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24/09/2008 - 09h22

Após terceiro mês de gestação, diminui o risco de aborto; assista

da Folha Online

Atualmente, o ideal para quem deseja ter filhos é planejar a gestação, pois, dessa maneira, muitos problemas podem ser evitados, como a administração de ácido fólico --vitamina essencial para o desenvolvimento neurológico do bebê.

Segundo Lucila Evangelista, ginecologista e obstetra do hospital Albert Einsten, toda mulher deveria procurar um médico três meses antes de programar a gravidez, para prevenir problemas de saúde da criança. Assista a entrevista no quadro Mais Saúde, desta semana.

Evangelista orienta o exame de sangue antes de engravidar. Desta forma, é possível detectar se há imunidade contra rubéola e catapora, por exemplo, que podem causar problemas de má-formação no bebê.

Ela diz que o acompanhamento pré-natal freqüente, pelo menos uma vez por mês, é uma medida básica, pois "cada ponto da gestação tem uma necessidade diferente. Toda a gravidez precisa de cuidados", afirma a médica.

O risco de ocorrer abortos até o terceiro mês de gravidez é alto. Segundo a ginecologista, quando isso ocorre é provável que o embrião tivesse algum defeito e que, naturalmente, interrompeu o seu desenvolvimento. "Existe realmente um risco, de 10 a 15%, da gravidez não ir pra frente até o terceiro mês. Depois, a chance de abortos espontâneos cai brutalmente. Numa gravidez normal, isso não existe", explica Evangelista.

Exercícios

Atividades físicas moderadas são indicadas para a gestante, no entanto, a ginecologista não aconselha a corrida, a médica diz que trata-se de um exercício que gasta muita caloria.

A obstetra alerta que se a mulher nunca fez exercício não deve começar só porque engravidou. "Neste caso, é bom fazer, por exemplo, uma hidroginástica especial para gestantes ou ioga. Mas, se já fazia exercícios antes de engravidar, como musculação, ela pode apenas diminuir a quantidade fazendo 20% a menos do que estava acostumada", orienta.

Os enjôos fazem parte das queixas mais freqüentes das mulheres no início da gravidez. Porém, segundo a médica, as náuseas quase sempre desaparecem depois do terceiro mês de gestação.

Nessa fase, Evangelista aconselha a não se preocupar com o peso ou com a alimentação muito balanceada, pois quando a mulher sente muita náusea, a única coisa que ela consegue comer é carboidrato. "A gestante sente náusea quando está muito tempo sem comer, por isso deve fazer pelo menos cinco refeições leves por dia e se concentrar em carboidratos, como arroz, batata e macarrão. Depois da 12ª semana de gestação, ela pode fazer uma alimentação mais balanceada".

Ela lembra que a tontura e o desmaio têm suas causas na alimentação.

A partir do sétimo mês, a ginecologista orienta a não dormir de costas, pois essa posição comprime mais as veias [responsáveis por levar sangue ao coração] e a mulher se sente mal. Segundo Evangelista, é só deitar de lado.

Outro detalhe importante é ficar atento aos movimentos do bebê a partir do quinto mês, pois caso não sinta qualquer agitação da criança, diariamente, o médico deve ser comunicado rapidamente.

Evangelista explica também que os óvulos das mulheres, a partir dos 35 anos de idade, têm um potencial de fertilidade menor e, inclusive, elas correm o risco de ter filhos com síndrome de Down. Antes dos 18 anos de idade também há riscos. "É bom evitar os extremos", diz.

Alimentação

Sobre os alimentos no período da gestação, as mulheres não devem consumir carne vermelha crua, como quibe cru e carpaccio, pelo risco de toxoplasmose, assim como vegetais e ovo cru, e leite e queijo não-pasteurizados. É aconselhável evitar a cafeína em excesso e comer de maneira mais variada possível.

"O importante é fracionar a alimentação, pois grávida não precisa comer por dois. O ideal é engordar, durante os nove meses, de nove a 12 quilos", afirma.

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