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09/10/2008 - 14h32

Michelle Obama evita ataques e diz não se importar com comentários de McCain

colaboração para a Folha Online

Michelle Obama, mulher do presidenciável democrata, disse não se importar com as duras críticas ao seu marido feitas pela chapa republicana e que as acusações "fazem parte da política".

Em entrevista a Larry King, da rede CNN, Michelle disse não ter se ofendido com o comentário de John McCain no debate desta terça-feira, quando o senador se referiu ao seu marido como "aquele lá" --e criou a maior polêmica do confronto.

Michelle Obama

"As pessoas estão assustadas. Elas estão nervosas com a economia. Elas não se importam com este tipo de vai-e-volta entre os candidatos. Eles querem respostas reais sobre o que está acontecendo", disse Michelle, em argumento que repetiu inúmeras vezes durante a entrevista. "Então isto é parte da política, de como as pessoas avaliam as coisas", continuou.

Para Michelle, a polêmica em torno do "aquele lá" é algo criado pelos especialistas envolvidos na cobertura da eleição americana e não algo que efetivamente chega aos eleitores e possa afetar as urnas.

Ela revelou ainda que presta tanta atenção no que Barack Obama está falando durante o debate que estes "ataques infundados não ficam registrados". "Há tanta coisa acontecendo na sala que uma frase aqui ou lá não ressoa", completou.

Michelle estava na audiência do debate desta terça-feira, na Universidade Belmont, em Nashville. Ela passou a noite observando atentamente seu marido e a reação dos eleitores indecisos selecionados para a platéia.

Evan Agostini-08out.08/AP
Michelle Obama, wife of Democratic presidential candidate Sen. Barack Obama, makes an appearance on 'The Daily Show with Jon Stewart' on Wednesday, Oct.8, 2008 in New York. (AP Photo/Evan Agostini)
Michelle Obama diz não se importar com ataques a seu marido

Faz parte

Questionada se Obama e McCain se odeiam como aparenta na troca de ataques constante, Michelle disse que, "ao menos do lado de Obama", ele tem o maior respeito por McCain. "Ele disse isso inúmeras vezes. Você sabe, esta foi uma longa batalha. E a política às vezes leva a coisas ditas entre os candidatos."

Em um tom um tanto demagogo, Michelle evitou criticar diretamente o senador McCain ou sua companheira de chapa, Sarah Palin, e aproveitou cada oportunidade para destacar o preparo de Obama e sua preocupação com o povo americano.

"Seu marido parece tão tranqüilo. Ele não fica irritado?", perguntou King. "Sim, mas ele não fica irritado com estas coisas. Você ouviu o debate, quando você viu sua paixão ao falar da crise do sistema de saúde e de sua mãe morrendo de câncer no ovário e como ele ficou bravo de ver as companhias de seguro saúde se preocupando com os pagamentos em vez da saúde de sua mãe", respondeu a democrata.

Obama falou da morte de sua mãe para rebater as críticas de McCain e reforçar seu plano por um sistema de saúde universal. Tanto ele quanto o rival republicano falaram inúmeras vezes de seu histórico pessoal e profissional para mostrar aos eleitores sua qualificação para ocupar a Presidência.

"Isso é o que deixa Barack nervoso. Não é algo dito sobre ele, mas a injustiça que estamos vendo no país", completou, Michelle, que afirmou não ter tempo para assistir a televisão e aos comerciais críticos lançados pela campanha republicana --"nós teríamos que estar na mesma sala ao mesmo tempo", respondeu.

Terroristas

Michelle também pareceu não se abalar quando questionada sobre os comentários de Palin, neste fim de semana, de que Obama tem ligação com terroristas "que atingiram seu próprio país".

"Isso não te deixa brava?", perguntou King. "Você sabe, por sorte, eu não quero", respondeu Michelle, sem maiores comentários.

Pressionada pelo apresentador, Michelle afirmou que ela e o marido conhecem William Ayers, ex-integrante de um grupo radical dos anos 60 a quem Palin se referiu. "Eu não conheço ninguém em Chicago que esteja envolvido com política educacional e não conheça Bill Ayers", respondeu.

"O que eu encorajo as pessoas é a julgar Barack e todos estes candidatos com base no que eles fazem, suas ações, seu caráter e o que eles fazem em sua vida. Não o que alguém fez quando eles tinham oito ou seis anos de idade apenas", continuou, em uma referência indireta a McCain que, ao criticar Obama e ouvir gritos de "socialista", "terrorista" e "mentiroso", não advertiu a audiência para o risco de alimentar discursos de ódio.

Michelle aproveitou ainda a deixa de King, que lembrou que o grupo radical em questão, Weather Underground, começou com a família Annenberg. "Sim, e a senhora Annenberg, na verdade, endossou John McCain".

"Não podemos deixar sentimentos feridos. Não importa quem ganhe a corrida, nós vamos precisar dos independentes e vamos precisar de John McCain", concluiu.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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