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20/10/2008 - 09h56

Penúltimo debate entre candidatos de SP é marcado por troca de acusações; assista

da Folha Online

Líder nas pesquisas de intenção de voto, o prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, partiu para o ataque contra a ex-ministra Marta Suplicy (PT). Os dois se enfrentaram durante debate promovido pela TV Record --o penúltimo antes da votação do próximo domingo.

No vídeo a seguir, veja imagens do programa da emissora paulista. Leia também o especial das eleições 2008

Penúltimo debate

Na maior parte do tempo, Kassab tentou associar Marta ao apelido que ganhou quando administrou São Paulo por ter criado a taxa do lixo --martaxa--, entre outros tributos. O prefeito ainda copiou uma pergunta lançada por Marta nos últimos debates: "Em qual Marta vamos acreditar? Naquela que elevou taxas ou na candidata?!

Para retrucar, Marta disse que Kassab pertence ao partido que fez parte da base de apoio do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Foi o seu governo que elevou impostos. A carga tributária passou de 26% para 37% e foi o seu governo que fez o ISS para taxista, para florista, para alfaiate."

Arrependimento

Marta admitiu ter cometido "erros" na sua administração com a criação de taxas e justificou suas medidas com "caos" deixado pela gestão anterior de Celso Pitta (PTB) --de quem Kassab foi secretário. "Eu tive que encontrar alternativas para administrar a cidade que estava quebrada com o PAS, as escolas abandonadas, o transporte estava um caos, as pessoas não tinham condições de se mexer nas cidades."

Desculpas

A petista pediu desculpas pela propaganda veiculada pela sua campanha que questionava se Kassab era casado e se tinha filhos. A propaganda foi retirada do ar e a Justiça aceitou vários pedidos de Kassab por direito de resposta.

Marta afirmou que ficou "espantada" com a repercussão da pergunta. Segundo ela, a propaganda foi testada pela equipe de marketing da campanha antes de ir ao ar e ninguém viu nenhuma tom "malicioso" na pergunta. "Ninguém viu como malícia [nas pesquisas de avaliação]. Criou-se a grande celeuma da campanha. São perguntas que dizem respeito à trajetória do candidato. Se influencia ou não o voto do eleitor... Diz respeito à candidatura."

Kassab reprovou a campanha adversária: "Quanto maquiavelismo na campanha da minha adversária".

"A Justiça se pronunciou e condenou com muito rigor a campanha da marta. Sou solteiro, sou feliz, sou engenheiro. Posso dizer que os cidadãos estão interessados em discutir o caráter", diz Kassab.

Marta se desculpou depois pela propaganda e disse que não tinha visto. "Eu não havia visto essa conotação. Fez parte da minha campanha [o comercial], agora foi retirado do ar por meu pedido. Eu sinto que tenha molestado o candidato e outras pessoas do meu partido."

Kassab agradeceu a atuação dos "formadores de opinião" que condenaram a propaganda e disse estar "satisfeito" com o resultado da Justiça. "A imprensa condenou e até os companheiros do seu partido condenarem. Estou profundamente satisfeito com a avaliação da Justiça."

Diga-me com quem andas

Como nos debates anteriores, Marta tentou ligar Kassab a Pitta. E Kassab colocou Kassab em petistas envolvidos em denúncias de corrupção. "Quanto ao Pitta, me afastei dele. Mas ela não se afastou do [José] Dirceu, Silvinho [Pereira], Delúbio [Soares], da turma do mensalão", disse Kassab.

Em resposta, Marta disse que não se compara uma coisa com a outra. "Eu pertenço a um partido político. Você pertence a outro. O que se compara é a trajetória de partido político, e as escolhas dos partidos. Você é do partido dos coronéis, do atraso. Não tinha nem luz no Nordeste quando Lula assumiu. Você faz parte deste partido. Não adiante dizer que se arrependeu. Deixou a cidade arrasada, falida, liderou o movimento 'Reage, Pitta'. É completamente diferente e tenho honra de pertencer ao meu partido."

Kassab tentou desvincular Marta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E disse que não acredita que Lula vá ajudar mais São Paulo se Marta for eleita com investimentos no Metrô. "Volto a dizer: não acredito que Lula vai tratar diferentemente São Paulo [se ela ganhar]. Como [o governador José] Serra vai ajudar independentemente do prefeito que for eleito. Porque ele tem espírito público."

Marta disse que ela e Lula estão alinhados em projetos e propostas e por isso o presidente se sentirá mais à vontade para fechar parcerias com ela do que com o adversário. "Se eu for parceira, virá maior e melhor. Porque pensamos os mesmos projetos."

Violência

Marta e Kassab divergiram sobre as razões que motivaram o confronto entre os policiais civis do Estado de São Paulo, nesta semana. Enquanto Kassab endossou o discurso do governador José Serra (PSDB) de que as manifestações tiveram motivação eleitoral, Marta se disse indignada e acusou-os de "incapacidade de diálogo".

