Turismo
30/11/2007 - 08h43

Renovada, capital alemã atrai interessados em cultura

LETÍCIA FONSECA-SOURANDER
Colaboração para a Folha de S.Paulo, em Berlim

Cosmopolita, Berlim é um convite permanente aos amantes de novas tendências e de cultura. Capítulo da história da Europa a céu aberto, a cidade ainda está em plena metamorfose. Desde a queda do Muro de Berlim, símbolo da Guerra Fria, a capital alemã vive em constante reconstrução.

Ainda assim, por toda parte é possível encontrar lembranças de quando Berlim era dividida. "Ich bin ein Berliner", a célebre frase de John F. Kennedy retratava o sonho de ser livre.

Hoje, liberdade é um estilo de vida para os berlinenses. Visitar a cidade é mergulhar nesse estado de espírito. Nesta época do ano, há um motivo a mais para quem visita Berlim: a magia dos "Weihnachtsmarkt" (mercados de Natal).

Com uma programação especial, nada menos que 50 mercados de Natal estão espalhados pela cidade. E, na comemoração do Ano Novo, concertos e shows de fogos de artifício no portão de Brandenburgo, o cartão-postal de Berlim.

Durante quase 30 anos, as portas de Brandenburgo ficaram bloqueadas para o tráfego de pedestres e automóveis. Esse monumento neoclássico passou a ficar em Ost Berlin, o lado oriental da cidade ocupada pelos soviéticos, depois da construção do Muro de Berlim.

Até a reunificação do país, em 1990, o espaço que o rodeava era território neutro, uma área conhecida como "terra de ninguém". Atualmente, é possível ver no chão da rua a marca deixada pelo Muro de Berlim e visitar a sala do Silêncio, administrada pelas Nações Unidas, para que os visitantes reflitam sobre a paz.

O que restou do "Die Mauer", nome do muro em alemão, pode ser visto em três pontos da cidade. Um deles é a East Side Gallery, a galeria de pintura mais longa do mundo. São 1.300 metros de ilustrações feitas por 106 artistas em 1990.

Perto da Potsdamer Platz também é possível ver alguns pedaços do muro grafitado. Um memorial e o Centro de Documentação do Muro retratam a vida cinzenta do ex-lado socialista de Berlim. Lá, os 300 metros do Muro estão intactos.

Assim como fênix que renasceu das cinzas, Berlim, que teve 50% dos prédios destruídos na Segunda Guerra Mundial, foi refeita, preservando os elementos originais.

Conseguiu se transformar numa cidade descolada, com excelentes museus, monumentos restaurados e vida noturna agitada. "Berlim é como Nova York nos anos 80", escreveu recentemente o jornal "The New York Times.

O contraste dos estilos arquitetônicos é um dos pontos altos da capital alemã. Há 50 anos, grandes nomes da arquitetura modernista da época, como Le Corbusier, Oscar Niemeyer, Alvar Aalto, Walter Gropius e Arne Jacobsen assinaram projetos em Berlim Ocidental.

A vanguarda do período pós-Muro de Berlim também deixou sua marca: Norman Foster, Rem Koolhaas, Renzo Piano, Frank Gehry, Jean Nouvel e Richard Rogers. A tendência continua, sem retocar as cicatrizes da cidade. O rosto virado para o futuro faz de Berlim um lugar único e imperdível.

 

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