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A
Mesopotâmia
Cada civilização foi, a seu tempo e a seu modo,
atribuindo significados e recheando de lendas e mitos o que
viam no céu. Assim, os planetas (as "estrelas
errantes"), o Sol e a Lua descreviam um padrão
ordenado que servia de contraponto simbólico aos eventos
da Terra. O céu passou a ocupar o lugar de uma ordem
maior, em contraposição à desordem terrena.
(Um exemplo disso é a palavra KOSMOS, que em grego
significa ORDEM, de onde se originou palavras como cósmico,
cosmos).
A observação e atribuição de significados
aos fenômenos celestes, no ocidente, estão registradas
desde a
Mesopotâmia
A astrologia que se ocupa de levantar mapas para saber os
melhores momentos para tomar decisões ou encaminhar
ações, responder perguntas, analisar eventos
do mundo social, político ou individual -e que faz
tudo isso com base em uma carta celeste que tem um ponto de
início e divisões que podem começar em
signos ou em um grau, carta esta que coloca neste círculo
o Sol, a Lua e outros corpos celestes ou a Roda da Fortuna-,
esta astrologia nasceu na Mesopotâmia.
Para um exemplo do tipo de anotação de presságios
do período acádio, veja o seguinte trecho:
"Se Vênus aparecer a Oeste no mês de Airu
e os Grandes e Pequenos Gêmeos circundarem-na, todos
os quatro, e ela estiver escura, então o rei de Elam
cairá doente e não permanecerá vivo".
"A adivinhação dos presságios encontra
a sua justificativa na crença de que os eventos que
ocorriam ao mesmo tempo eram conectados e por esta razão,
chamados de associação circunstancial. Coincidência,
no seu sentido moderno, sugerindo uma oportunidade ou qualidade
fortuita, não tinha relevância e, para os mesopotâmios,
se dois eventos ocorriam ao mesmo tempo, isto era suficiente
para sugerir uma relação significante entre
eles: quando uma coisa acontecia ela era tão importante
quanto o que havia acontecido. A adivinhação
podia também ser classificada em dois tipos fundamentais:
a operacional ou provocada, por um lado, e a observada, ou
não provocada, por outro lado. A primeira permitia
ao adivinho tomar a iniciativa, perguntando aos deuses e assegurando-se
de uma resposta "(...) e a Segunda requeria que "o
adivinho esperasse até que os deuses tomassem a iniciativa
através do envio de um sinal, talvez um nascimento
deformado, o vôo de pássaros ou, para o astrólogo,
um eclipse ou cometa. Tais adivinhações teriam
lugar costumeiramente em um local e um tempo específicos
- no templo.
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A adivinhação não provocada e observacional
requeria que o adivinho permanecesse passivo; a adivinhação
provocada ou operacional demandava ativa intervenção
no diálogo com a divindade. Ambas as formas desenvolveram-se
na astrologia grega, a primeira lidava com a doutrina das
influencias planetárias, nas quais as forças
celestiais eram impingidas aos negócios humanos; a
Segunda apareceu ocasionalmente no que ficou conhecido na
Europa medieval como "interrogações",
ou perguntas feitas e respondidas de acordo com complexas
regras astrológicas. O diálogo político
foi então expandido a uma série potencialmente
ilimitada de perguntas e respostas a que reis, sacerdotes
e deuses respondiam-nas a cada uma de suas iniciativas.
Tanto quanto sabemos dos registros disponíveis, a astrologia
mesopotâmica permaneceu em sua forma mais simples até
depois do século 8 a C, quando parece Ter se iniciado
a condensação dos registros astronômicos
e os astrólogos formaram uma classe distinta de analistas
políticos, que aconselhavam os imperadores assírios
nos negócios diários, muito parecido com o moderno
serviço civil que aconselha os mestres políticos.
Seu propósito era implementar a liberdade de ação
do monarca dentro dos limites prescritos pelos deuses, pelo
tempo e pelos ciclos de existência"
- Nicholas Campion - The Great Year, pag 52-53.
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mais sobre a Mesopotâmia
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