Linhas de metrô são as veias pulsantes de capital inglesa
PEDRO CARILHO
Colaboração para a Folha de S.Paulo, de Londres
Num lugar caro e de difícil orientação, é inevitável passar uma boa parte da estadia debaixo da terra. Enquanto os "black cabs" --os charmosos táxis pretos londrinos-- e os ônibus de dois andares, os "double deckers", roubam a cena no asfalto e fazem tanto parte do cenário quanto o Big Ben e a rainha, o que de fato move a pulsante Londres é o metrô, chamado de "underground" ou de "tube".
| Pedro Carrilho/Folha Imagem |
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| Transporte: Passageiros aguardam trem na estação Tottenham CourtRoad, em Londres |
Os túneis cilíndricos que dão o apelido ao metrô formam o sistema de transporte subterrâneo mais antigo do mundo, inaugurado em 1863, quando funcionava a vapor. Um século e meio depois, 3 milhões de usuários dependem diariamente das 275 estações e dos mais de 400 quilômetros de trilhos.
O sistema apresenta alguns problemas: devido à idade avançada, muitas das estações não são adequadas às pessoas com deficiências físicas; as greves são freqüentes, assim como a superlotação; no verão, as temperaturas podem ficar perto do insuportável devido à má ventilação dos túneis; e os ratos continuam a passear nos trilhos, entretendo (ou assustando) os turistas.
Desde a sua inauguração, o metrô de Londres protagonizou momentos importantes da história inglesa. Os mesmos túneis e estações que deram proteção e abrigo durante as blitze alemãs na Segunda Guerra (1939-1945) sofreram diversos atentados. Desde 1885, quando ocorreu o primeiro ataque, o metrô é o alvo predileto dos terroristas (leia mais na pág. F10). Ao longo do século 20, o IRA (Exército Republicano
Irlandês) detonou explosivos em diversas ocasiões.
Mas o pior e mais recente atentado, obra de radicais islâmicos, aconteceu em 7 de julho de 2005, quando três explosões quase simultâneas trouxeram a Londres o medo do terrorismo global (uma hora depois, um ônibus explodiu perto da praça Russell, aumentando para 52 o número de mortos e para 700 o de feridos). Duas semanas depois, a estação de Stockwell presenciou o assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes pela polícia metropolitana e, desde os atentados, há um certo clima de apreensão entre os usuários do metrô.
Para amenizar a tensão e dar vida extra ao incessante movimento, músicos se apresentam nos túneis de acesso. Para conseguirem seus espaços restritos e altamente disputados, no entanto, eles precisam passar por testes e audições.
Apesar dos problemas, o metrô continua sendo a forma mais fácil e prática de se locomover em Londres. Só não se esqueça dos cartões semanais para economizar suas preciosas libras, fique do lado direito nas escadas rolantes se não estiver com pressa e "mind the gap" ("cuidado com o vão", em português, aviso freqüente na hora do embarque). (PC)
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