Turismo
31/05/2007 - 10h11

China: Luta de calculadoras marca compras nas lojas da cidade

MARIANA BARROS
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Xangai

Fazer compras em Xangai é, não raro, uma aventura. Primeiro, porque a maioria dos vendedores não fala inglês, o que torna mais complicado obter informações; segundo, porque é costume entre os chineses não aceitar logo de cara o preço proposto para um produto: é preciso pechinchar.

A pergunta "How much?" ou uma olhada mais atenciosa para algum objeto são as senhas para deflagrar todo o processo. Cria-se então um ritual quase teatral e que se repete tantas vezes quantas forem necessárias, até que alguém ceda.

De um lado, o vendedor, com uma calculadora na mão, digita o preço que acha que deve ser pago pelo produto, normalmente bem superior ao seu valor de fato. De outro, o possível comprador pega a calculadora e faz a sua contraproposta, que, provavelmente, será negada.

Inicia-se então uma nova rodada de ofertas e contra-ofertas e, assim, sucessivamente, conforme cada lado saca a calculadora para fazer sua proposta.

Quando os ânimos se acirram, até tapas entram na rodada. Vendedoras exaltadas batem nos braços dos clientes tentando convencê-los. Clientes impacientes que resolvem ir embora são perseguidos pelos vendedores, que os cutucam com suas calculadoras para tentar chegar a um acordo.

Blefar uma desistência ajuda a baixar o preço do produto, e a insistência do cliente nesse braço-de-ferro costuma compensar. Depois de muitas teclas digitadas --e de um ou outro tapa--, um blazer de seda de 680 yuans (R$ 170) pode chegar a 180 yuans (R$ 45).

Interessados em seda devem visitar o Museu da Seda, em que atendentes explicam como são extraídos os fios, e o Fabric Market, onde é possível encomendar peças sob medida.

Quem estiver em busca de eletrônicos deve ter cuidado. Embora existam inúmeros shoppings dedicados a computadores, TVs de plasma e tocadores de MP3, muitas lojas não emitem nota fiscal e deixam os consumidores à mercê do risco de levar um produto que não funciona. Mercadorias falsificadas também são encontradas às pencas. Para grifes famosas, uma opção é o Super Brand Mall, em Pudong, conhecido como o maior shopping da Ásia.

Mariana Barros viajou a convite da Hewlett-Packard

 

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