Turismo
03/11/2009 - 10h29

Em Pequim, centro comercial tem mix arquitetônico e lojas a céu aberto

RAUL JUSTE LORES
da Folha de S.Paulo, em Pequim

Nem parece um shopping center, e foi justamente por sua arquitetura antimonotonia que o Village Sanlitun, inaugurado durante as Olimpíadas de 2008, virou uma grande atração turística em Pequim.

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Raul Juste Lores/Folha Imagem
Um dos 19 edifícios do shopping, que são ligados por vielas e passarelas como antigos conjuntos residenciais
Um dos 19 edifícios do shopping, que são ligados por vielas e passarelas como antigos conjuntos residenciais

Em vez de um único caixotão sem janelas com ar-condicionado e iluminação artificial o tempo todo, como a maioria desses centros comerciais, o Village é formado por 19 predinhos de três e quatro andares, desenhados por arquitetos de várias partes do mundo.

Raul Juste Lores/Folha Imagem
Na Uniqlo, as persianas mudam de cor e interferem na fachada do edifício
Na Uniqlo, as persianas mudam de cor e interferem na fachada do edifício

O shopping de 135 mil m2 é todo aberto. Não há muro ou portas e o mesmo material das amplas calçadas é empregado em suas galerias e corredores.

As 250 lojas são conectadas por vielas, pequenas praças com bancos, árvores e obras de arte ao ar livre, em uma distribuição inspirada nas ruazinhas do centro histórico de Pequim.

Algumas marcas ocupam sozinhas prédios inteiros. É o caso da Adidas, com mais de 3.000 m2 em uma construção de quatro andares revestida de vidro espelhado e ondulado.

Na praça principal, DJs e artistas se apresentam, um telão LED exibe clipes e uma fonte de águas saltitantes vira um molhado playground para as crianças se ensoparem.

"O modelo de shopping center do século 20 está morto e vai contra qualquer noção de sustentabilidade", disse à Folha o arquiteto Chris Law, responsável pelo plano piloto para o conglomerado Swire, dono do Village.

Ele chamou o japonês Kengo Kuma e arquitetos de seis países para criar esse espaço heterogêneo, como um microcosmos da cidade, em vez de uma sucessão de vitrines.

Raul Juste Lores/Folha Imagem
Fachada da loja da Mizuno, com parede toda revestida de dourado, compõe mix arquitetônico de centro comercial na capital chinesa
Fachada da loja da Mizuno, com parede toda revestida de dourado, compõe mix arquitetônico de centro comercial na capital chinesa

Os andares superiores são ligados por pontilhões e coroados por 30 restaurantes com terraços - nada que lembre a claustrofobia das praças de alimentação dos shoppings.

Um desses restaurantes, o Element Fresh, é o mais próximo que Pequim tem do paulistano Spot. Endereço para ver e ser visto, com um cardápio enxuto e básico, atrai as beldades locais em dieta permanente - as saladas são o forte do lugar.

No mês que vem, a praça norte do shopping será inaugurada ao redor do hotel Opposite House, que também faz parte do complexo. As onipresentes e previsíveis marcas globais Rolex, Longchamp, Agnès B., Roberto Cavalli e Montblanc abrirão filiais ali, comprovando que a originalidade arquitetônica do empreendimento não foi estendida ao mix de lojas.

Apple reina

Editoria de Arte/Folha Imagem

A desaceleração da economia chinesa é comprovada no Village, onde a ocupação da praça principal e das áreas comuns é inversamente proporcional à das lojas, vazias na maior parte do tempo. Só a Adidas, a grife japonesa Uniqlo e os restaurantes vivem cheios.

A loja mais movimentada é a da Apple, um cubo cinza de dois andares com uma dramática escada toda em vidro, sustentada apenas pelas extremidades, sem nenhuma coluna.

Os chineses se aglomeram para testar cada novidade, como o iPod Touch, que custa 1.598 yuans (US$ 235 ou R$ 401) ou o MacBook de 7.998 yuans (US$ 1.172 ou R$ 2.005). Filas nos caixas mostram que a crise passa longe da Apple de Pequim.

 

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