Turismo
24/09/2009 - 08h43

Em Paris, turista prova a rica enologia francesa

LUÍS FERRARI
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Paris

Não há no mundo lugar melhor do que a França para beber vinho nacional. Por isso, ao visitar Paris, uma alternativa idílica é tentar aprender por que, ao lado da gastronomia, o vinho francês é tão especial.

Ao lado do museu do Louvre, no espaço que no século 17 era a adega privada do sommelier particular do rei Luís 15, é possível descobrir isso.

A empresa que organiza as degustações oferece diversos pacotes, que vão de champanhe a bordo de um barco no rio Sena a combinações de vinhos e queijos na adega.

Degustação em "fromagerie" mescla sabores e histórias em Paris
Doce-escultura seduz olhar e paladar na capital francesa

Luís Ferrari/Folha Imagem
Degustação na loja Ô Chateau, que inclui vinhos, queijos e pães, na capital francesa
Degustação na loja Ô Chateau, que inclui vinhos, queijos e pães, na capital francesa

Os sommeliers garantem: quem se dá ao trabalho de ir à sede da Ô Chateau (www.o-chateau.com) em vez de reservar por telefone ou internet prefere a degustação em terra firme. Foi a opção da reportagem: cinco vinhos acompanhados de queijos e pães -um investimento de 65 euros, interessante por, de quebra, servir como almoço.

A jornada começa com champanhe. "É o rei das bebidas e a bebida dos reis", explica o sommelier Lionel, francês que já morou na Califórnia, Argentina e Austrália para expandir seus horizontes enológicos -o que lhe permitiu aprender o espanhol e o inglês, para ensinar também nessas línguas.

Após uma breve explanação que começa com o monge beneditino dom Pérignon e sua descoberta e termina com a recriminação do hábito de alguns americanos de misturar champanhe e suco de laranja -combinação chamada "mimosa", mas descrita por Lionel sem mimo nenhum-, o sommelier enfatiza que champanhe é uma bebida produzida apenas e exclusivamente numa região da França chamada Champagne.

Então ele conta como e por que existem as denominações de origem controlada, explica as particularidades dos rótulos das garrafas francesas -que trazem os locais de origem dos vinhos e não as uvas utilizadas "porque antigamente acreditavam que a pessoa já deveria saber quais as uvas predominantes em cada uma das regiões vitivinícolas da França".

A seguir vêm dois brancos. E mais um jorro de informações, pontuadas por pitadas de ironia. Ao explicar a coloração do vinho e as tonalidades que se deve procurar ao observá-lo no início da degustação, Lionel enfatiza a importância das garrafas de vidro esverdeado, mas sem muita pigmentação.

Com as instruções sobre a apreciação do aroma, surge uma dica prática. "Na dúvida, digam que o "bouquet" é complexo e depois sejam sinceros sobre as associações olfativas. Leva tempo até distinguir café de chocolate, por exemplo."

A seguir é apresentado o primeiro dos tintos. E junto com a orientação de como proceder para degustá-lo na boca, há dados interessantes para quem tem interesse em comprar algumas garrafas. Por exemplo: "A safra de 1997 foi uma das piores de todos os tempos. Na compra de uma garrafa desse ano é possível ganhar nove de graça", exagera o sommelier. "Já a de 2005, apesar de ainda recente, promete ser uma das melhores de todos os tempos."

Segundo Lionel, diferentemente do que acontece em outros países, na França é proibido misturar vinhos de anos diferentes antes de as garrafas irem ao mercado. Não é por outra razão que safras de anos diferentes podem repercutir de maneiras bastante diversas no momento da degustação.

Evidentemente, à medida em que as garrafas vão se acabando, o sommelier oferece os vinhos para venda. E, como de praxe, isso vem permeado de outras informações, como dicas para armazená-los. Escolha de preferência locais escuros, quietos, úmidos, de temperatura constante, e mantenha as rolhas úmidas (com as garrafas apoiadas lateralmente e com os rótulos voltados para cima).

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Veja a reportagem completa na edição de hoje da Folha (exclusivo para assinantes do jornal e do UOL)

 

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