Rota percorre os vinhedos mais ilustres do mundo
FÁBIO MARRA
da Folha de S.Paulo, em Aquitânia
Bordeaux concentra algumas das mais tradicionais vinícolas do mundo, que têm a tradição de extrair a melhor bebida das uvas cultivadas nesse solo. Com uma produção de quase 800 milhões de garrafas por ano, é considerada a capital mundial do vinho.
"Além do know-how adquirido em centenas de anos de experiência na arte da produção de vinhos, fazemos os melhores vinhos porque possuímos um 'terroir' inigualável", diz Jean Charles Caze, proprietário do Chateau Lynch-Bages, se referindo à excepcional combinação de solo e clima, propícia para o cultivo das melhores uvas merlot, cabernet sauvignon e cabernet franc.
Paisagem
Organizados e bem cuidados, os campos de plantações de videiras surgem aos olhos logo que se abandona o centro da cidade de Bordeaux. Algumas agências de turismo oferecem passeios pelos castelos produtores de vinhos, mas a melhor opção é alugar um carro e percorrer a região.
As estradas, bem sinalizadas, passam por plantações a perder de vista, levam aos castelos dos grandes produtores e evocam a história milenar da região, que já produzia vinhos na época do Império Romano.
Entre águas
Médoc é a região que concentra alguns dos mais conceituados e prestigiados produtores, como o Lafite-Rothschild, Mouton-Rothschild, Latour e Margaux. A península triangular, banhada de um lado pelo oceano Atlântico e do outro pelo rio Gironde, recebeu esse nome justamente por estar entre as águas, na tradução do latim.
Saindo de Bordeaux, a estrada D2, conhecida também como a rota dos castelos de Bordeaux, é a principal via turística que atravessa a península. Rodeando grande parte das plantações de uva, roseiras dão um ar romântico à rota. Entretanto, elas não são plantadas para arrancar suspiros de forasteiros ou moradores locais.
Na verdade, o motivo da plantação das roseiras é cruel. Elas servem como escudo e cobaias de doenças e fungos que podem atingir as parreiras. Por serem mais frágeis e delicadas, as rosas manifestam qualquer contaminação ou doença antes das parreiras, alertando os especialistas para a necessidade de um contra-ataque antes da disseminação na plantação.
Na rota D2 o turista vai percorrer 40 quilômetros, passar por 18 castelos, locais de moradia e de produção dos melhores vinhos do mundo, além de conhecer as regiões vinícolas de Haut Médoc, Margaux, Moulis, Listrac, Saint Julien, Pauilliac, Saint Estéphe e Médoc.
A maioria dos châteaux permite visitação, e o turista é recebido por um alto funcionário ou até mesmo pelo proprietário, que mostrará como a fruta é processada a partir da colheita e como é produzido o vinho.
Algumas casas oferecem refeições em elegantes bistrôs. Outros produtores abrem as portas de seus castelos para acomodar turistas que queiram ficar um pouco mais na região.
Cursos rápidos de degustação podem ser feitos ali mesmo, nas adegas dos castelos, com a vantagem da convivência com especialistas e a possibilidade de saborear vinhos com a qualidade de Bordeaux, mas pagando o preço de vinho da casa.
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Fábio Marra, editor de Arte, viajou a convite da Maison de la France e da TAM
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