Turismo
28/11/2000 - 19h08
Livro conta viagem de volta ao mundo dos aventureiros Schürmann

ADRIANA RESENDE
da Folha Online

Para relatar as aventuras da viagem de volta ao mundo a bordo do veleiro Aysso, Heloisa Schürmann, a matriarca da família Schürmann, escreveu o diário de viagem durante dois anos e meio. De volta ao Brasil, em abril deste ano, ela reescreveu as experiências vividas durante a reedição da rota de Fernão de Magalhães - primeiro navegador a dar a volta ao mundo e a chegar às Índias pelo oceano Pacífico, em 1520.

Nesta semana, a família se reúne em São Paulo para o lançamento de "Família Schürmann: um mundo de sonhos" (editora Record, 340 páginas, R$ 30). A noite de autógrafos acontece na quinta-feira (30/11), na loja da livraria Saraiva no MorumbiShopping, em São Paulo, a partir das 19h.

A viagem começou em novembro de 1997 e só terminou quando Heloisa, o marido Vilfredo e os filhos Pierre, David, Wilhelm e a pequena Kat chegaram a Porto Seguro (BA), em 22 de abril deste ano, acompanhados dos tripulantes.

Em entrevista coletiva, a família Schürmann contou como foi a aventura: os momentos mais emocionantes, o medo da tempestade, a convivência com outros povos. Toda a experiência foi transmitida ao vivo, pela Internet, por meio do site da família.

Os outros povos

A convivência com pessoas que falavam outras línguas e viviam de acordo com outras culturas é uma das lembranças mais emocionantes, responderam unanimemente Heloisa, David e Vilfredo, durante a entrevista. Sentiam-se gratificados por terem sido bem recebidos e até se orgulham de terem feito amigos por onde passaram, seja nesta viagem, seja na primeira, que durou dez anos (1984-94).

Heloisa e David se lembraram de um amigo, Ângelo, de 16 anos, que morava na Polinésia Francesa. Ele se afeiçoou tanto aos meninos, que ainda eram adolescentes na época. Ele se escondeu dentro do motor do veleiro quando viu que os amigos iam partir.



O amor pelo mar

Hoje, todos se dizem tão fascinados pelo mar que já não conseguem viver longe dele. Os pais e Kat vivem em Ilhabela (litoral norte de São Paulo), onde a garota está estudando.

"Se for pra viver em terra, tem que ser perto do mar", disse David, que hoje trabalha como publicitário na Nova Zelândia. Segundo ele, o mar dá independência, pois é preciso saber lidar com as mais inesperadas situações.

Recursos

Para fazer as viagens, a família teve de se preparar durante algum tempo. Na primeira expedição, em 1984, ofereciam passeios aos amigos e a turistas por onde passavam. Cobravam cerca de US$ 150 por pessoa.

Esse novo projeto só aconteceu, segundo eles, a patrocínio, pois seria muito caro transmitir tudo pela Internet. Só para digitalizar uma foto, por exemplo, gastavam US$ 100.

Histórias inusitadas

Situações inesperadas, aliás, não faltaram. Eles contam que viviam com medo de que o barco fosse saqueado por piratas, que podiam roubar as provisões. Levavam arroz, feijão, macarrão, enfim, "comida normal", e alguns tipos de enlatados - "tipo comida de astronauta" - que deveriam, inicialmente, durar seis meses. Das comidas esquisitas, apenas Vilfredo gostava, mas eram utilizadas quando havia tempestade e cozinhar ficava difícil.

As tempestades dificultavam a navegação, principalmente durante o dia, já que à noite, podiam contar com bons faróis. Mas o mais complicado eram os relacionamentos. "O espaço era pequeno demais, e nós não concordávamos em tudo. Por isso, a gente tinha que contornar as diferenças, pôr as cartas na mesa e superar as dificuldades", diz a mamãe Schürmann.

E o filho completa: "No mar, não dá pra discutir muito. Se a gente perde tempo com isso, logo pode vir a tempestade, meia hora depois, e pronto, destrói tudo".


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