Videocast
21/08/2008 - 09h25

Eleitores devem ficar atentos às supervalorizações dos candidatos; veja

da Folha Online

O horário político eleitoral teve início nesta semana e muitos candidatos, não apenas na televisão, mas em sites e debates, aumentam número de obras e omitem deficiências. Conforme a Folha apurou, em reportagem publicada no último dia 7, Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM), por exemplo, institucionalizaram esse "jeitinho" em sites e no material distribuído pelas ruas.

Neste videocast, o cientista político Carlos Melo fala sobre esta situação e orienta os eleitores para que não sejam enganados pelas promessas dos candidatos. Confira o especial das Eleições 2008.

Tanto no site como no panfleto de 500 mil exemplares de Marta, a construção de 149 prédios foi convertida em "191 novas escolas". Para a campanha petista, cada CEU (Centro Educacional Unificado) -que reúne três escolas- vale como cinco unidades.

O argumento petista é o de que, nos CEUs, as creches têm o dobro da capacidade de uma unidade convencional. Por isso são contabilizadas como duas.

Governador do Estado de 2001 a 2006, Alckmin, por sua vez, recorreu ao antecessor Mário Covas --de quem foi vice-- para engordar o portfólio.

No panfleto, a dupla Alckmin e Covas é apresentada, por exemplo, como responsável pela instalação de 14 hospitais na Grande São Paulo. Sem Covas, sua cota cairia para quatro.

Já na capa de um jornal de Kassab dedicado à educação (50 mil exemplares) são listadas 217 novas escolas e 25 novos CEUs. Os dados são acompanhados, em letras garrafais, pela inscrição "Quem fez tudo isso vai fazer muito mais".

A prefeitura, no entanto, só entregou 13 CEUs --e promete entregar outros 12 até o fim do ano. Das 217 escolas listadas, 57 ainda não foram concluídas. A assessoria do candidato alega que o jornal explica que as obras estão em andamento.

Melo diz que quando se fala de educação --do número de escolas ou do número de vagas--, por exemplo, os políticos podem fazer dez escolas e produzir cinco mil vagas ou podem fazer uma única escola e ter cinco mil vagas. "Nenhum dos dois estaria errado ou correto, mas, como não há uma medida certa, cada candidato utiliza os dados que ele põe da forma que melhor lhe convém", afirma.

Segundo o cientista político esta prática lembra muito o que os gregos chamavam de sofismo. "A partir das premissas corretas se chega a conclusões incorretas, levando ao erro", explica

Ainda de acordo com Melo, as promessas são problemas sérios. "Os candidatos usam frases no infinitivo, como 'promover a readequação do trânsito em São Paulo', mas promover como? Promover de que forma? Isso nunca fica claro nos discursos políticos", afirma.

Ele explica que para não ser enganado, o eleitor deve estar sempre bem informado. "É preciso discutir mais política em casa, nas escolas, nas indústrias e nos bares, para disseminar as boas análises sobre os candidatos".

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