Videocast
08/10/2008 - 10h31

Especialista comenta "falha" de Obama; assista

da Folha Online

A grave crise financeira enfrentada pelos Estados Unidos dominou o segundo dos três debates presidenciais antes das eleições de 4 de novembro. O republicano John McCain e o democrata Barack Obama se enfrentaram na noite desta terça-feira (7), na Universidade Belmont, em Nashville, Tennesse.

Apesar de a situação econômica desfavorecer os dois partidos, Obama, na opinião da professora de História Contemporânea da USP, Maria Aparecida de Aquino, teve o melhor desempenho no confronto. Neste videocast, ela comenta os principais assuntos debatidos pelos candidatos presidenciáveis dos EUA.

especialista comenta debate

"Ele realmente se saiu muito bem. Acho que se saiu muito melhor e o McCain, durante muito tempo, tentou se desvincular da imagem do Bush. É óbvio que hoje é um fardo, mais do que qualquer outra coisa. Mas ficou muito difícil [para McCain] e ele se contradisse algumas vezes", diz a professora.

Apesar desse bom desempenho, ela comenta um deslize cometido pelo democrata.
"Houve um determinado momento em que a pergunta era 'o que nós vamos fazer com o Paquistão?' Por que é que foi feita essa pergunta? Porque tradicionalmente se diz que o Paquistão é celeiro de terroristas e o deslize do candidato Obama foi exatamente na direção de dizer 'eu vou chegar no Paquistão, vou matar Osama Bin Laden e vou destruir a Al Qaeda'. Ele não formulou isso, mas é quase que fosse a possibilidade 'eu vou invadir o Paquistão' e, neste momento, o McCain, muito esperto, pegou no ar a possibilidade de passar por cima do outro e nessa oportunidade fez o que o nosso amigo Obama deveria ter feito, ou seja, 'eu vou ajudar o Paquistão, porque é no auxílio do Paquistão, consolidando a democracia paquistanesa, é que não haverá mais espaço para aumentar o terrorismo na região", explica.

Sobre a crise econômica, Aquino diz que a diferença entre os dois candidatos ficou clara durante o programa. "John McCain continua afirmando que o que é preciso fazer é continuar com o mesmo tipo de política, que é uma política em que não há controle sobre os mercados. Só que parece que, agora, está num momento de esgotamento. E o candidato Obama demonstrou muita esperteza ao apontar para a necessidade de regulamentações", explica.

Outro assunto que evidenciou a diferença na postura dos candidatos foi sobre o plano de retirada das tropas no Iraque. Segundo a professora, o candidato Obama observou que a sua proposta é de retirada das tropas. "Ele tem um plano de retirada. Ele não citou, mas quem acompanha a política sabe que por esse plano, é uma retirada ao longo de 16 meses. Então, ao fim destes 16 meses não deve haver soldados dos EUA na região. E McCain disse que também acha que não deve permanecer, eternamente, as tropas lá, mas que elas sairão com a vitória. Então, está na dependência da retirada das tropas a vitória. Então isso é uma clara diferença entre ambos para uma questão que é crucial."

Veja como foi o debate.

debate EUA

O senador democrata foi o primeiro a falar e reiterou suas críticas às "políticas falidas do governo George W. Bush". Já o republicano McCain repetiu suas propostas contra a crise e rebateu o ataque.

Obama lembrou que o país vive a pior crise financeira desde a Grande Depressão. Ele ressaltou que o plano aprovado nesta semana pelo governo --e que prevê a injeção de US$ 700 bilhões para a compra de títulos "podres" sem liquidez dos bancos pelo Estado-- deve vir com maior supervisão e garantia de que os contribuintes terão seu dinheiro de volta.

Entenda a crise financeira dos EUA

O democrata reiterou seu apoio à classe média e garantiu que vai cortar impostos, ajudar os proprietários de casas e criar empregos.

Em sua vez, McCain afirmou que os "americanos estão irritados e temerosos" com a crise. Ele disse ter um plano que envolve a questão energética e que a economia está profundamente ligada ao fim da dependência de petróleo estrangeiro.

"Precisamos parar de enviar dinheiro a países que são nossos inimigos, precisamos cortar impostos, precisamos de um pacote de reformas que leve à prosperidade e paz no mundo", disse.

Ele falou ainda dos sacrifícios que seu governo terá que enfrentar para ajudar os donos de casas que não têm mais dinheiro para pagar a hipoteca. "Eu, como presidente, exigirei que o Tesouro compre as hipotecas sem liquidez e ajude as pessoas. Isso é caro? Sim, mas se não fizermos isso, não conseguiremos prosperar e colocar as pessoas de volta aos empregos", afirmou.

Obama novamente tentou mostrar que entende a situação do povo americano e reiterou que o povo precisa de uma liderança que resolva todos os problemas. Ele reafirmou suas críticas ao governo de Bush, lembrando que, quando o republicano assumiu pela primeira vez, o país tinha um superávit orçamentário e agora enfrenta dívida de trilhões de dólares.

McCain rebateu tentando se distanciar da imagem de Bush. Enquanto andava pelo palco, falando pausadamente, o republicano afirmou que Obama votou por aumento de impostos em várias ocasiões.

Os dois presidenciáveis participam ainda de um último debate, na quarta-feira (15). O confronto acontece na Universidade Hofstra, em Hempstead, Nova York. O jornalista Bob Schieffer comandará o evento sobre a economia americana em formato similar ao do primeiro encontro, onde os dois debatem diretamente.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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