12/11/2001
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16h07
da Revista da Folha
Atentados, bioterrorismo, oscilação do dólar, falência de uma das maiores agências de turismo do Brasil e preços nas alturas. Às vésperas de definir o roteiro de viagem e preparar as malas, o cenário de incerteza dá um nó na cabeça do turista. Afinal, para onde ir nas férias?
Sonho de consumo da classe média, os EUA saíram temporariamente do topo da lista de destinos estrangeiros, e os pacotes para lá despencaram 60%. Paris, outro objeto de desejo no Réveillon, também acumula queda de 40%, índice médio registrado nos destinos internacionais mais comuns.
Segundo as operadoras, os brasileiros estão trocando o espetáculo da "Cidade Luz" e a festa da Times Square por uma praia no Nordeste, caminhadas, mergulhos e esportes radicais em destinos ecológicos e pelas mordomias oferecidas pelos resorts.
A mudança de rumo, principalmente do turista mais endinheirado, trouxe consequências nos preços, e o final do ano será mais salgado do que nunca.
Um pacote de Réveillon no Marriott Resort, na Costa do Sauípe, custa R$ 5.480 por pessoa, com passagem aérea e sete noites em regime de meia-pensão. No Transamérica de Comandatuba, também na Bahia, uma semana em bangalô de luxo com capacidade para duas pessoas, parte aérea e pensão completa inclusas, sai por R$ 7.120 por pessoa. Caro? É, mas está tudo vendido.
A Braztoa, entidade que congrega as operadoras de turismo, não revela nomes, mas afirma que há resorts brasileiros cobrando 40% a mais do que na temporada passada.
Thomas Humpert, presidente da Sauípe S/A, diz que não é o caso do maior resort brasileiro. Na Costa do Sauípe, segundo ele, as tarifas subiram de 10% a 25% em relação a julho. "Apenas um hotel estava em operação na temporada de 2000, portanto não dá para comparar. Se isso (os 40%) fosse verdade, não haveria essa procura", acredita.
Todos os 1.598 apartamentos dos cinco hotéis e seis pousadas de Sauípe estão ocupados para o Réveillon -85% dos hóspedes são brasileiros (maioria do Estado de São Paulo) e 15%, estrangeiros (sul-americanos e europeus). Quem tiver sorte (muita) pode conseguir alguma vaga remanescente do espólio da Soletur, de clientes que ainda estão tentando negociar suas reservas.
Mesmo fora da esfera dos resorts, o panorama não melhora muito. Antigo reduto hippie, Itacaré, no litoral sul da Bahia, começou a se tornar "point" de modernos e descolados há cerca dois anos. No ano passado, era possível passar o Ano Novo por R$ 1.500. Este ano não sai por menos de R$ 3.000.
Em destinos normalmente mais baratos, como Florianópolis, a hospedagem chegou a subir entre 40% e 50% -contra uma inflação de 10,86%, pela Fipe, ou 19,79%, pelo IGP-M (FGV).
Os preços abusivos não devem assustar somente no Réveillon -as tarifas previstas para janeiro continuam altas, e alguns operadores acreditam que podem seguir assim até março, fim da alta temporada.
"Será que esses empresários se esqueceram de 2000, quando fizeram a mesma coisa e ficaram vazios?", pergunta o presidente da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens), Goiaci Alves Guimarães, 56. "O segredo é fugir daqueles que querem explorar o turista e não o turismo."
Diante dos preços inflacionados do litoral, alguns destinos internacionais próximos -e livres da ameaça terrorista- acabam parecendo mais compensadores, mesmo em dólar. O pacote de uma semana na Costa Rica, América Central, com direito a café da manhã e jipe com quilometragem livre, sai por cerca de R$ 3.000 (veja roteiros na pág.15). O Réveillon em Cuba, também uma semana, custa pouco mais de R$ 3.900 por pessoa, na cotação de quinta-feira.
Em Punta Del Este, balneário badalado do Uruguai, cinco noites no fim do ano valem menos do que no litoral norte de São Paulo: R$ 1.975 por pessoa.
É claro que a vantagem atual não é garantida, já que a tarifa é calculada em dólar e sujeita a flutuação, mesmo com a previsão dos bancos de que a moeda deve chegar ao Natal cotada a R$ 2,50.
Para aumentar o estresse pré-férias, a quebra da Soletur prejudicou milhares de pessoas e deixou o consumidor ressabiado. O que fazer para evitar esse risco? "Peça que todas as condições combinadas sejam devidamente registradas no contrato", explica Maria Cecília Rodrigues, técnica de serviços do Procon. "E fique atento às cláusulas restritivas, principalmente em relação à devolução de dinheiro", diz.
O Procon dispõe de um cadastro de reclamações fundamentadas que pode ser de grande ajuda na hora de escolher sua agência de viagem. O instituto recomenda também o boca-a-boca. "Fale com um amigo, procure informações com quem tenha viajado com a agência escolhida. Tire todas as dúvidas antes de assinar o contrato", sugere.
Para ajudar o leitor a sair da sinuca, a Revista selecionou opções com praias, roteiros ecológicos e internacionais, cursos de férias, resorts e cruzeiros. Prepare suas malas e boa viagem.
