Na bossa nova, mulher é musa e não bandida; veja Carlos Lyra
VIVIAN RETZ LUCCI
Editora de Multimídia da Folha Online
A leveza não estava limitada à melodia e ao canto. Na bossa nova, os temas tratados pelos jovens compositores estavam longe dos casos de amor mal resolvidos, traições e abandonos de lar. "A mulher nunca estragaria a vida de um homem na bossa nova, ela sempre seria uma espécie de musa e nunca seria uma bandida que traiu e que fez o cara beber até a morte."
Neste videocast, o cantor e compositor Carlos Lyra fala sobre os primeiros encontros dos músicos que formariam a geração pioneira da Bossa Nova. Veja também as entrevistas com a filha de Vinicius Susana de Moraes e Roberto Menescal.
Com a gravação do disco "Chega de Saudade", de João Gilberto, 1959 foi considerado o ano marco da bossa nova. Nesse disco despontavam duas duplas de compositores, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli.
Segundo Lyra, o lançamento do LP definiu o que seria o novo estilo musical, até então não muito familiar aos ouvidos do público. "Era uma interpretação suave, discreta, que contradizia o que vinha acontecendo antes com a interpretação dos cantores da Rádio Nacional."
O canto "gritado" foi transformado em uma voz suave acompanhada de uma melodia sofisticada, com influência e inspiração no jazz "west coast" americano, no bolero mexicano e na música francesa, descendente de Maurice Ravel e Claude Debussy. "Não esquecendo Chopin e Villa-Lobos. As letras eram poéticas e comportadas", diz Lyra
O cenário
A então capital do Brasil, o Rio de Janeiro da década de 50, era um lugar de encontros. Quase todos os componentes da bossa nova estavam na zona sul e quem não morava na região vinha de outros locais para as reuniões que eram realizadas no apartamento de Nara Leão, em Copacabana.
"Sendo o foco desse surto cultural, pessoas de outros Estados vinham para o Rio, como João Gilberto veio da Bahia, Sérgio Ricardo de São Paulo e João Donato do Acre. Aqui nasceu a bossa nova", diz o compositor.
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