Turismo
18/12/2008 - 11h41

Corinthians nasceu em uma esquina no Bom Retiro

RICARDO PERRONE
da Folha de S.Paulo

No meio da multidão que perambula pela José Paulino fica perdido um pedaço da história do Corinthians. Na esquina com a Cônego Martins, minúscula rua sem saída, um pequeno obelisco marca o local onde, em 1º de setembro de 1910, moradores do Bom Retiro, a maioria de origem humilde, fundaram o clube, que se tornou o mais popular da cidade.

A história do grupo de 13 pessoas (só cinco são reconhecidas oficialmente como fundadoras) é conhecida de cor pelos corintianos roxos. Após um dia de trabalho, eles se reuniram sob a luz de um lampião para criar um time de futebol, inspirado no inglês Corinthian (sem o s).

Hoje, poucos freqüentadores do bairro parecem saber que lá está o berço corintiano. O marco da fundação, um bloco de concreto pintado de preto, não está bem conservado. A placa que o identificava sumiu. Impossível saber o que é. Virou um encosto para moças que entregam folhetos de lojas.

Com o tempo, outros laços que ligavam o Bom Retiro ao Corinthians afrouxaram. Na mesma José Paulino, na época rua dos Imigrantes, não há lembranças do campinho de terra em que a equipe deu os primeiros chutes.

Atraído pelo rio Tietê, onde desenvolveu seu departamento de remo, o clube se instalou na zona leste, onde está até hoje.

O Conselho Deliberativo corintiano, porém, ganhou a ala "os conselheiros do Bom Retiro".

Eles trataram de manter rituais que ligavam o time ao bairro. O mais saboroso era o fusili com bracholas às sextas no Corinthinha do Bom Retiro, clube fundado mais tarde em homenagem ao Corinthians. Os jantares, concorridos no início dos anos 80, não acontecem mais.

O pai do cantor e compositor Toquinho, então morador do bairro e freqüentador do clube, era um dos participantes mais ilustres desses encontros.

Hoje ainda acontecem celebrações entre corintianos no bairro, mas na Gaviões da Fiel, maior torcida organizada da equipe e escola de samba, na rua Cristina Tomaz.

Outros pontos que viram a gestação do Corinthians, como as ruas Júlio da Conceição e dos Italianos, não trazem mais marcas. Pontos comerciais, como uma barbearia, e casas, abrigavam as reuniões.

Em 2010, a diretoria corintiana deve voltar os olhos para o ponto em que o time nasceu. Será palco de ao menos um dos festejos do centenário do clube.

 

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