Turismo
20/11/2008 - 11h03

Capital da Letônia, Riga enfileira estilos arquitetônicos

IURI DANTAS
da Folha de S.Paulo, em Riga

Atualizado em 21/11/2008 às 13h10.

Pequena e aconchegante, a Letônia sobreviveu para contar e mostrar a fase áurea do art nouveau, os anos de Império russo, a ocupação nazista e a vida sob a cortina de ferro na era soviética. Não bastasse a arquitetura e os parques, o país ainda produz, desde 1870, o tradicional chocolate Laima.

Iuri Dantas/Folha Imagem
Centro antigo de Riga, com muro da torre de Pólvora à dir.; capital revela prédio medieval, art nouveau, soviético e gótico stalinista
Centro antigo de Riga, com muro da torre de Pólvora à dir.; capital revela prédio medieval, art nouveau, soviético e gótico stalinista

As cicatrizes históricas ocupam a capital do país, Riga. Em meros 15 minutos a pé, o viajante circula por castelos medievais, os sóbrios e horrorosos prédios soviéticos, no tradicional formato caixote com janelas, museus sobre o Holocausto e o edifício da Academia de Ciências, raro exemplar do gótico stalinista aplicado às famosas "Sete Irmãs" de Moscou.

A caminhada, aliás, é a melhor forma de descobrir e tentar entender melhor a cidade. A única dificuldade significativa vai ser na hora das fotos: o excesso de pinheiros dificulta a foto de algumas fachadas.

Vale a pena estacionar em um café --presentes em quase toda esquina- para um expresso ou um sanduíche natural. Alguns não têm costume de dispor de adoçante facilmente.

Art nouveau

Os apreciadores da escola art nouveau de arquitetura têm à disposição uma imensa galeria a céu aberto, pois cerca de 40% dos prédios da capital têm esse estilo, muitos deles originais.

Boa parte dos prédios foi projetada por Mikhail Eisenstein, venerado no país.

O arquiteto foi pai do cineasta Sergei Eisenstein, que levou às telas "O Encouraçado Potemkin" (1925). Na ocupação soviética, foram derrubados alguns edifícios de Mikhail, substituídos por fachadas cinzas e funcionais, disseminadas no centro e nos subúrbios.

A dica é percorrer as ruas Alberta, Elizabetes e Streinieku, a passos lentos no início desta última. O edifício que ocupa o número quatro foi construído em 1905, serviu de albergue estudantil depois de 1953 e, na década de 1990, foi reformado para abrigar a filial leta da Escola de Economia de Estocolmo.

O conjunto de ruas é conhecido como distrito art nouveau e foi tombado como patrimônio mundial pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação e Cultura). O estilo transborda das fachadas flamboyant, sendo possível ver estátuas por praticamente toda a capital.

Como o distrito art nouveau não possui fronteiras definidas, há grandes chances de o caminhante terminar o passeio na chamada Velha Riga, a parte mais antiga da cidade, repleta de parques, monumentos, castelos e cassinos.

A partir da rua Elisabetes, o mais indicado é seguir em direção ao rio Daugava, pela avenida Brivibas. Em dois minutos se percebe o tradicional Monumento à Liberdade, erigido para celebrar a independência do país em 1935.

Os habitantes da capital demonstram carinho com a imensa torre, encimada por uma estátua que segura três estrelas douradas. O local é guardado por soldados e mesmo sob chuva há coroas de flores depositadas à sua frente.

A poucos metros, está a catedral de Riga, erguida em 1211. O prédio, reconstruído diversas vezes desde sua construção original, exige tempo para identificar os detalhes na arquitetura.

Ao lado e em frente à catedral, dois parques oferecem sombra, descanso e uma vista espetacular da vegetação e da arquitetura do centro da capital.

Seguindo a avenida Brivibas, a ordem é pegar à esquerda e conhecer o castelo conhecido como torre de Pólvora, de 1330, onde funciona o museu da Guerra, mostrando letos guerreando, usando de lanças a metralhadoras. Se ainda houver fôlego, é a vez de andar a esmo até a praça Rãtslaukums, rodeada pelo Museu da Ocupação, sobre os anos soviéticos, e pela Casa dos Cabeças Pretas, que servia de estalagem para viajantes desde o século 13.

Editoria de Arte/Folha Imagem

64.589
Km 2 é a área da Letônia; corresponde a pouco mais de um quarto da área do Estado de São Paulo (248.808,8 km2)

2,24 mi
De pessoas vivem no país

724 mil
É o número de habitantes de Riga, a capital

2.256
Pequenos lagos se espalham pelo país, que soma 12.500 rios

211
Reservas naturais se juntam a 22 parques locais, quatro reservas estaduais, três parques nacionais e uma reserva da biosfera

1 lat
Equivale a 1,42 euros (R$ 4,34 pela cotação de 21 de novembro)
27,3
Bilhões de dólares foi o PIB do país no ano passado

O repórter IURI DANTAS viajou a convite do governo da Letônia

 

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