Videocast
09/12/2008 - 15h07

Veja na íntegra o primeiro debate especial dos 50 anos da Ilustrada

da Folha Online

O ciclo de debates dos 50 anos da Ilustrada teve início nesta segunda-feira (8). O evento contou com a presença do cineasta Cacá Diegues, do compositor Caetano Veloso, da psicanalista Maria Rita Kehl e do poeta Ferreira Gullar, que escreve aos domingos no caderno.

No vídeo a seguir, veja a íntegra do debate, intitulado "Cultura e Política". Realizado no auditório do Masp, em São Paulo, o evento foi mediado por Fernando de Barros e Silva, editor do caderno Brasil da Folha de S. Paulo.

Vídeo íntegra

Caetano

O compositor Caetano Veloso tirou risos da platéia durante o debate ao buscar as palavras para iniciar sua intervenção. Ele disse que havia organizado sua apresentação, mas esqueceu o livro no qual tinha feito anotações.

Ele usou trechos de seu livro "Verdade Tropical" para iniciar a intervenção. "Isso é uma comédia inacreditável e depois não é tão importante assim o que está escrito", afirmou o compositor.

Durante a intervenção, Caetano leu um trecho do seu livro no qual falava de bossa nova, cinema novo, e outros fatos contemporâneos ao caderno. "Havia muita explicitude política em letras da tropicália", afirmou Caetano, ainda discorrendo sobre o fluxo do ambiente cultural que acompanhou o período discutido durante sua leitura.

Preconceito

O compositor disse enfrentar preconceito de quem considera que se algo é bem vendido, é ruim. Segundo ele, outra "vítima" desse preconceito é o grupo Calypso. "O Calypso revoluciona a música popular brasileira", afirmou o compositor.

"Hoje, quem parece ser mais independente do mercado vende mais", disse.

Kehl

A psicanalista Maria Rita Kehl afirmou que a relação entre cultura e política fica mais difícil de se perceber quando há liberdade, ao iniciar sua fala no debate.

Durante os anos da ditadura, a indústria cultural se desenvolveu no Brasil, segundo a psicanalista, que também citou o crescimento da Rede Globo e de uma visão criada do país, que beira à "esquizofrenia". Para ela, a TV vende uma imagem modernizada do Brasil.

Kehl também falou da produção cultural em si e a relação com o mercado. "Se o mercado pautar a produção cultural, a experiência fica difícil e a experiência é tudo", disse a psicanalista.

Sobre os investimentos do Estado na cultura, a psicanalista afirmou que "há um certo preconceito" e disse que ninguém reclama quando o poder público intervém em bancos, em companhias.

Diegues

Para falar sobre a relação da cultura e da arte no século 20, Diegues começou sua apresentação contando como o escritor francês Émile Zola enfrentou a imprensa francesa para elogiar uma obra do pintor Edouard Manet. Ao fim, Zola ficou sem emprego, mas recebeu um agradecimento de Manet.

Segundo o cineasta, o Estado acabou se tornando um produtor de serviços sociais e de cultura. No entanto, afirmou que crê que isto mude, devido à crise mundial, pois esta mostrou que o mercado precisa do Estado.

Diegues afirmou que hoje existe desconfiança com relação ao "fanatismo iluminista", a crença cega de que a razão resolveria todos os problemas da humanidade. "Ninguém mais acredita na visão de que o homem seria um travesti de Deus."

Debates

O ciclo de debates terá mais duas mesas, todas das 19h às 21h. Nesta terça-feira o tema é "Cultura e Consumo" e na quarta-feira (10), "Cultura e Jornalismo".

As inscrições estão encerradas, mas o vídeo com a íntegra de cada um dos eventos estará disponível na Folha Online.

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