em Nova York e no Pentágono, nos arredores de Washington.

A procura por cursos nesses países, que já sinalizava um crescimento no mercado brasileiro, pode ganhar espaço ainda maior. Menos requisitados para aprender inglês, os ex-territórios britânicos são vistos como locais seguros, que trarão menos preocupação para pais e amigos.

Também com a escalada do dólar -que bateu os R$ 2,75 na semana passada-, as moedas desses países, que estão desvalorizadas em relação ao dólar americano, farão diferença na hora de pagar a conta do curso.

O custo de vida na Austrália e na Nova Zelândia é bem mais baixo. Para os extras, o estudante vive bem com cerca de US$ 300 por mês, contra US$ 500 mensais nos EUA. Além disso, Nova Zelândia e Irlanda escapam da burocracia e dispensam o visto de estudante por três meses.

Das "novas" opções, talvez o lugar que mais cause estranheza no quesito segurança seja a Irlanda. O país é comumente confundido com a Irlanda do Norte -palco de conflitos entre protestantes e católicos e ataques do grupo terrorista católico IRA (Exército Republicano Irlandês)-, que pertence ao Reino Unido.

"É a terra do U2, mais agitada que a Austrália", defende Mariuccia Ancona Lopez, da Pressto Educação Internacional, especializada em cursos na Irlanda.

Após os atentados, as pessoas tenderão a descobrir outras opções. "Antes, os pedidos de informação eram só para os EUA", afirma Liliane Lima, da Agência Entre Amigos, do Rio, também com foco na Irlanda.

E, se o preço da passagem era a desculpa para não escolher um país distante, o pretexto não vale para a Irlanda. A tarifa negociada pelas operadoras é de cerca de US$ 700, até mais barata do que para alguns destinos nos EUA.

Já para a Austrália, não há vôos diretos do Brasil. As frequências foram aumentadas de dois para três vôos semanais, mas os aviões saem de Buenos Aires. E, mesmo com tarifa de estudante, o preço da passagem varia de US$ 900 a US$ 1.600. Por isso, é melhor ficar mais de seis meses nesse país para compensar o gasto com o bilhete.

Tanto na Irlanda quanto na Austrália, os estudantes têm permissão para trabalhar até 20 horas por semana. Na Nova Zelândia, só trabalha quem estudar no país por dois anos, e por no máximo 15 horas semanais.

"Os países no Pacífico são mais amigáveis, receptivos e sem preconceito contra latinos", diz Renato de Mendonça, diretor da Study & Adventure, que envia 70% de seus estudantes para Nova Zelândia e Austrália.

A procura pela Austrália nos últimos anos foi grande. De julho de 2000 a junho de 2001, a Austrália emitiu 1.741 vistos de estudante, um crescimento de 54% em relação ao mesmo período do ano anterior.

E, segundo a Embaixada da Austrália, a seção de vistos expandiu para reduzir o prazo de entrega de vistos aos estudantes para, em média, duas semanas.

Na América do Norte, o Canadá, país para o qual os aviões foram desviados logo após os atentados, é citado como local para cursos, mas algumas operadoras temem que a proximidade com os EUA possa afastar interessados.

Poucos cancelamentos

As operadoras se dizem surpresas com o pequeno número de cancelamentos que se seguiram ao ato terrorista. "A necessidade de aprender inglês não mudou", explica Alfredo Spínola, presidente da Belta -associação das operadoras de intercâmbio, que engloba 34 representantes do setor no Brasil.

Nos primeiros dias, as consultas caíram entre 20% e 40%. Mesmo assim, Celso Garcia, diretor da Central de Intercâmbio (CI), acredita que os EUA continuarão a ser o principal mercado para cursos de línguas, posição compartilhada por outras operadoras.

O que tem acontecido é que as pessoas estão adiando a viagem até a poeira baixar, mas o sonho de aprender inglês não ruiu.

No STB, que leva 12 mil brasileiros para fazer curso de línguas no exterior, dos quais um terço é para os EUA, houve 20 cancelamentos de cursos.

Segundo a diretora de marketing do STB, Christina Bicalho, que estima uma queda de 50% na venda de cursos de intercâmbio para os EUA, ainda há alunos que têm "o sonho de ir para os EUA" e não querem ir para outro lugar "de jeito nenhum".

"High school"

A troca do "high school" (que corresponde ao ensino médio no Brasil) nos EUA pelo de outro país de língua inglesa pode ser mais complicada do que no caso de cursos, porque a conta fica mais salgada.

A opção pelos EUA ainda é a mais barata. O aluno do ensino médio frequenta escola pública, e os pais pagam cerca de US$ 4.500 para que o filho estude no país. O preço pode dobrar se a escolha recair sobre a Inglaterra, porque lá não há subsídio do governo.

A Austrália também tem "high school" em escolas públicas, mas o estrangeiro tem de pagar mais . Segundo Mendonça, da Study & Adventure, há 12 vagas por semestre a um preço semelhante ao do "high school" norte-americano.

Já Patricia Zocchio, do Experimento, afirma que é um erro conceitual pensar que na Austrália o "high school" é muito mais caro.

A diferença, de cerca de R$ 700, segundo a diretora-geral da operadora, é compensada.

Nos EUA, o aluno chega em meados de janeiro e volta para o Brasil no final de maio, início de junho. Quem vai para a Austrália no começo de janeiro, fica 24 semanas, explica Patricia.

O Experimento envia cerca de 250 alunos para os EUA e cem para a Austrália. A tendência agora é que esse número cresça.

Veja sites e telefones de agências de intercâmbio
  • Agência Entre Amigos: www.agenciaentreamigos.com.br, tel. 0/xx/21/2524-7871
  • CI: www.cintercambio.com.br, tel. 0/xx/11/3677-3600
  • Experimento: www.experimento.org.br, tel. 0/ xx/11/3168-7122
  • Intercâmbio Global: www.pressto.com.br, tel. 0/xx/11/256-8288
  • SIS: www.sis-intercambio.com.br, tel. 0/xx/11/3062-6333
  • STB: www.stb.com.br, tel. 0/xx/11/3038-1555
  • Study & Adventure: www.sa.com.br, tel. 0/xx/11/3849-6156

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