Turismo
13/11/2008 - 10h43

Rios e trilhas desvendam a floresta amazônica

GUSTAVO VILLAS BOAS
da Folha de S.Paulo, na Amazônia

São inúmeras as vias pelas quais a Amazônia se revela ao visitante: há rios cujas águas se misturam calmamente, trilhas que se perdem em meio à floresta, a noite estrelada de um céu livre da poluição urbana. E há a riqueza humana, o povo da floresta e sua cultura, a culinária tradicional, com receitas herdadas dos índios, e o artesanato das comunidades.

Percorrendo os Estados do Pará e do Amazonas, todos os caminhos levam à aventura. Partindo de Santarém -a terceira maior cidade paraense, considerada uma porta de entrada para a região do médio Amazonas-, uma estrada de 35 km, a PA-457, leva até Alter do Chão, uma vila com praias de areias brancas às margens do rio Tapajós.

Já para chegar à região do rio Tupana, a 170 km ao sul de Manaus, é preciso enfrentar horas no carro --ou no barco.

Luciana Noronha/Folha Imagem
Barco no rio Tapajós é avistado da Ponta do Cururu; roteiro de rios e trilhas costuram territórios amazônicos
Barco no rio Tapajós é avistado da Ponta do Cururu; roteiro de rios e trilhas costuram territórios amazônicos

No Tupana, o visitante navega por incontáveis curvas fluviais, num local que é habitado por botos. Com sorte, nas regiões ribeirinhas, dependendo da época do ano, é possível focar jacarés e ver animais como iraras, lontras, macacos, além de tucanos, gaviões e pássaros de menor porte.

Outro passeio concorrido perto de Alter do Chão é para a comunidade do Maguari. Com um guia local, o visitante pode percorrer uma trilha na Floresta Nacional dos Tapajós até as gigantescas samaúmas. Outro passeio concorrido perto de Alter do Chão explora o canal do Jari, onde há uma mata com animais como preguiças e macacos. No caminho, os jacarés e iguanas podem ser vistos lagarteando ao sol. Entre os pássaros, garças, gaviões e ciganas não são aves raras.

Cena manauara

Manaus, a capital amazonense, além de início de expedições pela floresta, reserva ao visitante polêmicas surpresas gastronômicas e locais carregados de história, caso do Teatro Amazonas, que mais do que centenário, remete à opulência do ciclo da borracha, ocorrido entre o último quartel do século 19 e início do 20 -o dinheiro era tanto que os coronéis da borracha mandavam as roupas para lavar na Europa, em navios de cabotagem.

A história se revela em mais detalhes no museu do Seringal, localizado na margem do rio Negro, que reconstitui essa era.

Infra-estrutura

Cada um desses roteiros exige planejamento e cuidados especiais. Há desde alojamentos rústicos, quase familiares, até empreendimentos chamados jungle lodges, verdadeiros resorts em meio à floresta amazônica. Mas, qualquer que seja o passeio, vale a pena ouvir as advertências e sugestões de quem mora no local. Até para eles, a Amazônia encerra surpresas.

300 mil
É o número aproximado de habitantes de Santarém


É a colocação de Santarém entre as maiores cidades do Pará

35 km
É a distância entre Santarém e Alter do Chão, o centro turístico mais importante do alto Tapajós

PA-457
É a estrada asfaltada que liga Santarém a Alter do Chão

5
É o número de dias em que é comemorada, no mês de setembro, a festa folclórica do Sairé, quando são realizados procissões, ladainhas, jogos e apresentações de música

7 a 11
São nestes os meses, de julho a novembro, em que as águas do rio Tapajós baixam

12 a 6
São nestes os meses, de dezembro a junho, que acontece a época das cheias; bom para os turistas que gostam das práticas de canoagem e mergulho

 

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