Turismo
27/10/2008 - 11h39

Fazendas da ilha de Marajó se abrem ao turismo

ROGÉRIO ASSIS
colaboração para a Folha de S.Paulo, em Marajó

Até meados da década de 1980, a maior ilha fluviomarinha do mundo tinha sua economia voltada principalmente para a pecuária. A ilha de Marajó, banhada pelos rios Amazonas e Tocantins e pelo oceano Atlântico, era praticamente ignorada como destino turístico.

Rogério Assis/Folha Imagem
Sede da Fazenda do Carmo, que se transformou em pousada, com oito quartos, após declínio da pecuária na ilha de Marajó
Sede da Fazenda do Carmo, que se transformou em pousada, com oito quartos, após declínio da pecuária na ilha de Marajó

A cidade de Soure, a principal desse pedaço de terra, era o local escolhido pelos paraenses que buscavam nas suas praias de rio uma alternativa a outras mais conhecidas na região, como Mosqueiro e Salinas.

Com a abertura de estradas ligando o sul do Pará à capital do Estado, o polo pecuário migrou radicalmente de local, especialmente pela facilidade e pelo barateamento do transporte do gado.

Até então, as fazendas marajoaras eram privilégio dos seus proprietários e convidados, que podiam desfrutar a natureza exuberante e a exótica culinária regional, baseada na carne e nos laticínios bufalinos.

Como alternativa à decadência da atividade pecuária, muitas fazendas se transformaram em pousadas e hotéis, oferecendo aos turistas uma excelente maneira de explorar a ilha. A pioneira na nova atividade foi a Fazenda do Carmo, da família Dias.

A sede foi transformada em hospedaria, assim como o antigo estábulo, transformado em quatro apartamentos com banheiro privativo.

Folha Imagem

A Fazenda do Carmo, apesar de ter se transformado em pousada, continua funcionando normalmente, dando aos hospedes a oportunidade de viver o dia-a-dia de uma tradicional fazenda marajoara.

Passeios de búfalo, focagem de jacarés, caminhadas na mata --onde o caboclo Claudio ensina as propriedade medicinais das árvores encontradas pelo caminho--, o lago represado do rio Camará, que faz as vezes de piscina, e a comida de excelente qualidade dão o toque de passeio turístico. Mas o principal diferencial é a simpatia do casal proprietário, Cadico e Circe.

Eles recebem os hospedes como amigos e dividem com eles as muitas histórias que têm para contar quando o motor desliga, a luz se apaga e o silêncio anuncia a hora do descanso no hotel com mais cara de fazenda que pode ser encontrado na ilha de Marajó.

50 mil km2
É a área da ilha de Marajó, a maior ilha fluviomarinha do mundo, banhada pelos rios Amazonas e Tocantins e pelo oceano Atlântico

87 km
É a distância da ilha a Belém; o principal município marajoara é Soure. De fevereiro a maio, dois terços de Marajó ficam alagados

270 mil
Cabeças de búfalo, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, formam o maior rebanho de búfalos do Brasil, em Marajó

50%
Do gado bufalino brasileiro está no Pará. As raças criadas em Marajó são múrrah, jaffarabadi e mediterrâneo

FAZENDA DO CARMO
Tel.: 0/xx/91/3241-2202 ou 0/xx/ 91/9112-6875; www.carmocamara.com

 

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