Turismo
07/05/2008 - 22h53

Nos 60 anos da fundação, mais brasileiros devem visitar Israel

MÁRCIA SOMAN
Colaboração para a Folha Online

A procura por Israel como destino de viagem entre os brasileiros vem crescendo nos últimos anos, principalmente entre os turistas que querem conhecer os locais sagrados do país. Em 2007, 21 mil brasileiros viajaram para o país, um aumento de 32% em relação a 2006.

Com os 60 anos da fundação de Israel, a expectativa é de um aumento ainda maior, ultrapassando os 40%. Motivado pelo grande potencial do turismo brasileiro em Israel, o Ministério do Turismo de Israel abriu um escritório no Brasil --que mais tarde representará toda a América do Sul-- para promover ações de divulgação dos destinos turísticos israelenses em todo o país.

Veja galeria de fotos de pontos turísticos de Israel

Ministério de Turismo de Israel
Jerusalém
Local de escavação arqueológica em Jerusalém, cidade santa israelense

Para Cleo Ickowicz, diretora de marketing do escritório, o crescimento é resultado das ações de divulgação do turismo no país, com a chegada do escritório e também do aumento do interesse das comunidades religiosas em conhecer Israel. "A comunidade religiosa é responsável por grandes grupos de turistas. Há pastores que levam 600, 700 pessoas para viagens de peregrinação".

Mesmo com um aumento considerável na busca pelo país, ainda não há um vôo direto entre Israel e Brasil. Os turistas têm que viajar para uma capital européia --onde muitos aproveitam para estender as férias-- para pegar um segundo vôo, de quatro horas de duração, que chega ao aeroporto internacional Ben Gurion de Tel Aviv.

Mesmo sem vôos diretos, Israel, afirma Cleo, é um destino atraente para os brasileiros, principalmente diante da baixa do dólar. Uma viagem de sete dias, com passagem e hotel fica em média por U$ 2.100 (R$ 3.481). "É um preço razoável se comparado a Europa e Estados Unidos, destinos muito procurados pelos turistas brasileiros. E em um país que reúne história, paisagens belas e as vantagens e confortos de um país moderno", afirma Cleo.

Israel não exige visto para turistas que chegam ao país e a única documentação necessária é um passaporte válido. A moeda local é o shekel novo cujo câmbio é de R$, mas a moeda mais usada pelos turistas e amplamente aceita no país é o dólar. Em busca dos turistas de todo o mundo, já que a atividade representa uma das grandes fontes de renda do país, Israel investiu em guias que falam espanhol e português.

"Se programar a viagem em uma agência de viagens, você é recebido por um guia que fala português já no aeroporto. Eles levam o turismo muito a sério e investem em guias que efetivamente sabem o que estão falando. Afinal, são 2,5 milhões de turistas por ano", diz Cleo.

Diversidade

Para a diretora de marketing, um dos motivos do crescimento da procura por Israel é a diversidade de destinos dentro do país. Apesar de ser tradicionalmente conhecido como o cenário da história de Jesus Cristo, e, portanto sagrado para o cristianismo e o judaísmo, Israel está despontando entre jovens e famílias em busca de férias em seu litoral de belas águas e até mesmo um roteiro cosmopolita em Tel Aviv.

Cada vez mais, Israel é procurado por turistas interessados em paisagens paradisíacas e esportes de aventura. Outra tendência crescente no país é o turismo com fins acadêmicos. O país, principalmente Tel Aviv, é sede de centenas de congressos e seminários médicos e de tecnologia, setor importante da economia israelense.

"Muitos grupos buscam o país para os congressos dermatológicos em hotéis próximos ao Mar Morto que debatem os usos medicinais da lama encontrada em suas margens. São eventos com destaque para as descobertas científicas israelenses", afirma Cleo.

Visita constante

10.abr.98/Niels Andraes/Folha Imagem
Judeus ortodoxos rezam no Muro das Lamentações, em Jerusalém
Judeus ortodoxos rezam no Muro das Lamentações, em Jerusalém

Com um perfil de turista ainda predominantemente em busca dos destinos religiosos, Israel é mais cheia durante as datas religiosas do calendário judaico, como o Pessach, em abril, o Ano Novo, entre setembro e outubro, e a Festa dos Tabernáculos --uma celebração da colheita--, em outubro, que atrai muitos evangélicos.

"Nestas datas de celebração judaica, muitos grupos organizados por rabinos viajam até o país que fica no começo de tudo e onde, principalmente em Jerusalém, há muitas lembranças da época dos profetas", explica Cleo.

Uma das principais preocupações dos turistas que querem visitar Israel são os constantes conflitos entre israelenses e palestinos nos territórios disputados por ambos os povos. Segundo Cleo, o país é seguro pata turistas, pois estes conflitos ocorrem em regiões --como a faixa de Gaza e Cisjordânia-- que não fazem parte do roteiro das agências de viagem.

