Turismo
13/03/2008 - 09h37

McLeod Ganj, na cidade de Dharamsala, abriga dalai-lama, parlamento e ministérios

LUÍS FERRARI
da Folha de S.Paulo, na Índia

Se na fronteira com o Paquistão a relação dos indianos com os vizinhos é visivelmente tensa, a menos de três horas de carro de lá, rumo a leste, os estrangeiros têm um verdadeiro oásis de tranqüilidade, no Estado de Himachal Pradesh, onde os tibetanos têm "seu país".

Luis Ferrari/Folha Imagem
Fachada de templo de McLeodGanj, distrito de Dharamsala,onde proliferam monastérios budistas
Fachada de templo de McLeodGanj, recanto de tranqülidade que abriga monges budistas

O distrito de McLeod Ganj, na cidade de Dharamsala, é onde vive o Dalai Lama.

A principal autoridade budista do mundo se instalou lá depois de não conseguir um termo de convivência com os chineses, que anexaram o Tibete no corolário da implantação do comunismo, nos anos 50.

Milhões de refugiados acompanharam o líder espiritual. E o governo indiano ofereceu a eles um local com características similares às de sua terra natal, ao pé do Himalaia.

Além de visitar monastérios e conhecer uma cultura à parte (que, hoje, com os programas de migrações de chineses de outras partes para o Tibete, já é minoritária em seu país de origem), um dos atrativos é ver como funciona, na prática, um governo no exílio.

Os tibetanos têm parlamento e ministérios, com eleições e tudo. As leis e outras determinações que eles elaboram em McLeod Ganj são observadas pelos refugiados do país ao redor do mundo.

Caminhada

Mas, política à parte, o passeio mais interessante tem cunho espiritual. É a caminhada de cerca de 3 km em torno da residência do Dalai Lama.

Monges e turistas dividem a estreita trilha caminhando sempre no sentido horário. Pelo caminho eles passam por alguns pontos em que os budistas realizam suas orações.

No fim do trajeto, vale conhecer o complexo da residência aberto ao público, o Tsuglagkang (capela central).

É pouco grandioso, considerando que é o principal templo. Mas a riqueza de detalhes das pinturas e das imagens budistas compensam. O mais interessante, porém, é -mesmo sem entender as palavras- acompanhar os debates entre os monges e suas récitas.

Hoje, o Dalai Lama quase não recebe visitantes. Mas, com sorte ou agendamento com longa antecedência, o turista consegue participar de uma das audiências públicas do líder espiritual.

 

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