Questionado sobre as declarações do presidente Lula, que ontem condenou as insinuações de Serra, o prefeito disse que Lula falou como "membro do PT" e não como presidente, e defendeu seu padrinho político.

"Eu entendo sua manifestação como partidária. Se ele [Lula] quiser saber melhor sobre isso, devia ligar para o governador José Serra, ponderar e depois se manifestar", afirmou Kassab. "Tenho certeza que o presidente Lula, não como integrante do PT, vai se colocar à disposição do Serra", concluiu.

O prefeito também reforçou as declarações de Serra, que afirmou nesta semana que os confrontos tiveram motivação eleitoral, e acusou o PT de envolvimento no confronto. "Inclusive, o deputado Paulo Pereira da Silva [da Força Sindical], que está na aliança da minha adversária, a uma semana já negociava publicamente a manifestação", afirmou.

Ao comentar a reposta do adversário, Marta disse ter ficado "indignada" com as insinuações, que chamou de "provocação". "Eu fiquei indignada com o que aconteceu. Achei isso aqui uma provocação. Eu quero dizer que líderes sindicais participarem de manifestações é absolutamente aceitável", disse.

Marta ainda defendeu as declarações de Lula, seu principal padrinho político. "O presidente falou uma coisa que eu achei muito boa, que quem não sabe negociar não pode governar", disse, alfinetando os tucanos --aliados de Kassab. "Uma incapacidade de negociar. E isso tem sido reiterado em todas as administrações tucanas, PFLs [antigo nome do DEM] e do DEM", afirmou.

Kassab, por sua vez, rebateu as acusações e afirmou que Marta é quem não soube negociar com os servidores públicos quando foi prefeita. "A ex-prefeita não atendeu nenhum dos seus servidores. Basta comparar, tá no diário oficial".

Engenharia

Marta e Kassab divergiram sobre a construção dos túneis nas avenidas Rebouças e Faria Lima --feitas durante a gestão do PT. Enquanto Marta defendeu a construção dos túneis, Kassab disse que foi um erro. "Os túneis foram obras que eu me orgulho. Aquilo era uma operação urbana, eu não tinha dinheiro no orçamento. Você diz que beneficia só as pessoas ricas, não é verdade. Aqueles túneis beneficiam todas as pessoas", afirmou a ex-prefeita.

Kassab afirmou que teria investido o mesmo dinheiro na expansão do metrô, e disse que os carros se "afogavam" nas enchentes. "Eu não faria esse túnel. Eu nunca vi em nenhum lugar no mundo um túnel que acaba no farol. Um túnel onde os carros se afogavam em enchentes, inclusive em uma delas a ex-prefeita estava em Milão", afirmou.

A candidata mostrou irritação com a resposta de Kassab, e afirmou que não pôde investir na expansão do metrô em sua gestão pois, segundo ela, o governo estadual "não tinha projeto". "Os túneis nunca mais tiveram enchentes a não ser na inauguração. Fale a verdade, Kassab!", disse.

A petista ainda acusou o adversário de "não ter peito" para fazer novas obras. "Não tem peito pra fazer. As grandes obras que você fez foram todas continuação das que eu fiz. Cite uma obra que você fez que não foram licitadas por mim?", questionou

Comentários dos leitores
laerte soares lima (170) 25/10/2008 17h57
laerte soares lima (170) 25/10/2008 17h57
o que percebi... nesta eleição ... foi a eleição do Anti. Anti-PT... Anti-Lula... Anti-Marta... Anti... Anti... Anti... O Brasil é o Pais do Anti... somos movidos á ser Anti... daqui .. algum tempo... seremos Anti-Kassab.. Anti- Serra... Anti- Aécio... e por ai vai... Quando é que iremos ser Pró- Brasil...? gente ... nossos inimigos não é PT-PSDB- Dem ... nosso inimigo é o Atraso... o preconceito... somos o pais emergente ... que menos sofreu com esta famigerada CRISE... o que importa... somos o ANTI... Boas Eleições prá todos ... Que Deus os Ilumine.. e que o Brasil... seja o maior vencedor... falou... 35 opiniões
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Marcos Roberto Mingoni (1) 20/10/2008 18h59
Marcos Roberto Mingoni (1) 20/10/2008 18h59
No debate da Record o atual prefeito demosntrou desconhecimento sobre as leis para execução de obras ao dizer que o governo da Marta faz licitações e ele faz obras. Se as obras que ele fez foram sem licitação tem alguma coisa errada ai. 16 opiniões
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Ana Quaiato Quaiato (3) 20/10/2008 14h17
Ana Quaiato Quaiato (3) 20/10/2008 14h17
ATENÇÃO... se foi Marta quem criou, não é PATERNIDADE, é MATERNIDADE!!!
é isso mesmo tudo que Kassab pode dar continuidade foi Marta quem criou, e vocês criam erros lamentáveis, ao serem parciais descaradamente!
criam um monstrinho para São Paulo.
29 opiniões
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