Videocast
16/10/2008 - 14h01

Crise mostra que as pessoas caminham sobre abismo; veja Eduardo Giannetti

da Folha Online

O mercado financeiro, que parecia seguro, se desequilibrou. Quem se acostumou a ganhar sempre, passou a vender desesperadamente seus ativos. O mundo vinha caminhando em cima de uma tábua estreita, avançando, e todos acreditavam que enriqueciam cada vez mais. De repente, as pessoas se deram conta de que a tábua está suspensa no abismo, e elas se sentiram inseguras, incertas e perderam o equilíbrio.

Neste videocast, veja a entrevista de Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, filósofo e professor do Ibmec São Paulo.

Eduardo Giannetti

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Giannetti cita Avicena, um filósofo árabe do século 11 que, segundo o professor, traçou um bom cenário que pode servir como exemplo para que se compreenda o momento de crise financeira vivido no planeta.

"Uma pessoa caminha sem dificuldade por uma tábua estreita, enquanto acredita que ela está suspensa no solo. No momento que essa pessoa se dá conta de que esta tábua está sobre o abismo, ela vacila e despenca", exemplifica.

A intervenção do governo por meio dos pacotes de socorro está tentando dar limites à crise. "O que o Estado está fazendo agora é colocar uma espécie de rede de proteção pra impedir que esta queda no abismo leve ao desastre", explica o economista.

Realização pessoal

Giannetti faz uma comparação da sociedade atual com outras épocas da história da humanidade. Para ele, o mundo avançou em termos de tecnologia e prosperidade, mas ao invés das pessoas se libertarem, elas se tornaram escravas de suas realizações financeiras.

"Se nós tivéssemos realmente avançado com o objetivo de prosperar, estaríamos mais preocupados com outras questões da vida. É como se toda a nossa realização humana dependesse do sucesso nessa métrica muito questionável que é a métrica da riqueza. "

Preocupação Ambiental

Para o professor, este é o momento de refletir sobre a responsabilidade ambiental e que uma certa redução do nível de crescimento econômico no mundo pode ser bem-vinda.

"Até mesmo os países que assinaram o Protocolo de Kyoto não estão cumprindo os termos do acordo. Um mundo um pouco menos agressivo no uso de recursos naturais pode nos dar uma pausa necessária para que as novas tecnologias venham a substituir essa atitude muito inconseqüente que a humanidade vem tendo, desde a Revolução Industrial, de jogar todo o resíduo e toda a poluição de sua atividade econômica na atmosfera", conclui Giannetti.

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