Turismo
09/11/2000 - 19h59
Casal doa acervo de artistas perseguidos para fazer museu em Israel

da Deutsche Welle

A cidade israelense de Raanana, nas proximidades de Telaviv, vai abrigar o primeiro museu do mundo dedicado à "arte perseguida". O acervo será doado pelo casal Kenda e Jacob Bar Gera, que colecionou nos últimos 30 anos centenas de obras de artistas proibidos na União Soviética, bem como arte considerada "degenerada" pelos nazistas, na Alemanha, e trabalhos da Espanha franquista.

A prefeitura de Raanana, cidade de 100 mil habitantes, já doou o terreno e comprometeu-se a bancar um quarto dos custos de construção, orçados em quase 11 milhões de dólares. O restante será levantado junto a patrocinadores, na Alemanha e nos Estados Unidos.

Ao museu será anexado um centro de documentação e pesquisa da perseguição à arte, igualmente o primeiro do mundo. O casal Bar Gera espera que o museu comece a funcionar em 2003.

A coleção particular do casal, que emigrou de Israel para Colônia em 1963, foi mostrada a partir de 1996, numa exposição itinerante, em dez museus europeus. Ela chamou a atenção do público especialmente ao ser mostrada em São Petersburgo.

Os desenhos, pinturas e gravuras de artistas russos não-conformistas, hoje de renome internacional, como Ilya Kabakov, Vladimir Nemuchin e Eduard Shteinberg, vieram parar no Ocidente, a partir de meados dos anos 60, geralmente escondidos na bagagem de diplomatas, comerciantes e estudantes.

Faz parte da coleção, ainda, um grande número de trabalhos de construtivistas russos, de pintores abstratos alemães, como Walter Dexel e Otto Nebel, de artistas ligados ao Bauhaus, bem como pinturas do poeta espanhol Federico García Lorca.

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