No japão, rituais da luta tomam mais tempo do que os confrontos
LUÍS FERRARI
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Tóquio
A ação de fato na luta de sumô é bem mais breve que o jogo de cena antes do contato dos rikishi. A cerimônia de entrada na área de combate (dohyo) ocorre antes da luta nas categorias mais graduadas e é o momento mais colorido do evento.
É um verdadeiro desfile dos atletas com trajes "de gala", todo em seda bordada, cujo valor gira entre 400 mil e 500 mil ienes (de R$ 6.300 a R$ 7.900).
Os rikishi entram em ordem crescente de graduação, exibem as vestimentas e realizam movimentos rituais em círculo.
| Franck Robichon/04.abr.2008/Efe |
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| Lutadores de sumô participantes do campeonato em Yasukuni, que aconteceu em Tóquio, durante a cerimônia de abertura |
Depois é a vez dos yokozunas --os grande campeões--, que têm um cerimonial exclusivo. A entrada deles no dohyo é antecipada por um juiz graduado e dois companheiro de centro de treinamento.
Um colega traz uma espada, que simboliza a graduação do yokozuna. Outra peça simbólica é o cordão em que estão presas tiras de papel (semelhantes às usadas em templos xintoístas), que o campeão usa sobre a peça de seda.
Com os demais figurantes acocorados no dohyo, o yokozuna bate palmas para atrair a atenção dos deuses. A seguir, estende os braços lateralmente e vira as palmas para cima, para mostrar que não traz armas.
O ponto alto da cerimônia é quando ele ergue alternadamente os pé no ar e pisa com força, para, simbolicamente, afastar o mal do dohyo.
Antes dos combates, os oponentes são anunciados de maneira dramática. Os rikishi sobem ao dohyo, se curvam diante do rival e cada um vai ao seu canto, onde batem palmas e pisam o solo. Os lutadores lançam sal para purificar o dohyo e pedir que não haja contusões.
Os mais graduados têm direito a enxaguar a boca com a "água da força", servida pelo lutador que venceu o combate anterior. Depois usam um papel especial para secar os lábios --simbolizando a limpeza do corpo antes do confronto.
Após exibirem os braços para evidenciar que não trazem armas, os rikishi se postam diante do adversário com os punhos cerrados sobre o solo e passam a um período de "guerra fria".
Categorias mais graduadas têm até quatro minutos para intimidar o adversário com os olhos. Em tese, aguardam pelo momento em que os dois estão prontos. No fim do tempo de espera, o juiz posiciona seu leque entre os dois e diz que não há mais o que esperar.
A carga inicial precisa ser simultânea. Depois do fim da ação, o juiz aponta o leque para o lado do vencedor.
Cada um em seu canto, os rikishi se curvam, e o vitorioso ergue o braço direito na altura dos ombros. Se houver premiação em dinheiro, o juiz traz a importância sobre seu leque. O vencedor põe a mão verticalmente sobre o prêmio e simula cortá-lo, primeiro à esquerda, depois ao centro e depois à direita --como agradecimento aos três deuses da vitória.
Depois, se posiciona ao lado do dohyo para servir a água da vitória ao próximo lutador. No fim do dia, acontece a cerimônia do arco, em que um dos vencedores da jornada é premiado com o instrumento.
Até a aposentadoria do rikishi segue um ritual. Ao deixar o sumô profissional, os grandes competidores são chamados ao dohyo. Lá, o dono do centro de treinamento onde se desenvolveram corta o nó ritual sobre a cabeça do atleta.
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