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20/04/2009 - 14h08

Passeio por patrimônios históricos de SP faz culto à memória

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES
RICARDO GALLO
da Revista da Folha

A notícia sobre o estado das igrejas mineiras de Nossa Senhora da Ajuda, em Congonhas, e Nossa Senhora do Rosário, em Mariana, destruídas e à beira do desabamento, oferece um retrato impreciso da situação do patrimônio histórico.

Relatos da degradação de construções centenárias, que de tempos em tempos tomam o noticiário, encontram belo contraponto na situação de alguns edifícios tombados em São Paulo.

Em bom estado de conservação, 11 são os imóveis alçados à estatura de patrimônio nacional na capital, segundo o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Jefferson Coppola/Folha Imagem
Capela da Venerável Ordem Terceira do Carmo foi construída entre 1747 e 1758 e tem missas todos os dias
Capela da Venerável Ordem Terceira do Carmo foi construída entre 1747 e 1758 e tem missas todos os dias

"Fica mais fácil acompanhar quando a quantidade de bens tombados é menor", diz Victor Hugo Mori, 56, arquiteto do instituto e um dos responsáveis pelo livro "Patrimônio: 70 Anos em São Paulo", publicação recém-lançada que revê as sete décadas da instituição no Estado. Não fosse o interesse econômico, conta Victor, o número de bens tombados poderia ser maior. "A destruição da memória é coisa antiga."

Em 1982, por exemplo, o Iphan fez um levantamento dos casarões remanescentes da avenida Paulista com o interesse de tombá-los -bastou a informação ser divulgada para uma série deles começar a ser demolida. Hoje, restam apenas quatro.

A ligação do Iphan com a maior metrópole do país é tão antiga que remonta a antes de sua criação oficial, em 1937. No ano anterior, o escritor Mario de Andrade recebeu uma missão do amigo Gustavo Capanema, ministro da Educação e Cultura: conceber um anteprojeto para o primeiro sistema brasileiro de proteção e preservação do patrimônio.

Da lista de patrimônios nacionais em São Paulo, não constam apenas cartões-postais, como o Masp. A seguir, estão sete construções -grande parte desconhecida- que valem um passeio.

Jefferson Coppola/Folha Imagem
Construída por índios guaianases em 1622, capela de São Miguel teve restauração concluída em 1941
Construída por índios guaianases em 1622, capela de São Miguel teve restauração concluída em 1941

Capela de São Miguel
Onde fica: Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, s/nº, São Miguel Paulista. Ainda não está aberta ao público. Visitas podem ser agendadas previamente pelo telefone 0/xx/11 2032-3921. Grátis.
Fique de olho: No batente da porta principal, onde está talhada em português arcaico a inscrição "Aos 15 de julho de 1622, S. Miguel".

Sítio Morrinhos
Onde fica: R. Santo Anselmo, 102, Jd. São Bento, tel. 2236-6121. De ter. a dom.: 9h às 17h. Oferece visitas monitoradas. Grátis.
Fique de olho: No quintal, cheio de árvores frutíferas, e no oratório esculpido em madeira, que fica em um dos quartos.

Jefferson Coppola/Folha Imagem
Sítio Morrinhos foi erguido provavelmente em 1702 e hoje abriga o Centro de Arqueologia da Cidade
Sítio Morrinhos foi erguido provavelmente em 1702 e hoje abriga o Centro de Arqueologia da Cidade

Casa Modernista
Onde fica: R. Santa Cruz, 325, Vila Mariana, tel. 5083-3232. De ter. a dom.: 9h às 17h. Oferece visitas monitoradas. Grátis.
Fique de olho: Mesmo descaracterizados, os jardins ainda guardam traços do projeto original. Concebido por Mina Klabin, mulher de Warchavchik, foi um dos primeiros projetos paisagísticos a priorizar as plantas brasileiras.

Capela da Venerável Ordem Terceira do Carmo
Onde fica: Av. Rangel Pestana, 230, centro, tel. 3242-8361. De seg. a sex.: 8h às 17h. Sáb. e dom.: 8h às 12h. Grátis.
Fique de olho: Na pintura da sacristia, considerada por Mario de Andrade um dos mais belos exemplares da arte sacra paulista.

Casas de Warchavchik
Onde fica: R. Bahia, 1.126, Pacaembu, tel. 3663-4975. Visitas podem ser feitas mediante agendamento. A casa que fica na rua Itápolis, 961, está em reforma.
Fique de olho: Na casa da rua Bahia, um enorme vitral vertical (foto abaixo) atravessa três andares da construção.

Jefferson Coppola/Folha Imagem
Construída em taipa de pilão, casa do Tatuapé foi mencionada pela primeira vez em 1698
Construída em taipa de pilão, casa do Tatuapé foi mencionada pela primeira vez em 1698

Casa do Tatuapé
Onde fica: R. Guabiju, 49, Tatuapé, tel. 2296-4330. De ter. a dom.: 9h às 17h. Oferece visitas monitoradas. Grátis.
Fique de olho: No piso de terra batida em um dos cômodos, tal qual a casa era originalmente, revelado após prospecção arqueológica.

Veja a reportagem completa na edição de 19 de abril do jornal Folha de S.Paulo (exclusivo para assinantes do jornal e do UOL).

 

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