Turismo
13/08/2008 - 12h20

Acervo cultural de Ilhéus rende visita de pelo menos dois dias

FERNANDA CALGARO
da Revista da Folha

Ponto de partida para Canavieiras, Ilhéus merece ao menos dois dias de visita. Não tanto pelas praias, mas pelo acervo cultural de seu personagem ilustre: Jorge Amado (1912-2001), um dos mais famosos escritores brasileiros.

Após a derrocada do cacau, conhecido como o fruto de ouro, que trouxe riqueza à região e permitiu a ascensão dos coronéis, a cidade, que remonta à época das capitanias hereditárias, tem focado no turismo. Jorge Amado é o seu principal atrativo --retribuição merecida ao romancista que a imortalizou em sua bibliografia, traduzida em cerca de 50 idiomas.

Fernanda Calgaro/Folha Imagem
Ilhéus tem acervo cultural que rende pelo menos dois dias de visitação; circuito Cravo e Canela é o principal destaque do lugar
Ilhéus tem acervo cultural que rende pelo menos dois dias de visitação; circuito Cravo e Canela é o principal destaque do lugar

Caminhar pelo calçadão, de nome rua Jorge Amado, no circuito Cravo e Canela, e no seu entorno é fazer uma viagem no tempo, muito antes da chegada da vassoura-de-bruxa, praga que assolou as plantações cacaueiras no final da década de 80 e levou famílias à falência.

Ainda estão muito vivas na memória dos moradores as histórias dos tempos de prosperidade, como a da rua que foi calçada com paralelepípedos de cobalto polido a mando de um coronel para a passagem de sua filha que se casava.

No centro, ergue-se um palacete atrás do outro, outrora residências dos coronéis, hoje, usados para fins prosaicos, como uma loja maçônica.

Um desses casarões foi construído nos anos 20 pela família do romancista e atualmente abriga a Casa de Cultura Jorge Amado. Perto dali, estão a Casa dos Artistas e o Teatro Municipal. Mais adiante, a catedral de São Sebastião, o bar Vesúvio e o Bataclan, antigo cabaré freqüentado por coronéis -os dois últimos eternizados nas obras de Amado e popularizados nas novelas de TV.

Fruto tão especial para a região, o cacau pode ser visto de perto na Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), órgão do governo federal, a cerca de 20 km de Ilhéus em direção a Itabuna, que é voltado para a pesquisa e desenvolvimento da cultura cacaueira. Na visita agendada e gratuita, aprende-se todos os passos da produção do cacau até chegar no chocolate.

No local, há ainda um abrigo de proteção aos bichos-preguiça. São cerca de duas dezenas de animais, trazidos pela Polícia Ambiental para se recuperarem de ferimentos ou desnutrição. Depois de curados, alguns são devolvidos à mata. Criada por necessidade, a área virou ponto turístico. Vale uma visita.

Fernanda Calgaro viajou a convite do receptivo Encantur, hotel Jardim Atlântico e pousada Vila de Atalaia.

Reportagem publicada pela Revista da Folha em 18 de novembro de 2007.

 

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