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05/11/2008 - 09h58

Em SP, privilegiados degustam pratos dos maiores chefs do mundo

ALINE GATTONI
Editora de Comida e do Guia da Folha Online

Bem que os jornalistas tentaram, mas poucos foram os convivas que se dispuseram a falar com a imprensa antes de ingressarem no chamado "Jantar do Século", realizado na noite desta segunda-feira (3) no hotel Grand Hyatt (região sul da capital paulista).

O evento foi assim batizado por reunir 17 dos mais importantes chefs de cozinha de todo o mundo --16 deles espanhóis e o representante brasileiro Alex Atala, do D.O.M.. Juntos, eles prepararam 19 pratos para os 80 convidados do jantar, em uma verdadeira força-tarefa gastronômica.

jantardoséculo

Famosos ou anônimos, os participantes desembolsaram, ao menos, R$ 5.000 pela experiência --lance mínimo dos ingressos leiloados na internet. Se alguns entravam correndo para o espaço onde foi servido o jantar, a fim de não serem reconhecidos ou fotografados, outros (poucos) concediam entrevistas, orgulhosos do que viveriam dali a alguns minutos.

"São os melhores chefs do mundo. Conheço o trabalho de todos eles e são, sem dúvida, extraordinários, fora de série", diz Belarmino Iglesias, proprietário do grupo de restaurantes Rubayat --entre eles, o Figueira Rubayat, uma das casas visitadas pelos espanhóis na atual visita ao Brasil. "Alguns desses chefs não têm cozinhas, têm laboratórios de comida."

Enquanto isso, nos bastidores, um verdadeiro exército culinário trabalhava a todo vapor, sob as ordens dos estrelados chefs. Estudantes de gastronomia, cozinheiros, subchefs e outros colaboradores produziam em série e distribuíam as iguarias. Na organização, outras 20 pessoas se desdobravam para garantir os mimos do privilegiado grupo.

"Pobres, mas bonitinhos"

E assim o jantar adentrou a madrugada, entre uns goles e outros de caipirinha degustados por chefs espanhóis como Ferran Adrià, do restaurante El Bulli (três estrelas no conceituado guia francês "Michelin" e considerado o melhor chef de cozinha do mundo) e Juan Mari Arzak, do Arzak (também três estrelas "Michelin").

"Gosto muito da caipirinha. É uma grande referência, porque ela é muito contemporânea, muito moderna", afirma Adrià. "Temos um bom relacionamento com os brasileiros e, por isso, quando nos pediram para vir ao evento, dissemos que participaríamos, mas que viriam muitos outros conosco. Não poderiam vir somente dois ou três, pois pareceria que a gastronomia espanhola se resume a apenas esses", conta Adrià.

Arzak, por sua vez, mostra empolgação ao explicar os planos de viagem do grupo. "Iremos ao Pará e ao Amazonas, para buscar a alma brasileira." Para ele, o jantar constitui um dia marcante para o Brasil. "Esse será um país muito importante para a gastronomia."

O encanto dos chefs estrangeiros pelo Brasil é comprovado pela singularidade do evento. "Eles foram para Japão ministrar aulas, mas não cozinharam. Foram para os Estados Unidos, mas não cozinharam. O único lugar onde cozinharam todos juntos foi aqui", diz Atala. E por que justamente o Brasil? "Nós somos pobres, mas somos bonitinhos...", brinca um dos mais respeitados chefs brasileiros.

O "Jantar do Século" --cuja renda parcial será repassada a projetos beneficentes-- integrou a Semana Mesa SP, organizada pela revista "Prazeres da Mesa" em parceria com o Senac-SP e com as empresas de eventos gastronômicos Sibaris, em São Paulo, e GSR, na Espanha.

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