"Israel investe muito em segurança interna, é uma imagem errônea que as pessoas têm quando só lêem sobre os ataques e atentados no país. Lá é mais tranqüilo do que algumas metrópoles brasileiras", defende.

Tel Aviv

Ministério de Turismo de Israel
Tel Aviv
Vista área de Tel Aviv, centro econômico de Israel localizado na costa do Mediterrâneo

Centro comercial e financeiro de Israel, Tel Aviv é a porta de entrada dos turistas brasileiros. Assim como a maioria dos pontos turísticos nacionais reúne história, em sua parte mais antiga, ao norte, e modernidade, na parte mais nova. A cidade atrai os turistas mais jovens e aqueles que querem conhecer a agitada vida cultural dos israelenses, com shows, concertos e teatros.

Tel Aviv é a cidade que mais retrata os efeitos das ondas imigratórias que compuseram os cerca de seis milhões de habitantes do país. Ela reúne culturas, línguas, espetáculos e a gastronomia de judeus de todos os lugares do mundo que vieram à Israel com os incentivos da imigração --como a lei do retorno, promulgada em 1950, que concede cidadania imediata aos judeus de qualquer parte do mundo.

Um dos atrativos de Israel está em reunir muitos pontos turísticos em curtas distâncias, percorridas de carro ou ônibus. A menos de uma hora de viagem da capital, o turista chega a Jerusalém, principal destino religioso do país.

Cidade santa

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Jerusalém
Visão da cidade nova de Jerusalém, parte mais moderna da cidade santa israelense

Sagrada para as principais regiões monoteístas, Jerusalém reserva locais sagrados em todos os seus cantos. "É como se a história da Bíblia ganhasse vida. O destino mais procurado é a Via Dolorosa, que acompanha os passos de Jesus até a crucificação", conta Cleo.

Além da Via, Jerusalém reserva aos interessados na história dos tempos bíblicos uma das mais preciosas relíquias sagradas: os Pergaminhos do Mar Morto. Descobertos há cerca de 60 anos, em cavernas próximas à Vila de Qumran, perto do Mar Morto, os Pergaminhos são uma coleção de cerca de 850 textos escritos em hebraico, aramaico e grego e datados do século 2 antes de Cristo. Atualmente, eles estão guardados no Santuário do Livro, no Museu de Israel e são visitados diariamente por centenas de turistas e fiéis.

"Não tem como ficar indiferente em Jerusalém. O lugar mexe com qualquer pessoa, religiosa ou não. Estar em Jerusalém é estar na história, mexe com o lado espiritual", afirma Cleo.

Jerusalém é um convite para caminhadas sem compromisso por suas ruínas e templos ou roteiros acompanhados por guias para conhecer a fundo a história do lugar. É a cidade central da crença cristã que, para os fiéis, protagonizou os mais importantes episódios da vida de Jesus Cristo, segundo relatos da Bíblia Sagrada.

O local mais sagrado para os judeus, o Muro das Lamentações é local obrigatório para o turista em Jerusalém. O Muro de pedras é o único resquício do segundo templo construído após a destruição do primeiro pelos romanos, em 70 a.C. Lá, judeus e fiéis de todas as religiões cristãos peregrinam para fazer orações e deixar pedidos escritos em pedaços de papel.

Mar Morto

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Mar Morto
Turistas aproveitam dia de sol para boiar nas águas de alta salinidade do Mar Morto

Outro lugar de passagem obrigatória em Israel é o Mar Morto, a 400 metros abaixo do nível do mar, o ponto mais baixo da Terra. Com alta concentração de sal, os turistas aproveitam para ler revistas e livros enquanto bóiam em suas águas --onde é impossível afundar.

As propriedades de cura do Mar Morto e das fontes termais próximas são conhecidas há milênios. Nas suas margens, os turistas de todo o mundo passam o dia banhados em lama preta medicinal e aproveitar a região de alta pressão atmosférica. "Esta região é sede de um turismo de luxo com hotéis e spas onde pode se passar o dia fazendo tratamentos", conta Cleo.

Próximo à região, está o histórico palácio de Herodes, que se tornou símbolo da resistência dos judeus contra o domínio romano, iniciado em 63 a.C. No paslácio, os soldados judeus fizeram um juramento de que nunca mais deixariam Masada cair sob o domínio estrangeiro.

Galiléia

Ministério de Turismo de Israel
Galiléia
Rua que acaba no mar da Galiléia que, apesar do nome, é um lago de água doce

A duas horas de Tel Aviv, está a região da Galiléia, conhecida principalmente pela cidade de Tiberíades incrustada na costa do mar da Galiléia que, apesar do nome, é um grande lago de água doce. Lá, para os cristãos, Jesus reuniu seus primeiros discípulos prometendo transformá-los em pastores de almas.

