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18/02/2009 - 08h55

Centenária, festa uruguaia quase foi extinta; museu resgata tradições

MARY PERSIA
Editora de Turismo da Folha Online, em Montevidéu

A cultura do Carnaval uruguaio, apesar de centenária, quase perdeu muitos de seus elementos devido às sucessivas crises econômicas que se abateram sobre o país e a outras influências culturais.

Reprodução
Imagem de 1917 registra desfile na capital uruguaia, cujas origens do Carnaval remetem ao século 19; veja galeria de imagens
Imagem de 1917 registra desfile na capital uruguaia, cujas origens do Carnaval remetem ao século 19; veja galeria de imagens

A história da festa de Montevidéu é antiga: remete ao século 19. Após décadas de comemorações das mais diferentes origens, em 1874 houve o primeiro concurso oficial de grupos carnavalescos --um ano depois do primeiro desfile de comparsas de negros e lubolos, que se tornariam oficiais apenas em 1903.

Ao longo do tempo, surgiram categorias distintas (murgas, humoristas, parodistas etc.), com um público fiel que durante as competições torce como se estivesse em um estádio.

Apesar de sua força, hoje o Carnaval uruguaio é uma fração do que foi um século atrás. Os tablados (palcos), que já foram cerca de 800, hoje são pouco mais de 20, alguns deles resgatados em projetos de iniciativa pública e contando apenas com as lembranças dos moradores mais antigos.

Reprodução
Carro alegórico produzido em 1918 traz cena cômica de colisão para desfile de abertura daquele ano; veja galeria de imagens
Carro alegórico produzido em 1918 traz cena cômica de colisão para desfile de abertura daquele ano; veja galeria de imagens

Tempos atrás, os poucos que resistiam não passavam de tábuas de madeira suspensas. "Nos anos 70 já não se decoravam mais os tablados", conta a historiadora Milita Alfaro. Entre as décadas de 60 e 90, os carros alegóricos quase foram extintos.

Hoje, o trabalho de preservação dessa cultura é liderado pelo Museo del Carnaval. A entidade ganhou o prêmio Reina Sofía de Cultura pelo resgate de tradições carnavalescas.

Entre elas está a confecção dos cabeçudos, parentes distantes dos bonecos de Olinda. Agora, eles são feitos com espuma, isopor e outros materiais bem mais novos do que a antiga técnica de papel marche.

"Não importa como as pessoas vão fazê-los, e sim que os façam", considera o diretor do museu, Eduardo Rabelino. "Não queremos uma cultura morta."

 

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