Turismo
23/10/2008 - 10h57

Crise obriga turista a brecar os planos e repensar viagens

da Folha de S.Paulo

Foi bem quando o fim do ano ia chegando, as férias e o décimo terceiro salário despontando no horizonte, que a crise econômica global, que vinha dando sinais desde meados deste ano, eclodiu.

Com ela, o dólar subiu, desceu um pouco, subiu e colocou as barbas dos viajantes de molho. Quem já tinha comprado um pacote para o exterior começou a refazer as contas de quanto dinheiro poderá gastar --e de qual é a melhor maneira de levar a moeda para a viagem.

Quem ainda não tinha comprado parou para repensar. E quem já tinha ido amargou a surpresa da fatura de cartão de crédito com a nova cotação da moeda norte-americana.

Mas, se o céu não é mais de brigadeiro, tampouco há motivo para pânico. "A experiência nos ensinou que o turismo é resiliente. A necessidade de viajar, de tirar férias, é forte demais em nossas sociedades pós-industriais", disse Francesco Frangialli, secretário-geral da Organização Mundial do Turismo, órgão ligado à ONU.

Ele aponta para a tendência de o turista continuar viajando, mas reduzir os gastos. "Norte-americanos e europeus estão gastando menos, reduzindo gastos com restaurantes, entretenimento e transporte."

Patamar

No setor do turismo, a estimativa é que o dólar se estabilize em um novo patamar, que fica entre R$ 2 e R$ 2,20.

Para contornar a alta, há medidas menos drásticas do que cancelar a viagem. Roberto Caldeira, na Experimento Intercâmbios, estima que 20% das pessoas que fariam um curso no exterior vão agora optar por programas que combinem ensino com trabalho, para amenizar os gastos.

Quem planejava uma viagem aos EUA não precisa perder o ânimo. O país, que vê o mercado de turismo doméstico minguar com os impactos real e psicológico da crise, deve fazer promoções para atrair o turista internacional.

"Acredito que é uma ótima oportunidade de facilitar a emissão dos vistos de entrada nos Estados Unidos, já que o fluxo de turistas para lá pode ser uma boa forma de atenuar as perdas da balança comercial", diz Janyck Daudet, diretor da rede Club Med para América Latina.

Nove profissionais do setor de viagens ouvidos pela Folha concordam que o setor que mais sofrerá impacto é o das viagens internacionais populares, que sentem o peso do aéreo calculado em dólar.

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