Turismo
10/11/2009 - 10h02

Turismo voltará a nível pré-crise com força de emergentes, diz relatório

FERNANDO PUCHOL
da Efe, em Londres

A recuperação do turismo aos níveis anteriores à crise econômica internacional não chegará antes de 2013 e ocorrerá pela força do crescimento dos países emergentes, um cenário que mudará profundamente as dinâmicas do setor no futuro.

Esta é a principal conclusão do relatório sobre tendências globais apresentado no primeiro dia do WTM (World Travel Market), a feira internacional de turismo de Londres, que durante quatro dias permitirá aos governos e empresas trocar opiniões sobre as condições da indústria, duramente atingida pela crise.

Elaborado conjuntamente pelo WTM e a empresa de consultoria Euromonitor International, o relatório destaca o forte impacto da recessão em 2009, que provocou uma queda de 8% de turistas, 16% na ocupação dos hotéis e de 14% na venda de bilhetes aéreos.

O estudo indica que a situação "passou de boa para uma ruptura em menos de um ano", devido à queda dos gastos, a dificuldade de acesso ao crédito e o aumento do desemprego, "abalando a confiança e a demanda".

Soma-se a isso o medo de viajar por causa da pela gripe A, que em países como o México, um dos principais mercados turísticos latino-americanos, reduziu à metade a presença de visitantes.

O efeito foi devastador no setor da aviação comercial, devido à volatilidade do preço do petróleo, com perdas estimadas, segundo os números da Iata (Associação de Transporte Aéreo Internacional), em US$ 11 bilhões em 2009.

Experiências

Por causa da crise, os consumidores responderam com uma redução de despesas superficiais, embora Euromonitor International tenha chamado a atenção para uma tendência, principalmente dos turistas asiáticos, de renunciar aos prazeres como os balneários e as férias.

A crise também gerou o ressurgimento de experiências esquecidas no passado, como a de passar férias perto de casa e inovações como o "glamping", um novo conceito de alojamento que poderia ser definido como "camping com glamour", situados em regiões de alto potencial paisagístico.

É o momento também das "nanoescapadas", férias de curta duração. É o momento ideal para ir atrás daquela oportunidade imperdível na internet, que pode reduzir o preço das férias em 50%.

Outro segmento que afrontou a crise como uma oportunidade é o dos pacotes fechados, uma fórmula pela qual optam os consumidores que querem saber de antemão quanto vão pagar e buscam segurança, declarou Caroline Bremner, uma das responsáveis do estudo de Euromonitor.

O mesmo ocorreu com as compras online, que aumentaram no último ano 4%, em um contexto da queda generalizada de 1% na venda a varejo.

Por áreas geográficas, o relatório destaca que a América Latina --a região menos atingida pela crise-- está deixando de ser um destino barato e se está passando a um destino de luxo.

Outra parte do estudo traz as estimativas da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo). No futuro, o instituto quer que os turistas em visitas ao Brasil gastem em média de US$ 20 mil cada um, bem longe dos atuais US$ 2.500.

Valor agregado

Outras tendências aparecem em países como os Estados Unidos, onde surgiu um mercado na população sem muito dinheiro, mas com bastante tempo livre, que emprega o dinheiro de seu subsídio do desemprego para financiar férias.

Na Europa Ocidental, a novidade serão as férias com um serviço personalizado, os pacotes que buscam diferenciar-se oferecendo um valor agregado, no qual os viajantes recebem ajuda personalizada para assistir a concertos e outros atos culturais em suas viagens.

Do Oriente Médio, surge o turismo com alojamento só para mulheres, com o objetivo de sortear as ferrenhas normas islâmicas que impedem a uma cidadã viajar sem o acompanhamento de um homem, com a criação de hotéis atendidos em 100% por mulheres e que só aceita mulheres como hóspedes.

A África será beneficiária pelo efeito Obama, que disparou o turismo de raízes, o turismo à procura do DNA, até o ponto que as companhias americanas especializadas no tráfego aéreo entre os Estados Unidos e a África viram crescer seu volume de negócio em 33% entre janeiro e maio de 2009.

 

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