Turismo
04/05/2007 - 21h04

"Diário de Bordo": Bom humor ajuda a encarar burocracia nas alfândegas

da Folha Online

Depois dos dias agradáveis em Ushuaia, o casal Flávio Prado e Maira Hora viaja rumo a Río Gallegos, passando pelo estreito de Magalhães. Eles enfrentam de novo toda a burocracia das alfândegas. A solução é encará-la com humor. O relato faz parte da Expedição Cone Sul. Os dois vão conhecer as paisagens mais deslumbrantes da região, contando tudo para a Folha Online. A viagem começou em São Paulo e prevê passagens por cidades do sul do país, Argentina e Chile.

Acompanhe em tempo real a rota de Flávio e Maira.

Confira o relato do vigésimo sétimo dia (27 de março) desta aventura, contada por Maira.

Ouça o relato da viagem.

Travessia rumo a Río Gallegos

Deixamos a apaixonante Ushuaia despedindo-nos de sua incrível natureza e pessoas simpáticas. É definitivo e imperativo: meu coração é totalmente arrebatado por esta terra.

Flávio Prado/Folha Imagem
Serra do Paso Garibaldi, passagem para entrar e sair de Ushuaia, na Terra do Fogo
Serra do Paso Garibaldi, passagem para entrar e sair de Ushuaia, na Terra do Fogo

Saímos pela serra do Paso Garibaldi, em direção a Río Gallegos, que será a base para o próximo destino, o parque Los Glaciares, em El Calafate.

Antes de Río Gallegos, tínhamos pela frente quatro postos da Polícia Federal, dois argentinos e dois chilenos. A Terra do Fogo, onde fica Ushuaia, é cortada ao meio: metade pertence à Argentina, e a outra metade, ao Chile. As únicas passagens pelo estreito de Magalhães, que separa a Terra do Fogo do resto do continente sul-americano, ficam em território chileno.

As duas passagens pelo estreito são Punta Delgada e Punta Arenas. A primeira travessia, de balsa, custa 72 pesos argentinos (cerca de R$ 47) e dura apenas 25 minutos. Já em Punta Arenas você gastará o dobro do valor e mais tempo em terra, e a travessia por balsa durará cerca de duas horas e meia.

Saímos da Terra do Fogo argentina pela cidade de San Sebastián e passamos pelo posto da Polícia Federal argentina. Ao chegar, peça logo informações sobre o que fazer. A dica é perguntar duas vezes, porque vimos turistas sendo mandados ao lugar errado e ficando à toa em filas que não lhes serviam.

Entrando na parte chilena, a sinalização na estrada é precária e você pode se perder muito facilmente no meio das diversas bifurcações das pequenas estradas de rípio. Por isso, preste atenção e esteja sempre com o mapa em mãos.

Fichinhas e mais fichinhas

Flávio Prado/Folha Imagem
Caminhões e carros aguardam a balsa que faz a travessia do estreito de Magalhães
Caminhões e carros aguardam a balsa que faz a travessia do estreito de Magalhães

Na Polícia Federal chilena, você começa todo o processo novamente: no primeiro balcão, olham as coisas do carro; no segundo, você preenche fichinhas; no terceiro, preenche de novo alguma ficha que ninguém teve a sensibilidade de te entregar junto com as outras, que por acaso você já havia preenchido ao entrar, ao sair, ao entrar novamente e ao sair de novo.

Onde será que vão parar todas as fichinhas que você preenche diversas vezes? Esta é a pergunta que não quer calar. Seguimos por território chileno por mais ou menos 150 km de rípio até chegar à balsa que faz a travessia pelo estreito de Magalhães.

Saindo da balsa, novamente mais rípio, ainda em solo chileno. Chegamos à Polícia Federal chilena em Monte Aymond, onde ficou o meu mel. Vocês se lembram que não pude entrar com o mel, porque ele era natural e não tinha conservantes? Agora precisava apresentar a ficha de retenção do mel, retirá-lo e seguir viagem.

Fizemos todo o trâmite, e adivinhem? É claro que preenchemos todas as fichinhas de novo, só que não líamos mais nada, porque a história já estava ficando ridícula. Parecia o "Feitiço do Tempo", filme com Bill Murray em que todos os dias acontecem os mesmos eventos nos mesmos horários, e o protagonista se vê preso nesse pesadelo tedioso.

Já estávamos dando muita risada da "burrocracia". Tudo virou piada.

Entramos no carro e fomos para o posto da Polícia Federal argentina. Este é um pouco mais rápido, porque eles possuem computador e não pedem para preencher fichinhas que cairão no esquecimento.

De volta à estrada asfaltada da Argentina, seguimos para Río Gallegos e chegamos ao hotel Croácia, tão bem cuidado por Suzana e sua equipe.

Jantamos pizza. O engraçado é que ao nosso lado havia uma mesa com uma família de argentinos tomando Brahma, enquanto nós, dois brasileiros, tomávamos Quilmes e dávamos risada do procedimento lento das alfândegas.

Em sua aventura, o casal tem o apoio da Lenovo; da TIM Roaming Internacional; e da Virtual Track.

 

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