Destinos Clássicos: Em Oxford, Harry Potter ofusca "pai" dos violinos
RICARDO FELTRIN
Editor-chefe da Folha Online, em Oxford
A cerca de uma hora e meia de Londres de ônibus, transcorrida em uma paisagem 50% urbana e 50% verdejante, em estrada de excelente qualidade, chega-se à simpática Oxford.
Esta cidade de cerca de 135 mil habitantes foi um dos berços da realeza no passado e ainda hoje o é da cultura: está lá uma das cinco melhores universidades do mundo (os nada modestos britânicos dizem que é a nº 1).
Se sempre foi famosa pela produção de intelectuais, nos últimos anos Oxford também atrai um enxame de adolescentes: em uma de suas escolas, o Christchurch College, foi rodada parte da série de cinema Harry Potter.
| Divulgação |
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| Royal Opera London, na Inglaterra; cidades britânicas combinam história da música a oferta de concertos |
Também é em seu cemitério que está enterrado o verdadeiro "Senhor dos Anéis", o escritor John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973).
Enquando a multidão juvenil percorre a cidade atrás de qualquer sinal do bruxinho, os amantes da música desembarcam em Oxford atrás da jóia da coroa dos violinos, do pai de todos os instrumentos de cordas: o lendário Messias, o mais belo, mais bem conservado e, se fosse possível calcular algum preço, o mais valioso violino do mundo, fabricado por Antonio Stradivarius (1644-1737).
Apesar de tantas prerrogativas, o "pobre" Messias ficou até 2004 exposto em uma sala mal iluminada do Ashmolean Museum, fundado em 1683. O local tem um amplo espaço dedicado à música, a Sala Hill (que passou por uma reforma recente).
Foi em 1716 o último retoque de verniz que o sr. Stradivarius deu ao Messias, cujo tampo anterior lembra um tigrinho. Foi pouquíssimo tocado desde então. Os poucos felizardos que o ouviram garantem que seu som e timbre inebriam e levam a um estado de quase torpor. Hoje há controvérsias. Muitos acham que, por não ter sido tocado por séculos, ele está inutilizado.
Outros garantem que sua divindade está lá, tão imaculada quanto sua madeira perfeita. O Messias está hospedado em uma caixa de vidro simples, climatizada, no segundo andar. A seu lado, outra raridade: um violino Amati de 1564, encomenda de Carlos 9º, da França, o mais antigo violino do mundo de que se tem notícia.
ASHMOLEAN MUSEUM
Beaumont Str, Oxford, UK; OX1 2PH
http://www.ashmolean.org
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