BC tem ação correta diante de crise; veja Maílson da Nóbrega
da Folha Online
O Banco Central vêm atuando de forma correta diante dos desafios impostos pela crise financeira global, analisou Maílson da Nóbrega. Segundo ele, o governo fez o certo em deixar que a autoridade monetária brasileira ficasse na linha de frente no combate aos efeitos negativos da crise.
Segundo ele, a ação dos governos americano e dos países europeus também foi na direção certa ao evitar ao máximo a quebra do setor bancário, o que causaria um colapso no crédito. Ele ainda criticou a possibilidade do uso do depósito compulsório para financiar empresas que tiveram perdas com apostas erradas sobre o câmbio no mercado financeiro.
Neste videocast, veja a entrevista de Maílson da Nóbrega, sócio da Consultoria Tendências e ex-ministro da Fazenda.
"O Banco Central vem agindo de forma muito competente, adotando os instrumentos adequados, conversando com os mercados, e provavelmente vai adotar novas medidas, particularmente na irrigação do mercado cambial. Assim cria as condições para o restabelecimento mínimo do comércio exterior", disse Nóbrega.
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Mas Nóbrega acredita que o governo ainda pode agir em outras frentes que não a financeira. Um exemplo seria anunciar medidas para sinalizar uma maior austeridade fiscal. "É razoável não manter o mesmo nível de gastos", analisa. O ex-ministro também cita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia mobilizar a sociedade brasileira no sentido de adotar medidas para reforçar os alicerces da economia brasileira, como a aprovação do cadastro positivo e da reforma tributária.
EUA e Europa
Assim como por aqui, Nóbrega considerou corretas as ações tomadas pelo governo dos Estados Unidos e dos países que compõem a União Européia (UE), que injetaram recursos tanto nos empréstimos interbancários --o que garante a liquidez do sistema-- e nas próprias empresas financeiras, o que ajuda a dar confiança nestas companhias. "Nenhum governo responsável aceita a quebra de seu sistema financeiro", disse o economista.
Por isso, ele avalia que o único erro importante até o momento foi a negativa do governo americano em ajudar o banco de investimento Lehman Brothers, que acabou quebrando e gerou o estopim de desconfiança no mercado financeiro. "Ele errou na ação do Lehman Brothers porque acentuou a percepção de crise", explica. No dia seguinte, o governo americano se viu obrigado a injetar cerca de US$ 80 bilhões na AIG, a maior seguradora do mundo, o que abriu o caminho para as outras nacionalizações parciais que virão.
Apesar do processo de entrada dos governos no mercado financeiro, Nóbrega disse que isso não significa que a situação permanecerá. "Assim que retomar a normalidade, [os papéis dos bancos] serão vendidos", disse. Inclusive o ex-ministro acredita que ao final do processo o contribuinte ainda sairá ganhando, porque o governo comprou as participações a um preço abaixo do de mercado e venderá por bem mais quando o mercado acionário estiver normalizado --o que demorará, segundo ele, de três a quatro anos.
Compulsório
Sobre as perdas que diversas empresas exportadoras terão por terem realizado apostas erradas sobre o câmbio, o economista critica a hipótese do uso do depósito compulsório para financiá-las.
"É uma atitude absolutamente equivocada. Essas empresas assumiram riscos, algumas de forma consciente e outras por desinformação, e não cabe agora socializar esses gastos", analisou. "Evidentemente que o governo pode ajudar essas empresas em termos de capital de giro. Mas eu diria que a melhor ajuda que o governo pode dar a essas empresas não é fazer caridade com os compulsórios, mas atuando para restabelecer as condições de normalidade no mercado de câmbio".
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Ah, esqueci, essas pessoas só passam fome porque nao tiveram a 'tenacidade' para vencer na vida....
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Bem, essa forma de analise discordo. O que Obama fez em relação à crise foi a única opção e não devido a possíveis competências.
Isso acontece no Brasil tambem. Dizem que foi Lula que salvou o Brasil da crise, mas o que ele fez foi nada além de manter a inércia da política brasileira e com um pouco de sorte, deu certo de a crise não pegar tão forte.
Só que ao contrário do Brasil, o eleitorado Norte Americano exige mais, ainda mais depois do desastre de Bush.
Um presidente so quebra um país de for um ditador, caso contrário, setores da sociedade ajudam na tomada de decisões e o setor privado segura as pontas (que é o que acontece nos Estados Unidos e tambem no Brasil)
Inclusive hoje, um presidente não "pesa" tanto na condução de uma boa política de governo.
[]s
Eduardo.
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