Leia também:
Viagens ao litoral norte de São Paulo estão mais caras do que antes
Queda no turismo internacional aumenta procura por cruzeiros
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Viagens de verão sairão mais caras do que o planejado
ROBERTO DE OLIVEIRAda Revista da Folha
Atentados, bioterrorismo, oscilação do dólar, falência de uma das maiores agências de turismo do Brasil e preços nas alturas. Às vésperas de definir o roteiro de viagem e preparar as malas, o cenário de incerteza dá um nó na cabeça do turista. Afinal, para onde ir nas férias?
Sonho de consumo da classe média, os EUA saíram temporariamente do topo da lista de destinos estrangeiros, e os pacotes para lá despencaram 60%. Paris, outro objeto de desejo no Réveillon, também acumula queda de 40%, índice médio registrado nos destinos internacionais mais comuns.
Segundo as operadoras, os brasileiros estão trocando o espetáculo da "Cidade Luz" e a festa da Times Square por uma praia no Nordeste, caminhadas, mergulhos e esportes radicais em destinos ecológicos e pelas mordomias oferecidas pelos resorts.
A mudança de rumo, principalmente do turista mais endinheirado, trouxe consequências nos preços, e o final do ano será mais salgado do que nunca.
Um pacote de Réveillon no Marriott Resort, na Costa do Sauípe, custa R$ 5.480 por pessoa, com passagem aérea e sete noites em regime de meia-pensão. No Transamérica de Comandatuba, também na Bahia, uma semana em bangalô de luxo com capacidade para duas pessoas, parte aérea e pensão completa inclusas, sai por R$ 7.120 por pessoa. Caro? É, mas está tudo vendido.
A Braztoa, entidade que congrega as operadoras de turismo, não revela nomes, mas afirma que há resorts brasileiros cobrando 40% a mais do que na temporada passada.
Thomas Humpert, presidente da Sauípe S/A, diz que não é o caso do maior resort brasileiro. Na Costa do Sauípe, segundo ele, as tarifas subiram de 10% a 25% em relação a julho. "Apenas um hotel estava em operação na temporada de 2000, portanto não dá para comparar. Se isso (os 40%) fosse verdade, não haveria essa procura", acredita.
Todos os 1.598 apartamentos dos cinco hotéis e seis pousadas de Sauípe estão ocupados para o Réveillon -85% dos hóspedes são brasileiros (maioria do Estado de São Paulo) e 15%, estrangeiros (sul-americanos e europeus). Quem tiver sorte (muita) pode conseguir alguma vaga remanescente do espólio da Soletur, de clientes que ainda estão tentando negociar suas reservas.
Mesmo fora da esfera dos resorts, o panorama não melhora muito. Antigo reduto hippie, Itacaré, no litoral sul da Bahia, começou a se tornar "point" de modernos e descolados há cerca dois anos. No ano passado, era possível passar o Ano Novo por R$ 1.500. Este ano não sai por menos de R$ 3.000.
Em destinos normalmente mais baratos, como Florianópolis, a hospedagem chegou a subir entre 40% e 50% -contra uma inflação de 10,86%, pela Fipe, ou 19,79%, pelo IGP-M (FGV).
Os preços abusivos não devem assustar somente no Réveillon -as tarifas previstas para janeiro continuam altas, e alguns operadores acreditam que podem seguir assim até março, fim da alta temporada.
"Será que esses empresários se esqueceram de 2000, quando fizeram a mesma coisa e ficaram vazios?", pergunta o presidente da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens), Goiaci Alves Guimarães, 56. "O segredo é fugir daqueles que querem explorar o turista e não o turismo."
Diante dos preços inflacionados do litoral, alguns destinos internacionais próximos -e livres da ameaça terrorista- acabam parecendo mais compensadores, mesmo em dólar. O pacote de uma semana na Costa Rica, América Central, com direito a café da manhã e jipe com quilometragem livre, sai por cerca de R$ 3.000 (veja roteiros na pág.15). O Réveillon em Cuba, também uma semana, custa pouco mais de R$ 3.900 por pessoa, na cotação de quinta-feira.
Em Punta Del Este, balneário badalado do Uruguai, cinco noites no fim do ano valem menos do que no litoral norte de São Paulo: R$ 1.975 por pessoa.
É claro que a vantagem atual não é garantida, já que a tarifa é calculada em dólar e sujeita a flutuação, mesmo com a previsão dos bancos de que a moeda deve chegar ao Natal cotada a R$ 2,50.
Para aumentar o estresse pré-férias, a quebra da Soletur prejudicou milhares de pessoas e deixou o consumidor ressabiado. O que fazer para evitar esse risco? "Peça que todas as condições combinadas sejam devidamente registradas no contrato", explica Maria Cecília Rodrigues, técnica de serviços do Procon. "E fique atento às cláusulas restritivas, principalmente em relação à devolução de dinheiro", diz.
O Procon dispõe de um cadastro de reclamações fundamentadas que pode ser de grande ajuda na hora de escolher sua agência de viagem. O instituto recomenda também o boca-a-boca. "Fale com um amigo, procure informações com quem tenha viajado com a agência escolhida. Tire todas as dúvidas antes de assinar o contrato", sugere.
Para ajudar o leitor a sair da sinuca, a Revista selecionou opções com praias, roteiros ecológicos e internacionais, cursos de férias, resorts e cruzeiros. Prepare suas malas e boa viagem.
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