Especialista comenta "falha" de Obama; assista
da Folha Online
A grave crise financeira enfrentada pelos Estados Unidos dominou o segundo dos três debates presidenciais antes das eleições de 4 de novembro. O republicano John McCain e o democrata Barack Obama se enfrentaram na noite desta terça-feira (7), na Universidade Belmont, em Nashville, Tennesse.
Apesar de a situação econômica desfavorecer os dois partidos, Obama, na opinião da professora de História Contemporânea da USP, Maria Aparecida de Aquino, teve o melhor desempenho no confronto. Neste videocast, ela comenta os principais assuntos debatidos pelos candidatos presidenciáveis dos EUA.
"Ele realmente se saiu muito bem. Acho que se saiu muito melhor e o McCain, durante muito tempo, tentou se desvincular da imagem do Bush. É óbvio que hoje é um fardo, mais do que qualquer outra coisa. Mas ficou muito difícil [para McCain] e ele se contradisse algumas vezes", diz a professora.
Apesar desse bom desempenho, ela comenta um deslize cometido pelo democrata.
"Houve um determinado momento em que a pergunta era 'o que nós vamos fazer com o Paquistão?' Por que é que foi feita essa pergunta? Porque tradicionalmente se diz que o Paquistão é celeiro de terroristas e o deslize do candidato Obama foi exatamente na direção de dizer 'eu vou chegar no Paquistão, vou matar Osama Bin Laden e vou destruir a Al Qaeda'. Ele não formulou isso, mas é quase que fosse a possibilidade 'eu vou invadir o Paquistão' e, neste momento, o McCain, muito esperto, pegou no ar a possibilidade de passar por cima do outro e nessa oportunidade fez o que o nosso amigo Obama deveria ter feito, ou seja, 'eu vou ajudar o Paquistão, porque é no auxílio do Paquistão, consolidando a democracia paquistanesa, é que não haverá mais espaço para aumentar o terrorismo na região", explica.
Sobre a crise econômica, Aquino diz que a diferença entre os dois candidatos ficou clara durante o programa. "John McCain continua afirmando que o que é preciso fazer é continuar com o mesmo tipo de política, que é uma política em que não há controle sobre os mercados. Só que parece que, agora, está num momento de esgotamento. E o candidato Obama demonstrou muita esperteza ao apontar para a necessidade de regulamentações", explica.
Outro assunto que evidenciou a diferença na postura dos candidatos foi sobre o plano de retirada das tropas no Iraque. Segundo a professora, o candidato Obama observou que a sua proposta é de retirada das tropas. "Ele tem um plano de retirada. Ele não citou, mas quem acompanha a política sabe que por esse plano, é uma retirada ao longo de 16 meses. Então, ao fim destes 16 meses não deve haver soldados dos EUA na região. E McCain disse que também acha que não deve permanecer, eternamente, as tropas lá, mas que elas sairão com a vitória. Então, está na dependência da retirada das tropas a vitória. Então isso é uma clara diferença entre ambos para uma questão que é crucial."
Veja como foi o debate.
O senador democrata foi o primeiro a falar e reiterou suas críticas às "políticas falidas do governo George W. Bush". Já o republicano McCain repetiu suas propostas contra a crise e rebateu o ataque.
Obama lembrou que o país vive a pior crise financeira desde a Grande Depressão. Ele ressaltou que o plano aprovado nesta semana pelo governo --e que prevê a injeção de US$ 700 bilhões para a compra de títulos "podres" sem liquidez dos bancos pelo Estado-- deve vir com maior supervisão e garantia de que os contribuintes terão seu dinheiro de volta.
Entenda a crise financeira dos EUA
O democrata reiterou seu apoio à classe média e garantiu que vai cortar impostos, ajudar os proprietários de casas e criar empregos.
Em sua vez, McCain afirmou que os "americanos estão irritados e temerosos" com a crise. Ele disse ter um plano que envolve a questão energética e que a economia está profundamente ligada ao fim da dependência de petróleo estrangeiro.
"Precisamos parar de enviar dinheiro a países que são nossos inimigos, precisamos cortar impostos, precisamos de um pacote de reformas que leve à prosperidade e paz no mundo", disse.
Ele falou ainda dos sacrifícios que seu governo terá que enfrentar para ajudar os donos de casas que não têm mais dinheiro para pagar a hipoteca. "Eu, como presidente, exigirei que o Tesouro compre as hipotecas sem liquidez e ajude as pessoas. Isso é caro? Sim, mas se não fizermos isso, não conseguiremos prosperar e colocar as pessoas de volta aos empregos", afirmou.
Obama novamente tentou mostrar que entende a situação do povo americano e reiterou que o povo precisa de uma liderança que resolva todos os problemas. Ele reafirmou suas críticas ao governo de Bush, lembrando que, quando o republicano assumiu pela primeira vez, o país tinha um superávit orçamentário e agora enfrenta dívida de trilhões de dólares.
McCain rebateu tentando se distanciar da imagem de Bush. Enquanto andava pelo palco, falando pausadamente, o republicano afirmou que Obama votou por aumento de impostos em várias ocasiões.
Os dois presidenciáveis participam ainda de um último debate, na quarta-feira (15). O confronto acontece na Universidade Hofstra, em Hempstead, Nova York. O jornalista Bob Schieffer comandará o evento sobre a economia americana em formato similar ao do primeiro encontro, onde os dois debatem diretamente.
Leia mais
- ÁUDIO: Política externa diferencia propostas de Obama e McCain; ouça professor
- Leia o blog Folha na Sucessão de Bush
- Veja os principais momentos do debate entre McCain e Obama
- Crise financeira e críticas dão o tom ao início do debate nos EUA
- Crise dá o tom do 2º debate; Obama e McCain reforçam qualificação
- Entenda os princípios do regime democrático; leia capítulo
Livraria
- Entenda os ESTADOS UNIDOS, sua história, política externa, a CIA, o dólar e as guerras
- Jornalista explica a ESPECULAÇÃO FINANCEIRA e o fluxo de capitais; leia capítulo
- Livro explica o funcionamento e conceitos da DEMOCRACIA; leia capítulo
Especial
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
avalie fechar
avalie fechar
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
avalie fechar