Escalada no verão revela outra face do monte Fuji
MAURÍCIO KANNO
colaboração para a Folha de S.Paulo, no Japão
Símbolo do Japão, o monte Fuji aparece sempre cheio de neve e rodeado de nuvens, tanto nas ilustrações tradicionais como nas camisetas e nos chaveiros contemporâneos --mas, para alguns, ele encerra o desafio de uma escalada reveladora.
| Maurício Kanno/Folha Imagem |
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| Para chegar à borda da cratera do topo do monte, aventureiro precisa enfrentar um caminho inóspito repleto de pedra e areia |
Quem aceita encarar a subida dos seus 3.776 m, dificilmente avista o branco nival tão comum na representação da iconografia. Vê, sim, um caminho de pedra e areia, cinza, marrom e vermelho, com folhagens esparsas, até chegar à borda da cratera --o monte é, na verdade, um vulcão. E, se olhar em volta, verá um tapete de nuvens, cada vez mais abaixo.
Não só o Fuji-san (como é chamado em japonês) cheio de neve mas também o Japão sempre frio, são imagens particularmente equivocadas.
O visitante terá certeza disso indo ao Japão no verão, quando é permitida a escalada no monte e os termômetros marcam 30C, inclusive na ilha central, onde fica a montanha, no território da Província de Shizuoka.
No dia-a-dia do verão japonês, o suor é freqüente, e o ar-condicionado, obrigatório. Nesse cenário, acaba sendo um alívio o frio de 10ºC ou menos que se pode experimentar na subida ao vulcão-símbolo.
| Editoria de Arte/Folha Imagem | ||
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Beleza
Não é necessário enxergar divindades no monte para ter vontade de subi-lo. A beleza da vista e o desejo de conhecer o famoso ponto mais alto do Japão já são motivos suficientes.
O engenheiro indiano Vaira Manikandan, 28, que trabalha no país desde janeiro deste ano, quis fazer o trajeto depois de ver "imagens fascinantes" em vídeos no YouTube.
"Ouvi falar muito sobre a expedição e achei que seria uma grande experiência!", conta, afirmando que ficou surpreso com o tamanho da cratera e com a beleza do nascer do sol.
Para a japonesa Ayumi Isoyama, 21, o apelo de lugar sagrado é algo do passado: "Nós [referindo-se também a dois amigos] pensamos: "simplesmente é a montanha mais alta do Japão. Então, vamos lá escalar'".
Para alguns, o monte se torna passeio familiar. Na primeira vez que foi ao Fuji, a adolescente Mao Takami, 14, estava em uma excursão escolar. Na segunda vez, na semana passada, foi com a família, por um motivo bem peculiar: ver os "manzais", comediantes japoneses ao estilo do britânico Mr. Bean, que se apresentaram no sexto estágio do Fuji.
A estudante de matemática Naoko Negami, 21, que nasceu em Shizuoka, na cidade de Fuji --de onde se avista o monte--, diz que também já o visitou com a família quando cursava o colegial, mas que jamais subiu ao topo. Diz que seu pai já escalou o Fuji três vezes.
Há ainda os que resolvem viver a aventura por motivos inusitados. É o caso terapeuta ocupacional japonês Suzuki Kei, 29, que levou livros do chefe até a beira da cratera para elevá-los até o ponto mais alto de seu país.



