Galeria dos espelhos reflete compromisso de paz em Versalhes
da Folha Online
Com o fim da guerra, um compromisso de paz. A assinatura do armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, exatamente 90 anos atrás, teve uma seqüência: o Tratado de Versalhes, assinado sete meses depois no palácio localizado nos arredores de Paris.
Os locais em que esses documentos foram firmados refletem as circunstâncias e o espírito daqueles momentos. Enquanto o fim da guerra foi assinado em 11 de novembro de 1918 dentro de um vagão de trem na floresta de Compiègne, no norte da França, o início da paz foi selado em um dos maiores símbolos de riqueza e ostentação: o palácio de Versalhes --mais especificamente o hall dos espelhos.
| Jacques Brinon/AP | ||
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| Palco da assinatura do Tratado de Versalhes, galeria dos espelhos passou restauração; veja imagens do palácio |
A ala foi construída entre 1678 e 1684 a mando de Luís 14 (1638-1715), o Rei Sol. São 357 espelhos rodeados por pinturas de Charles le Brun. O local passou recentemente por uma restauração que custou US$ 16 milhões e durou três anos.
Andar pela galeria é, mais que admirar, imaginar as cenas históricas de que foi palco. Como a ocorrida em 28 de junho de 1919, orquestrada por Georges Benjamin Clemenceau, então primeiro-ministro francês.
Na tarde daquele dia, os ministros alemães do exterior, Hermann Müller, e do transporte, Johannes Bell, entraram na majestosa ala do palácio conduzidos por guardas do cerimonial francês. Esperavam por eles centenas de representantes das nações aliadas, dispostos em longas mesas, de costas para os espelhos e de frente para os jardins.
| Michel Euler/AP |
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| Turistas andam pelo palácio de Versalhes, que foi cenário da assinatura do tratado de paz em 1919; veja galeria de imagens |
"O silêncio é aterrador. [Müller e Bell] estão pálidos como a morte", escreveu o diplomata britânico Sir Harold George Nicolson (1886-1968). Segundo seu relato, havia cerca de mil pessoas na galeria, "destituindo a cerimônia de qualquer privilégio e dignidade".
Os alemães se dirigiram então a uma pequena mesa Luís 15 onde estavam Clemenceau, David Lloyd George, primeiro-ministro britânico, e Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos. Sobre ela, uma caixa guardava o Tratado de Versalhes.
Contrariados, os alemães dispensaram as canetas sobre o móvel e assinaram com as suas próprias o documento.
Após rubricarem um texto do qual não foram autores, os alemães saíram como entraram: escoltados, pálidos e em silêncio, ouvindo o som comemorativo do disparo das armas que prenunciou os gritos da multidão. As ruas de Versalhes estavam tomadas de gente. A paz havia sido selada.
Saiba mais sobre o palácio de Versalhes: www.chateauversailles.fr.
Veja cobertura completa dos 90 anos do fim da Primeira Guerra.



