Turismo
15/09/2008 - 14h40

Riqueza de detalhes define arquitetura marroquina

LETÍCIA FONSECA-SOURANDER
colaboração para a Folha de S.Paulo, em Marrocos

Fruto da invasão marroquina na península Ibérica, a arte hispano-mourisca nasceu do encontro entre as tradições artísticas islâmicas e andaluzas.

Letícia Fonseca-Sourander/Folha Imagem
Zelliges são mosaicos geométricos de cerâmica esmaltada e colorida
Zelliges são mosaicos geométricos de cerâmica esmaltada e colorida

É a grande arte do detalhe, com uma extraordinária riqueza decorativa. A proibição da representação de figuras humanas e animais pelo Islã impediu o desenvolvimento da pintura e da escultura, mas elevou a arquitetura a arte maior.

Ao andar pelas ruelas de uma medina (parte histórica das cidades), é impossível bisbilhotar as casas, sem janelas para a rua.

A beleza da arquitetura marroquina está quase sempre oculta por muros e imensas portas de madeira maciça. A recente possibilidade de se hospedar em riads --casas tradicionais com pátio interno-- é uma dádiva para curiosos.

Não é possível descrever uma casa marroquina tradicional sem falar da importância da água e do jardim.

Nas vilas requintadas, entre palmeiras, glicínias e jasmins, há sempre uma fonte no meio do pátio --ricamente decorado com zelliges, mosaicos geométricos de cerâmica esmaltada e colorida introduzidos em Marrocos no século 10, que formam infinitas composições.

Os zelliges estão presentes em quase todas as construções. Outra ornamentação típica são os trechos do Alcorão --em escritura cúfica ou nasji. Nos palácios, destaque para os moucharabiehs, janelas em madeira trabalhada que serviam para as mulheres verem sem serem vistas. Os tetos pintados, os arcos e as fontes são outro "must" da arquitetura marroquina.

Arte

As mesquitas são um capítulo a parte. Em Marrocos, os minaretes --torres que se elevam dos ângulos da mesquita-- são geralmente quadrados. No topo deles, há sempre uma cúpula com janelas, de onde são feitos os chamados para a oração.

Debaixo dos telhados verdes (a cor do Islã) das mesquitas, as surpresas não são menores. Destaque para o pátio com a fonte para as abluções, o haram --a vasta sala de orações-- e o mihrab --um nicho escavado na parede que indica a direção de Meca. É nessa direção que os muçulmanos devem se voltar para fazer as cinco orações diárias. Como a entrada de turistas não-muçulmanos nas mesquitas é proibida, resta o consolo de ver toda esta beleza através das portas entreabertas.

 

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