Turismo
25/01/2008 - 10h21

Trajetória do Mercadão se confunde com a história recente de São Paulo

WANDERLEY PREITE
Colaboração para a Folha Online

Os 75 anos do Mercado Municipal Paulistano, o Mercadão, não poderiam ser comemorados em melhor data: no aniversário de São Paulo. São quase oito décadas que se confundem com a história recente da maior cidade do país.

Veja o especial dos 75 anos do Mercadão

Mas foi por pouco que as festividades não aconteceram em datas diferentes. O prédio, inaugurado em 25 de janeiro de 1933, já estava pronto em 1932, mas antes de receber os primeiro clientes, eclodiu a Revolução Constitucionalista.

Arte/Folha Online
Mapa do Mercado Municipal Paulistano
Mapa do Mercado Municipal Paulistano

O local foi tomado pelos revolucionários, que fizeram de suas dependências um depósito de armas e munição.

Com o fim do conflito, o Mercadão pôde finalmente ser inaugurado, e a data escolhida foi o aniversário da cidade. Naquela época, São Paulo contava cerca de 1 milhão de habitantes e já despontava como um dos municípios mais importantes do país.

É por essa razão que o Mercado Central, como também é conhecido, é o maior do Brasil. "Não existe nada que se compare a ele em todo o pais", afirma o historiador Adilson José Gonçalves, do Centro de Estudos da América Latina.

Arquitetura

A construção, que demorou 4 anos para ficar pronta, foi um dos últimos grandes edifícios erguidos com a intenção de consolidar São Paulo como a metrópole do café. "Ele precisava ser referência para fora da cidade", diz o historiador.

O novo edifício deveria substituir o mercado velho, que ficava na rua 25 de Março. Para a empreitada, foram contratados os arquitetos que tiraram dos alicerces o Palácio das Indústrias, o Teatro Municipal, os Correios e o Colégio Sion.

São 12.600 metros quadrados em estilo eclético, como mandava a moda na Itália, Alemanha e França. "O prédio é inspirado nos mercados, catedrais e ferroviárias européias. A abóbada na entrada principal é típica", explica Gonçalves. Suas colunas são em estilo grego, dórico e jônico. Já os 72 vitrais alemães, em estilo gótico, ilustram a produção agrícola e pecuária do interior paulista, especialmente a colheita do café.

Implosão

Carolina Farias/Folha Online
Construção foi um dos últimos grandes edifícios erguidos com a intenção de consolidar São Paulo como a metrópole do café
Construção foi um dos últimos grandes edifícios erguidos com a intenção de consolidar São Paulo como a metrópole do café

Mas esse monumento à cidade esteve à beira da implosão em 1973. Além de estar fora dos padrões de higiene e segurança, o Mercadão enfrentava a concorrência do Centro de Abastecimento de São Paulo (Ceasa), criado na década de 60 no bairro do Jaguaré, zona oeste da cidade.

A demolição só não aconteceu porque os comerciantes conseguiram inscrevê-lo no Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Geográfico e Artístico de São Paulo (Condephat) e levantaram verba para a restauração do prédio.

De lá para cá, o Mercadão ganhou poucos reparos. Somente em 2004 uma grande reforma foi realizada. Na ocasião, foi preservado o projeto original --assinado por Francisco de Paulo Ramos de Azevedo-- e construído um mezanino de 2 mil metros quadrados que abriga oito restaurantes e praça de alimentação.

"O mezanino tem um estilo moderno", explica José Roberto Graziano, o responsável pelo abastecimento do Mercadão. "A idéia foi contrastar com a edificação original para preservar sua identidade".

Quem aprovou a reforma foi Sérgio Gonçalves Pacheco, de 80 anos, dono da Banca do Pacheco. "Ficou tão bom que já estou passando o ponto para minhas filhas", diz. "Eu assumi em 1970, mas meu pai, Clemente Pacheco, tinha a banca desde 1912 no mercado da 25 de março." Ele foi um dos que se mudaram para o prédio atual em 1933.

No aniversário de seus 75 anos, o Mercadão comemora mais do que seu passado. Ele festeja a média de 14 mil pessoas que o visitam todos os dias. Por seus 291 boxes, se espalham 1600 funcionários, que movimentam mais de 400 toneladas de alimentos diariamente. Vivo e modernizado, o Mercado Municipal ainda ajuda a escrever a história de São Paulo.

 

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