Turismo
15/05/2008 - 11h29

Centro de Quito é o mais inalterado das cidades latino-americanas

MARIANA DESIMONE
Colaboração para a Folha de S.Paulo, em Quito

Quem não está acostumado com grandes altitudes como a de Quito, que fica 2.850 m acima do nível do mar, sente falta de ar e tontura ao chegar à cidade. Mas não é só isso que deixa o turista tonto nessa cidade.

O interior da igreja e colégio da Companhia de Jesus tem efeito similar, mas por outros motivos. Aqui não é a falta de oxigênio, mas a profusão de adornos, característico do estilo barroco da chamada escola de Quito, que usa elementos dos estilos espanhol, italiano, mourisco, flamengo e indígena, que tira o fôlego do visitante.

O prédio integra o centro histórico de Quito, que, há 30 anos, foi tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A porção antiga da capital equatoriana foi o primeiro conjunto do tipo, ao lado do centro histórico de Cracóvia (Polônia), a receber o título, na primeira sessão de tombamentos do comitê responsável --realizada em 7 de junho de 1978, que reconheceu como patrimônio outros cinco locais. No mesmo ano, no segundo encontro da comissão, em 9 de outubro, o arquipélago de Galápagos foi tombado.

Preservação

Segundo o site da Unesco, Quito mantém "o mais preservado e menos alterado centro histórico de cidades latino-americanas". A organização indica que, além da igreja da Companhia de Jesus, os monastérios de San Francisco e de Santo Domingo são exemplos puros do barroco quitenho.

Mariana Desimone/Folha Imagem
Praça do centro de Quito; cidade equatoriana reúne o mais inalterado conjunto histórico, segundo dados da Unesco
Praça do centro de Quito; cidade equatoriana reúne o mais inalterado conjunto histórico, segundo dados da Unesco

A avaliação da comissão que julgou se o conjunto deveria ser tombado elogia: "As ações do homem e da natureza criaram uma obra única" na cidade.

Quito foi fundada no século 16, sobre uma cidade inca. Em 1917, um terremoto devastou a região, mas poupou grande parte das edificações históricas.

Há dez anos, um relatório de estado de conservação chamou a atenção para o risco de o vulcão Pichincha, a oeste da cidade e de volta à atividade depois de 300 anos, entrar em erupção.

Cobrou, da cidade, um pacote de medidas preventivas e um plano de manejo para a crise após uma possível erupção.

Um ano depois, novo relatório informa que o plano de prevenção foi feito e que as autoridades locais devem manter a comissão da Unesco informada sobre as atividades do vulcão. Por enquanto, vai tudo bem.

Pelas ruas

Estando nas ruas do centro antigo, compre o milho tostado que as vendedoras ambulantes vendem por US$ 0,50 para entrar no clima. Ou, ainda, prove o "choclo", sopa preparada com queijo, batata, ovos e abacate, que custa US$ 5 (R$ 7,5), servido em lanchonetes modestas. Alimentado, encare a sucessão de prédios históricos --são 40 igrejas, 16 monastérios, 17 praças, 12 praças de convento e 12 museus em 3,2 km2. Entre os 40 templos, o mais importante é a igreja e colégio da Companhia de Jesus. A construção da igreja começou em 1605 e só terminou 163 anos depois. Depois de dois terremotos e um incêndio, ela foi reaberta, restaurada, em 2006.

A fachada foi talhada em pedra vulcânica andina e, no interior, os adornos foram cobertos de ouro --somam-se, ao todo, sete toneladas do metal nobre. Outro destaque é o monastério de San Francisco, onde está a igreja mais antiga de Quito, cuja construção começou algumas semanas depois da fundação da cidade, em 1534. A igreja foi concluída somente 70 anos depois do início das obras.

 

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