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03/02/2006 - 15h09

Bolívia atrai com preços baixos e fácil acesso

MARCOS SERGIO SILVA
do Agora

Tem um gigante adormecido aí do lado. A Bolívia, com seus cerca de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, é o quinto país da América do Sul em extensão e uma boa oportunidade para: a) carimbar o passaporte no exterior sem desembolsar muito; b) ver neve, gastar o gás que resta nesse corpinho e contemplar paisagens incríveis; e c) conferir de perto uma das culturas mais antigas do planeta.

Por partes: o acesso ao país andino é fácil. São Paulo tem vôos diários para a capital administrativa La Paz (a constitucional é Sucre). Se o seu espírito é aventureiro, pode passar num dos guichês da rodoviária da Barra Funda e reservar um lugar no ônibus até Puerto Suarez. Da cidade, na divisa com Corumbá (MS), saem ônibus e trens para o centro do país.

O "trem da morte" é só para você dizer que já passeou sobre esses trilhos: há um imenso descampado nas 18 horas de percurso até Santa Cruz, onde o acesso para La Paz é mais fácil. As atrações bolivianas estão concentradas no entorno da capital e no sudoeste, na fronteira com o Chile.

Então entramos na segunda parte. La Paz é a capital mais alta do mundo, a 3.650 m do nível do mar. Isso quer dizer que é frio o ano todo, independentemente da estação --é lógico que no inverno é mais, mas no verão a temperatura não passa dos 20ºC.

Se for de avião, logo vai notar de perto imensos blocos de neve sobre a cordilheira dos Andes --os pilotos não tomam muita distância dos picos, e isso dá medo.

Prepare-se para perder o fôlego quando chegar. O aeroporto de El Alto fica a 4.100 m. Vai dar dor de cabeça, enjôo, você não vai querer sair, mas isso passa em um dia.

Aí você vai começar a achar que a viagem valeu a pena. Chacaltaya, uma das colunas dos Andes, a cordilheira Real, fica a menos de duas horas de La Paz. Com uma graninha bem justa --não passa de R$ 40--, você pode esquiar na pista mais alta do mundo. Do outro lado da cidade, as ruínas de Tiahuanaco são uma mostra do que foi a América do Sul antes da civilização inca e de os europeus chegarem por aqui.

E olha que ainda tem o Titicaca, o salar de Uyuni... Haja fôlego!

Proximidade

La Paz fica a 54 horas por terra de São Paulo e pouco mais de duas horas de avião. Mais ou menos a mesma distância de São Luís (MA), por exemplo. Vamos apostar: você já pensou em visitar a capital maranhense, mas jamais passou pela sua cabeça dar uma passada lá na Bolívia.

Só uns exemplos do que está perdendo. Chacaltaya, a base da estação de esqui fica a 5.265 m e não é superada por nenhuma no mundo. De lá, avista-se La Paz, lagoas de águas cristalinas formadas pelo gelo e parte da cordilheira Real, um dos braços dos Andes. O melhor a fazer é esperar o inverno --as nuvens não costumam aparecer nessa época, e a vista pode ser desfrutada sem crise.

Claro, tem o Titicaca, em Copacabana, que você deve conhecer das aulas de geografia (é o lago navegável mais alto do mundo). A vista é impressionante --você vai jurar que nada é mais azul--, e o peixe assado dos restaurantes de lá, delicioso.

E sobraram o sal e as belas paisagens de Uyuni, no região sudoeste do país. Fica a oito horas de La Paz e é considerado o maior salar do planeta --deserto formado pela evaporação das lagoas de água salgada.

Antes de viajar, no entanto, programe-se: só é permitido esquiar em Chacaltaya em algumas épocas do ano (no inverno, quando as tempestades de neve são mais fortes, é proibido) e os passeios pelo Uyuni valem pelo menos uns três dias de estadia por lá.

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