UNE diz que não vai aceitar restrição da meia-entrada; veja
da Folha Online
O projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) pode restringir a meia-entrada, adquirida com a carteirinha de estudante. De acordo com a proposta, que teve alterações feitas pela relatora do projeto na Comissão de Educação, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), o benefício não deve valer nos cinemas em fins de semana e feriados locais ou nacionais. Se a proposta for aprovada, em todos os outros eventos, como shows e peças de teatro, a meia-entrada valerá apenas de domingo a quarta-feira.
Veja, neste videocast, a opinião da presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Lúcia Stumpf, e do diretor da Associação Brasileira de Empresários Artísticos (Abeart), Ricardo Chantilly.
A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, diz que a entidade é favorável ao documento único, mas é contra a restrição da carteira nos fins de semana. "Isso nós não vamos aceitar, nós sabemos que os estudantes, além de estudar, também trabalham e só têm os finais de semana para buscar o lazer."
"Quando nós acabarmos com a farra das carteirinhas, essa falsificação proliferada no país, nós vamos chegar a um índice razoável da utilização da meia-entrada, que será facilmente absorvido pelos produtores culturais na sua margem de lucro", afirma Stumpf.
"Nós desafiamos os produtores culturais a apresentar uma forma capaz de fiscalizar e de garantir transparência ao exercício das cotas nas vendas de bilhetes nos eventos. A UNE está aqui para defender o direito dos estudantes, do exercício da meia-entrada, porque nós sabemos que a meia-entrada é necessária, visto o grande preço dos eventos culturais. Mas precisamos da mobilização de todos no país", explica a presidente da UNE.
Ela diz também que a UNE luta para que os estudantes consigam desconto na compra de livros, mas, até o momento, as editoras não facilitaram essa negociação. "Essa é uma batalha que levaremos a diante, depois de conquistar de novo a meia-entrada."
"Hoje o estudante paga inteira e o cidadão comum paga dobrado, com isso todo mundo está sendo prejudicado. E nós, os produtores culturais, também, porque o público está se afastando", desabafa o diretor da Abeart.
"Objetivo da UNE é vender carteirinha, é lucro. Se a UNE está tão preocupada em fazer uma coisa direita porque ela não discute o 'meio-livro', o 'meio-caderno' e o 'meio-lápis' do estudante? E por que não existe a 'meia-carteirinha'? Eles ficam dando desconto em cima de uma coisa que não é deles, que é o nosso trabalho. A carteirinha de estudante é inconstitucional. A gente quer criar um mecanismo que o estudante saia beneficiado e que o restante não seja prejudicado", explica Chantilly.
Veja, neste outro videocast, o que os estudantes dizem sobre este novo projeto de lei.
O objetivo do projeto é tentar acabar com a falsificação e criar um padrão único que seja válido em todo território nacional.
A proposta, que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) e teve algumas modificações, está agora na Comissão de Educação.
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