O mar da Galiléia é alimentado pelo rio Jordão, que vem da região montanhosa do norte do país. É neste rio que fiéis de todo o mundo, incluindo centenas de evangélicos brasileiros, são batizados. Vestidos com batas brancas, eles são guiados por pastores que, entre orações, mergulham-nos nas águas sagradas para o cristianismo.

Nas margens do mar, milhares de grupos religiosos fazem peregrinações pelos caminhos que teriam sido percorridos por Jesus Cristo. A região é marcada por dezenas de templos e capelas que marcam cada ponto importante na história da religião cristã.

Para quem quer conhecer parte da história moderna de Israel, a região da Galiléia é repleta de kibutz -fazendas coletivas típicas do país --com hotéis para turistas. "É uma forma de conhecer este sistema que é característico do estilo de vida desta parte da comunidade judaica", disse Cleo.

Em Tabat, estão as setes fontes onde Jesus alimentou uma multidão com cinco pães e dois peixes. No local, está a Igreja Beneditina dos Pães e Peixes construída com mosaicos que retratam a fauna e flora da época, vista até hoje no país.

Cidade da Anunciação

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Nazaré
Igreja da Anunciação, na cidade de Nazaré, local onde viveram José e Maria

Outro ponto muito visitado por turistas em Israel é a cidade de Nazaré, conhecida como a cidade da anunciação. Nela, como em muitas cidades israelenses, templos e basílicas marcam os locais importantes retratados pela Bíblia.

Como a Basílica de Nazaré, cujas paredes são decoradas com cristais doados por cristãos de todo o mundo. Antes de ser construída, uma escavação no local da Basílica revelou as ruínas da casa de José que, para os cristãos, foi pai de Jesus Cristo.

Como José foi carpinteiro, o artesanato em madeira de oliveira tornou-se a arte da cidade e são vendidas em tendas em praticamente todas as ruas da cidade. A oliveira continua, como nos tempos remotos, como o centro da economia local. Os produtores de azeite utilizam o mesmo processo de colheita manual usado há décadas.

Na mesma região, está a Basílica do Matrimônio, construída sobre o local onde, segundo a Bíblia, Jesus teria realizado o milagre da transformação da água em vinho, durante uma cerimônia de casamento. O vinho, aliás, é outro pilar da economia local, mas sua produção, diferentemente do azeite, foi modernizada ao longo dos anos.

"Israel é um pequeno país grande como o mundo, com atrações para todo tipo de turista", completa Cleo, citando o slogan criado pelo Ministério de Turismo.

Comentários dos leitores
FLORIANOPOLIS / SC
É uma burrada atrás da outra e novamente o Premiê de Israel Ehud Olmert comete.
...
Trocar mortos por vivos!!!
Os que chegaram em Israel defendiam a nação
e os que voltaram ao Líbano irão se unir às milícias e fortalecer ainda mais aqueles grupos terroristas.
...
Anunciaram um dia antes que os soldados estavam mortos, para dor e desespero da família que aguardavam a volta deles.
...
Que Deus tenha misericórdia dessa situação que se abate a séculos no Oriente Médio e levante homens idôneos para conduzir um processo de paz verdadeiro e duradouro.
...
Imaginem o que vai representar no futuro à mente das crianças libanesas que assistiram a comemoração da chegada daqueles terroristas!!!
sem opinião
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FLORIANOPOLIS / SC
Parte final:
As autoridades francesas devem concordar em impedir os parisienses franceses de entrar na área da tumba sagrada, pois isto pode ser visto como provocação pelos corsicanos.
A Santa Capela e a Igreja de Notre Dame devem, é claro, ser internacionalizadas sob os auspícios do Vaticano e das organizações internacionais pela preservação do patrimônio artístico universal. Na realidade, os franceses devem considerar uma grande honra que tanta gente veja Paris como uma cidade internacional.
Os franceses não têm do que reclamar, pois desfrutarão dos benefícios da paz e manterão o controle dos Champs Elisées.
Mas, pensando melhor, até mesmo os Champs Elisées podem ser demasiado. Afinal, para ser coerente com a posição francesa para com Israel, a capital francesa não pode ser Paris, mas sim Vichy.
1 opinião
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FLORIANOPOLIS / SC
Parte 3: Final
As autoridades francesas devem concordar em impedir os parisienses franceses de entrar na área da tumba sagrada, pois isto pode ser visto como provocação pelos corsicanos.
A Santa Capela e a Igreja de Notre Dame devem, é claro, ser internacionalizadas sob os auspícios do Vaticano e das organizações internacionais pela preservação do patrimônio artístico universal. Na realidade, os franceses devem considerar uma grande honra que tanta gente veja Paris como uma cidade internacional.
Os franceses não têm do que reclamar, pois desfrutarão dos benefícios da paz e manterão o controle dos Champs Elisées.
Mas, pensando melhor, até mesmo os Champs Elisées podem ser demasiado. Afinal, para ser coerente com a posição francesa para com Israel, a capital francesa não pode ser Paris, mas sim Vichy.
sem opinião
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