Bem na foto, espanhola Cuenca tem exposição e ar medieval
MARIO GIOIA
da Folha de S.Paulo, em Cuenca (Espanha)
Para o viajante interessado em arte contemporânea que vai a Espanha e acha que Madri, Barcelona e Bilbao são as únicas cidades onde ele terá de fazer escalas obrigatórias, a pequena Cuenca, de feições medievais, pode surpreender.
Com ruelas de pedra e paredes descascadas, Cuenca merece ser incluída em seu roteiro, em especial neste mês, quando a 12ª edição do Photoespaña, um dos eventos mais importantes de fotografia no mundo, tem a cidade como uma de suas quatro sedes.
O festival se estende até 26 de julho e exibe 259 artistas, distribuídos em 74 exposições, tendo Madri como cidade-chave das mostras. No entanto, Cuenca, distante apenas 2h30 da capital espanhola, abriga o OpenPhoto, que, resumidamente, é uma espécie de agrupamento de representações nacionais do evento -parecido com o que acontece com os pavilhões oficiais de países na Bienal de Veneza, por exemplo.
| Iosif Király/Divulgação | ||
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| Fotografia de Iosif Király da série "Reconstruções", em que o artista percorreu diversos países do Leste Europeu |
Bélgica, Colômbia, Grécia, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido e Romênia apresentam artistas com apoio de embaixadas e órgãos de fomento cultural, mas isso não resulta em um panorama "oficialista" da produção desses países.
Muito pelo contrário, as oito exposições podem ser citadas como algumas das melhores do Photoespaña. Todas elas guardam um bom diálogo com o que o curador do festival, o português Sergio Mah, seleciona no restante do festival, com o cotidiano como tema central.
E isso não dá à fotografia apenas um suporte estanque. A curadoria quer que o cinema, a videoarte e a pintura criem convergências para um debate sobre a importância decisiva das narrativas banais e "pequenas" na arte produzida atualmente.
"O tema permite uma grande abertura de propostas, compondo um programa bastante eclético", afirma Mah, 39.
Pequenas dimensões
O Photoespaña cada vez mais joga suas atenções para Cuenca, que nesta edição dobrou o número de exposições. O incremento faz parte da estratégia da cidade para ser escolhida como capital cultural da Europa em 2016.
Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1996 e um dos pontos mais importantes da região de Castilla-La Mancha, a parte antiga de Cuenca se destaca pela facilidade de deslocamento entre suas atrações.
Encravada em uma serra, a uma altitude de cerca de 1.000 metros e com uma diminuta população de 55 mil habitantes, a intrincada teia de ruas da parte antiga da cidade abriga prédios históricos, onde hoje funcionam vários centros culturais, próximos uns dos outros.
Um deles é o Museu da Semana Santa, espaço com salas diminutas reservadas a um acervo de 150 obras, entre acessórios, roupas e objetos do tradicional período cristão. Cuenca sedia uma das principais festividades da semana no país.
Para o OpenPhoto, dividindo espaço com peças religiosas, o romeno Iosif Király apresenta a série "Reconstruções", composta por fotografias nas quais desconstrói paisagens urbanas do Leste Europeu.
Assim, estátuas de figuras antes celebradas, como Lênin, são vistas no chão, servindo de joguete para crianças; e antigas construções de linhas elegantes, como um cinema que funcionava em um palacete em Bucareste, está cercado por tapumes, a anunciar sua demolição.
MARIO GIOIA viajou a convite do Centro Oficial de Turismo Espanhol e da Iberia Linhas Aéreas.
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